segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O Bardo na Viagem Medieval (I)

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De novo, já são cinco as minhas participações. Paços de Brandão está representada de novo pela nossa malta a mando do grande Carlos Reis (onde estou incluído) e pela malta do CIRAC, cicerones deste evento desde o inicio; são 12 dias de etérea loucura, onde os medievos misturam juventude com a veterania, deixando a sua marca indelével. Este ano estamos na PRAÇA DA VILA, onde representamos a Feira, as Vendedeiras, os Pedintes, Ladrões e o Tribunal Público, representadas por amadores com mestria, dirigidos pela paciência de Carlos Reis e Susana Gomes, tendo sido os primeiros dias e noites de esplêndido convívio e sã experiência, irrepetíveis.
Os textos e representações nasceram do grande Carlos, mas é dado ao colectivo a ordem ao improviso e, por isso, são representações soltas, que são sempre originais, apesar do texto ensaiado; alguns jovens têm-se sobressaído e representam positivamente uma mais-valia, factor que assegura o futuro e sossega os mais idosos, como é o meu caso, já um pouco derreado, como mostra a foto abaixo (Praça da Vila).
A praça era um espaço público e polivalente por excelência, sempre frequentada quer por moradores quer por forasteiros. As praças tendiam a ser cada vez mais, palcos preferenciais de alguns rituais urbanos. Habitualmente, em frente à igreja ou à Casa da Câmara eram locais muito frequentados por quem acorria a esses edifícios. À Casa da Câmara convergiam diariamente muitos habitantes que tinham de tratar dos mais diversos assuntos, desde a licença de venda à resolução de um conflito pela posse de um pedaço de terra. Na Idade Média era ponto assente que todos os actos comerciais deviam realizar-se pacificamente e à vista de toda a gente, sendo que existia a garantia de “paz da feira” e o carácter público do mesmo. Os açougues situavam-se nas praças onde se vendia a carne de talho e o peixe do mar. No chão da praça, em bancas ou tendas desmontáveis vendia-se de tudo, desde pão cozido e sobretudo muita, muita gente que regateava e gesticulava. Alpendres, arcos e portais serviam de moldura a este quadro vivo, para além das ricas casas de um ou dois pisos e no rés-do-chão das mesmas, ficavam as tendas dos mercadores de panos, das especiarias, dos ourives, dos tosadores, dos correeiros, dos sapateiros e outros oficiais que expunham os seus produtos em poiais ou tabuleiros.
Era na praça que os serviçais se ofereciam para trabalhar e eram contratados, que as mulheres da mancebia angariavam clientela. Os mendigos e estropiados que nada tinham a vender, expunham a sua miséria à compaixão dos que passavam e ofereciam-lhes a troco de uma esmola a oportunidade de ganhar o céu. Os ladrões e vagabundos limitavam-se a espiar aguardando a ocasião propícia para extorquirem dinheiro. Os moços jogavam às cartas e aos dados o que os tornava larápios, tafuis e arrenegadores. Sendo um espaço altamente polivalente, tem também a sua função pública e judicial. Nesta estava presente a picota e o pelourinho e os edifícios da casa da Câmara e a cadeia e nalguns casos pelo campanário ou a torre do relógio. O pregão era lançado na praça e o facto de se dizer em praça significava anunciá-lo publicamente. Aqui se situava o paço dos tabeliães onde se lavravam as escrituras, cumpriam-se as formalidades requeridas antes do emprazamento de uma propriedade, o pregoeiro do concelho devia dar três voltas à praça com um ramo verde na mão apregoando a dita propriedade. Se aparece candidato, deveria meter-lhe na mão o ramo verde dirigindo-se ambos ao paço dos tabeliães onde formalizavam o contrato. Açoites, empicotamento, enfreamento de mulheres ditas “bravas” e mesmo as mutilações eram castigos banais no pelourinho. Eram também na praça que os justiçados de baraço ao pescoço e mãos atadas iniciavam o seu percurso pelas ruas da cidade acompanhados do pregoeiro que anunciava a razão do castigo.
Por isso, a todos os brandoenses que visitem a Feira, vejam o nosso espectáculo na PRAÇA DA VILA, todos os dias pelas 22 horas.

Saudações amigas, o vosso amigo Bardo

Bardo da Lira

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