quarta-feira, 28 de novembro de 2012

PCP - Pergunta escrita ao Parlamento Europeu sobre Ribeira de Riomaior

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Numa visita recente ao concelho de Santa Maria da Feira pude verificar o estado de conservação deplorável em que se encontram vários cursos de água da região – em especial nas freguesias de Santa Maria de Lamas, Paços de Brandão e S. Paio de Oleiros, ao longo do curso da Ribeira do Rio Maior.
Apeasar dos investimentos realizados na rede de esgotos no concelho e das verbas dispendidas na sequência da opção de a concessionar a privados, sem que nunca lhes tenham sido exigidos objectivos a atingir no que à recuperação ambiental de ribeiras e rios se refere, a poluição das ribeiras persiste, em virtude de descargas industriais e domésticas ilegais. Para além de um atentado ecológico, estamos perante um manifesto problema de saúde pública.

Em face do exposto, solicito à Comissão Europeia que me informe sobre o seguinte:
1. Que fundos comunitários foram, até à data, dirigidos à rede de esgotos do concelho (incluindo ETARs) e à requalificação das ribeiras em questão?
2. Foi, até à data, dirigida alguma queixa à Comissão por incumprimentos de legislação ambiental, relativamente a estes cursos de água? Em caso afirmativo, que diligências efectuou a Comissão?
3. Que fundos comunitários poderão ser mobilizados para apoiar a despoluição destas ribeiras?

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

PCP - Abertura do CONTINENTE-Feira

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Nota sobre a abertura de uma grande superfície no centro de
Santa Maria da Feira

A pouco tempo da abertura de mais uma grande superfície comercial na cidade de Santa Maria da Feira, o PCP vem denunciar, uma vez mais, os riscos que representa este projecto para a economia local feirense. Durante bastante tempo o Executivo camarário PSD tentou justificar a luz verde dada a este projecto com a promessa de uma contrapartida a ser garantida pelo grupo SONAE, que consistiria na requalificação do espaço envolvente: a “Pedreira das Penas”, actualmente um depósito de águas estagnadas altamente contaminadas, onde proliferam roedores, entulho, lixo acumulado e onde, graças à existência de materiais em decomposição, o mau cheiro atinge graus insuportáveis. Essa contrapartida, integrada, de acordo com a Câmara Municipal, no projecto de criação de um centro de criação de artes de rua – a tão publicitada “Caixa das Artes” – não passou afinal de uma miragem com que os responsáveis locais do PSD acenaram quando isso parecia servir os fins do grupo em causa.

Hoje, a requalificação da Pedreira das Penas ainda não saiu do papel, e a única caixa à vista é a “caixa registadora”. Sem embargo da criação de um limitado número de postos de trabalho – cujas condições laborais estão ainda por esclarecer, prevendo-se que venha a constituir mais um exemplo de precariedade e desprotecção laboral – é facto indesmentível que a instalação de uma grande superfície comercial no centro da Feira representa a machadada final no comércio local da freguesia-sede do Concelho.

Quando a Feira se encontra já notoriamente saturada de grandes superfícies comerciais, cercada como está por “hipermercados”; quando comércio  local enfrenta um momento particularmente difícil graças à situação económica dos trabalhadores e do povo para onde nos empurra a actual política; quando os comerciantes feirenses lutam pela sobrevivência num contexto de asfixia e colapso dos pequenos e médios comerciantes (desemprego, empobrecimento dos trabalhadores, IVA a 23%, roubo dos salários, etc.), a decisão política de autorizar a instalação de um hipermercado no centro da Feira constitui uma gravosa irresponsabilidade, pela qual todos os feirenses devem pedir contas à Câmara.

Acresce ainda que da riqueza resultante destas mega-lojas não ficarão na região mais do que algumas migalhas: entretanto, o lucro será canalizado para as fortunas dos homens mais ricos do país (e talvez conduzido para sedes fiscais no estrangeiro, como sabemos ser hoje prática corrente...), contribuindo assim para a extraordinária acumulação de capitais em elites económicas cujos lucros não param de crescer de ano para ano, enquanto aqueles que vivem apenas do seu trabalho vêem degradar-se a sua situação de dia para dia.

Alertamos também para os riscos que traduz este projecto ao nível da saúde pública: pretende instalar-se uma grande loja de venda de bens alimentares a escassíssimos metros de um depósito de lixo com várias décadas – as antigas pedreiras, com metros de profundidade de água estagnada, entulho, lixo doméstico, velhos electrodomésticos, intenso odor, etc. – constituem um evidente foco infeccioso, ameaçando a saúde de todos quantos vierem a frequentar aquela superfície, e colocando em causa as condições sanitárias para o armazenamento e venda de alimentos. À questão ambiental soma-se agora uma preocupante questão de saúde pública. 

É urgente denunciar esta opção estratégica do poder local/PSD: a instalação de grandes superfícies detidas por monopólios comerciais não só não salvaguarda o comércio local, como significa o fim de muitos dos empresários, comerciantes, lojistas e retalhistas. Esta opção apenas contribui para acentuar as assimetrias económicas e sociais, para além de configurar uma prática lamentável e ultrapassada de invasão de um centro urbano com um bloco de betão, implicando previsíveis congestionamentos de trânsito, aumento dos níveis de ruído e poluição no centro da cidade, e consequente perda de qualidade de vida, deixando, por outro lado, intocado o gravíssimo passivo ambiental que representam as antigas pedreiras. Todos estes factores caracterizam bem o sentido retrógrado, penalizador e irresponsável que assume o Executivo PSD liderado por Alfredo Henriques: à imagem do actual Governo PSD/CDS-PP, também aqui em Santa Maria da Feira os números valem mais do que as pessoas.

O PCP reafirma a sua solidariedade para com os pequenos e médios comerciantes e empresários de Santa Maria da Feira, mas anuncia também que estará sempre ao lado dos trabalhadores que vierem a ocupar os postos de trabalho a fixar nesta superfície: porque é preciso e é urgente uma outra política, ao serviço dos trabalhadores e do povo, e não do grande capital, o PCP manter-se-á firme e intransigente na defesa da população!

Santa Maria da Feira, 26 de Novembro de 2012

CD PAÇOS DE BRANDÃO - CONVÍVIO NATAL 2012

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Pinky - Uma cadela abandonada na Quinta do Engenho

Pedido de divulgação enviado pelo Facebook:

«Esta cadela foi abandonada há já cerca de 2 meses. Tem estado na Quinta do Engenho, em Paços de Brandão. Infelizmente ainda existem desumanos que têm coragem de cometer as piores das atitudes. Apela-se à adopção desta cadela que tem passado os dias à chuva e ao frio...

Para além de abandonada, ainda tiveram a "lata" de deixar um cartaz onde diz que a cadela está capada. Depois de diversos contactos com associações de animais, ninguém aceita ficar com a Pinky! Vamos todos apelar para que alguém fique com esta cadela super meiga.

A Pinky foi levada a tomar banho. Foi desparasitada e está novamente num cantinho refugiado da Quinta, pronta a ser acolhida por alguma alma caridosa. Aqui fica o testemunho da veterinária que hoje cuidou da Pinky.»


Consultar no facebook em: http://www.facebook.com/cadelapinky 

PATA - Projecto Brandoense de protecção animal e da natureza

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O projecto "pata" funciona em Paços de Brandão, algures no monte de baixo, e está orientado segundo as seguintes directrizes:

Projecto comunitário, e sem fins lucrativos,  com objectivo de sensibilizar a comunidade local para a importância da esterilização de  cães e gatos como controlo de doenças e reprodução nestas espécies quando abandonados. 

Fazem-se ainda recolhas, apoio, esterilização  e adopção de animais abandonados nas ruas.

Em paralelo com estas actividades mais altruístas, funciona   ainda um Hotel canino, e treino canino.

Este projecto presta também apoio a pessoas com menos recursos para a esterilização dos seus animais de companhia. 

INFORMAÇÕES : 916 404 416 ou através do facebook em: http://www.facebook.com/projeto.pata

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

BE apresenta 190 propostas

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OE'2013: Bloco apresenta 190 propostas para salvar a economia e proteger o emprego
O Bloco de Esquerda foi o partido que mais propostas apresentou.
O Bloco de Esquerda apresentou, no âmbito da discussão da especialidade do Orçamento de Estado para 2013, 190 propostas de alteração. Estas medidas apresentam uma nova visão para a consolidação orçamental, defendendo uma alternativa à austeridade “custe o que custar” que tem sido a imagem de marca deste Governo.
São propostas que defendem a tributação do capital e a renegociação dos juros, protegendo as pensões e os salários que têm sido - até agora - os únicos sacrificados pela austeridade. As medidas apresentadas pelo Bloco são fiscalmente neutras, equilibrando as contas públicas sem o impacto recessivo originado pelo “saque fiscal” aos rendimentos do trabalho de milhões de portugueses.
Com estas propostas, o Bloco pretende garantir espaço orçamental para o investimento e a criação de emprego, diminuindo os encargos aonde não existe o risco de recessão: nos juros da dívida.
Resumo das principais propostas:
1. Rejeição dos cortes de salários e pensões. A medida central de consolidação das contas públicas para o ministro Vítor Gaspar revelou-se uma tragédia para o dia-a-dia das famílias, um fracasso em termos orçamentais e afundou a economia do país. A contração acentuada do consumo atirou Portugal para uma recessão profunda, fechando empresas que não têm a quem vender e fez o desemprego subir a níveis nunca vistos no país. Pior do que errar, só persistir no erro.
2. Tributação do capital e cláusula de renegociação dos juros: Novo regime de IRC, introduzindo um sistema progressivo neste imposto que passará a ter quatro escalões. Fim do regime especial de isenções das SGPS e dos fundos de investimento. Imposto sobre as grandes fortunas, incidindo sobre a riqueza mobiliária e patrimonial. Taxa marginal sobre as transações financeiras. Receitas adicionais de 3500 milhões de euros.
3. IVA da restauração. O último OE aumentou a taxa do IVA a aplicar ao setor da restauração de 13% para 23%. A subida brutal deste imposto não só não gerou maior receita para o Estado como provocou a falência a mais de 21 mil restaurantes, uma subida de 98% do número de insolvências. A redução do IVA para os níveis anteriores, 13%, não teria qualquer efeito negativo nas receitas e garantiria o posto de trabalho de milhares de pessoas.
4. Fundo de Inovação Terapêutica: Resultado dos cortes orçamentais, o acesso dos doentes aos medicamentos está hoje dependente do hospital onde são tratados. O mesmo medicamento que está disponível num hospital do SNS, pode não estar noutro. A realidade é ainda mais grave no caso de medicamentos órfãos, que se destinam a doenças raras. Assim, o Bloco pretende que o acesso aos medicamentos inovadores deixe de estar comprometido pelas restrições orçamentais impostas às diferentes unidades de saúde, centralizando o seu financiamento pelo Ministério da Saúde através de um fundo próprio. Este fundo será financiado por dotações do OE e pela poupança adicional gerada no ano anterior pela utilização de medicamentos genéricos.
5. Alargamento do pequeno-almoço à rede pública pré-escolar: O Bloco de Esquerda defendeu, no OE do ano passado, a introdução do pequeno-almoço nas escolas públicas. A medida foi, poucos meses depois, aprovada e já está a ser aplicada (com altos e baixos) em dezenas de escolas. Como a pobreza, e a má nutrição por ela induzida, não escolhe idades, o Bloco pretende alargar esta medida às crianças de 3 a 6 anos.
6. Atualização de todas as pensões mínimas. O Governo anunciou, com pompa e circunstância, o aumento entre 2 a 3 euros por mês das pensões mínimas. Esta proposta deixa de fora mais de 600 mil pessoas que vivem com menos de 419 euros por mês (o valor do Indexantes de Apoios Sociais). O Bloco defende que todos os reformados que recebam menos do que o IAS devem ter um aumento mensal de 10 euros - aproximando o seu rendimento do valor mínimo de referência.
7. Regularização dos precários do Estado: Todos os trabalhadores, que estejam a trabalhar para a administração pública e local há mais de um ano, com subordinação hierárquica, horário completo e posto de trabalho permanente, devem ser integrados nos quadros do Estado.
8. Revogação da lei dos compromissos. O Bloco pretende eliminar este garrote ao funcionamento diário da administração pública e local. A burocracia gerada por esta medida põe em causa a gestão corrente e o funcionamento de serviços essenciais como hospitais, universidades ou mesmo a alimentação e transporte escolares.
Documento com todas as propostas entregues no âmbito do OE' 2013.

CD PAÇOS DE BRANDÃO - MAPA JOGOS SEMANA 24/25

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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

CONTRIBUTO PARA A HISTÓRIA DA PARÓQUIA DE SÃO CIPRIANO DE PAÇOS DE BRANDÃO - 2



  OS NORMANDOS NA PENÍNSULA HISPÂNICA

Por: Carlos Varela
         
A nossa Paróquia de São Cipriano de Paços de Brandão, é referenciada, por alguns, como tendo sido fundada por um suposto fidalgo normando, «Fernand Blandon» (?), que teria acompanhado D. Henrique de Borgonha, quando este casou com D. Teresa, filha de Afonso VI de Leão e Castela. Intencionalmente ou talvez não, o  que nos contam  sobre os Normandos, resume-se quase a nada.

Foi fácil arranjar uma personagem, validada pelo menos por três personalidades, o sacerdote, o escritor e o político, para ser de tal maneira enfatizada, que lhe deram o ano de 1095 como entrada nesta Paróquia de Paços de Brandão, e, nem sequer quiseram ou souberam, saber da história  dos «Normandos» na Idade Média.

Julgo que se tivessem consultado qualquer manual de História Universal sobre a Idade Média, ou uma crónica que nos diz directamente respeito, estou, como é óbvio a referir-me à “CRÓNICA GERAL DE ESPANHA DE 1344”, cuja edição crítica do texto português, efectuada por Luís Filipe Lindley Cintra; e teriam mudado de opinião, os «historiadores» e «intelectuais» desta terra não quereriam ter um antepassado que se identificasse com aqueles, que, de seguida vou levar ao Vosso conhecimento. Certamente que encontrariam outro. O que era preciso, presumo eu, seria encontrar alguém, não importa quem, logo que tivesse no apelido algo idêntico a «Brandão», para que se festejasse, com pompa e circunstância, um  qualquer aniversário. 

Mas não se julgue que é só na Crónica Geral de Espanha que tal se encontra. Consulte-se, por exemplo, “HISTOIRE – DESCAPÉTIENS – Rois de France, par M. Le Comte de Ségur – Paris M.DCCC.XXIV” e verifiquem o que lá se encontra sobre os Normandos:  
«Les Rois de France regrettaieent constamment la perte d´une de leurs plus belles province, conquise sur eux par les guerriers du Nord; ils regardaient les ducs de Normandie comme des vassaux infidéles, comme des rivaux et voisins dangereux».

Agora, tirem as conclusões e digam-me, se o que vão ler é ou não um bom contributo para que se estude, com seriedade, a história desta Paróquia?...
O que vieram fazer os normandos à península?...

Consultando-se a “CRÓNICA GERAL DE ESPANHA DE 1344”, edição crítica do texto português pelo Académico Correspondente, Luís Filipe Lindley Cintra – Lisboa – 1954 (Academia Portuguesa de História), Volume II, pgs.411/412; 422/423 – Volume III, pgs.108 a 110, fica-se a saber o que vou tentar, de uma maneira muito simples, transcrever, mantendo o texto original, para melhor compreensão dos interessados por estes assuntos:
                                
 Capítulo CCLVII
VITÓRIA DE RAMIRO I SOBRE OS NORMANDOS
                                                         
Como el rei dom Ramiro venceu os Normaãos e matou todollos os altos homeens que se lhe alçarom
«Andados quatro ãnos do reynado deste reiy dom Ramiro – e foy esto na era de oitocentos e sateenta e dous annos e andava o anno da encarnaçon de Nosso Senhor Jhesu Cristo em oitocentos e viinte e quatro annos e o da Luys, emperador de Roma e rey de França, em quatorze – chegarõ ao faro de Galiza, con muytos navios, os Normaãos, que era huam gente muy crua, segundo conta a estória. E aquella gente, que assi era crua, era pagãa, que nunca ainda  tanta fora vista em Espanha toda.
Mas, contra Espanha, todallas as gentes do mundo se atrevyã a vur guerrear e entralla e assenhoreala  e fazer hy todo  o que quiserom. Pero, aacima  todos se acharom mal, ataa que se acabou ennos Godos. E desi ficou ennos naturaaes, que foron depois guaanhandoa dos outros e espargeron muyto sangue por ella, morrendo hi muytos altos homeens e de grande guisa e, doutros, muytos a maravilha, destes enmiigos da fe; ca, do mar de Sancto Andre ataa o mar de Calez, nõ lhes ficou / enton senõ muy pouco. E esto he no reynado do muy nobre rey dom Sancho, o quarto, na era de mil e trezentos e viinte e sete annos.
E, ermpos esto, veerõ cõtra aquella gente dos Normaãos. E, logo que soube el rei dom Ramiro como elles veherõ, sacou sua hoste muy grãde e foy lidar con aquellas gentes bravas; e prougue a Deus que tam de ryjo ferio en elles que se vencerõ os Normaãos, pero que eram gente áspera e forte, segundo conta a estória, e morreron hy muito deles. E assi foi ally beadante el rei dõ Ramiro que os venceu e os dasbaratou; e mãdoulhes hi logo poer fogo aa frota e queimoulhes hi sateenta naves. E, daqueles Normaãos, os que poderon scapar daquela queyma fogiron cõ alguans dessas naves pelo mar. E guaanharon hi, el rey dõ Ramiro e os cristaãos, muytos esbulhos e muytas riquezas.
E, os Normaãos saydos da terra, tornousse el rey dõ Ramiro saão e salvo e com grande presa e muy alegre, elle e toda sua hoste, pera seu logar. E aquellas naves dos Normaãos, que dalli scaparon, veherõ come de cabo sobre Sevilha e combaterõna. E, como estava a cidade quebrantada da outra gente que dissemos antes desto, nõ poderon acordar sobre si tam bem que se defendessem deles. E quebrantarom os Normaãos a villa. E morrerõ hy muitos deles. E levaron ende os Normaãos grãnde prea, segundo conta a estória, e tornaronsse per mar pera sua terra.
En quanto esto acõteceu, creceu a este rey dom Ramiro muy grãde contenda em sua terra. E foy per esta guisa: huum cõde, que avia nome Alderado, e outro conde, que chamavam Privyolo, com sete filhos seus,alçarõsse cõ sobervha e loucura contra este rey dõ Ramiro. E elle prendeuhos e sacou logo os olhos ao Alderado e mãdou escabeçar a Priviolo e aaquelles sete seus filhos.
E en este anno choveu na terra de Gasconha huan ceveira que semelhava graãos de triigo, se nom que era mais meudo ja quanto.»

                                                              Capítulo CCLXV
                             Do que fezeron os Normaãos en terra d´Espanha

«Andados nove annos do reynado deste rey dom Ordonho – e foi esto na era de oitocentos e sateenta e três annos e andava entõ o anno da encarnaçõ de Nosso Senhor Jhesu Cristo em oitocentos e trinta e seis ãnos – aportarõ em Espanha, em Aljazira, huam frota de gente de Normaãos, em que avia saseenta naves bem bastecidas e guarnidas de gente e do que avyã mester. E aquella Aljazira he emnas marismas d´Espanha em terra da Andaluzia. E sairon a terra e matarõ hy muytos mouros e queymarõ toda a terra pella costeira do mar e levarõ das mesquitas muy grandes algos que hy acharom.
E, feito ally esto, passarom a terra d´Africa e aportarom aa marisma da terra de Mauritãna e filharõ a cidade que chamava Natoze, que era dessa provencia, e matarom hy muitos mouros. E dalli forom adeante e correrõ e estragarom todallas ilhas que ham nome Mayorgas e Mynorgas, Eviça e a Frumeteira.
Depois esto, foronsse pelo mar a Grecia e correron a terra e guaanharon hi muy grande algo. E, dally, tornaronsse pera / as marismas d´Espanha; e jouveon hy e teveron hy o inverno. E, na entrada do veraão, foronsse pera sua terra.

                                                                Capítulo CCLXVI
                                                    Da morte del rei dom Ordonho
«Andados dez anos do reinado del rei dom Ordonho – e foi esto na era de oitocentos e sateenta e quatro anos – adoeceo dos pees dhuam enfermydade que dizem na física pedraga. E pedraga he palavra composta destas duas partes que dizem em grego por o que enna linguagem de castella chamam pee e outra agros, enno grego outrossi, por o que em castellaão dizem contreitura ou contreito, onde pedagra tanto quere dizer enna linguagem de Castella como enfermidade de contreitura das maãos ou contreitura dos pees. E desta enfermidade adoeceo el rei dom Ordonho. E morreo em Ovedo e enterrarõno hi muy honradamente na igreja de Sancta Maria. A sua alma reine com Deus, ca mui boõ rei foi.»

                                                                  Capítulo CCCLXIII
Como huans gentes dos Normaãos veherom a Espanha e roubarom Galliza; e de como outrosy morreu Abdenaamer, rey de Cordova.

«Conta aqui a estorya que, andados dous ãnos do reynado deste rey dom Ramiro de Leom, que Guderedo, rey dos Normaãos, cõ grande hoste, em frota de muytos navyos, arribarõ em Galiza, que he em fundo d´Espanha. E sayrõ em terra e entrarõ per ella, estragandoa e danando quanto achava, ca lhes nõ ficava as poboas meyores nem as villas mayores, que todo nõ tomarõ e destroy / rõ. E fazer grandes dampnos arredor de Santiago, que nõ acharom quem a eles saysse nem lhes fezesse aetorvo; e matarõ hy entom dom Sistiando, arcebispo de Sanctiago. E correrõ toda a terra atas o mõte que chamã Zebreyro, que nõ acharõ estorvo nem huum em essa terra. E esto durou bem huum ãno, assy como conta a estorya.
E, em esse ãno, morreu Abdenaamer, rey de Cordova, e reynou empos elle seu filho Alahatã treze ãnos e dous meses. E aquelle Alahatam chamatom per outro nome Alahazubible, que quer tanto dizer em linguagem de Castella come: «homem que se defende de Deus». E bem semelhava que aquelle rey se defendya com Deus, ca achou o reyno de Cordova muy bem  apostado e toda a terra muy em paz e muy assessegada e sem todo buliço e mantevea o filho em aquella maneira que a mãteve o padre. E esto lhe durou, segundo conta a estorya, em todo o tempo que elle reynou. E nem ouve mester de fazer batalhas nem por que husar de feito d´armas.
E, em este ãno, morreu o papa Estevõ e posserõ em seu logar Martinho, o segundo, e comprironse cõ este cento e vinte e nove apostolligos.
Mas agora leixaremos estas razões e tornemos ao feito dos Normaãos.»
                                                                
                                                                   Capítulo CCCLXIV
Como o conde dom Gonçallo Sanchez de Galiza foy lidar com os Normaãos e os venceu e desfez todo seu feito, matandoos todos, e queymou as suas naves.

«Conta a estorya que, passadas estas cousas que ditas avemos e andados três ãnos do reynado del rey dom Ramyro – e foy esto enna era de nocentos e sateenta e sete ãnos e o anno da encarnaçom de Nosso Senhor Jhesu Cristo em novecentos e dez e nove – aconteceu assi que aquella companha dos Normaãos, despois / que ouverõ corruda e roubada toda a terra e feito hy sem guysa quanto quiserõ, querendosse eles já tornar a suas naves cõ muy grandes gaãças e muytos cristãos que levava cativos pera sua terra, sayu a eles aquelle conde dom Gonçallo Sanchez, a provar se poderya deles aver alguam vingança de tanto mal como avyam feito enna terra dos cristãos.
E foy a eles muy atrevudamente, chamando o nome de Deus e do apostollo Santiago; e, assy chegou, avolveo a lide fortemente, ferindoos muy de ryjo, e lidou cõ eles. E, com a mercee de Deus e do apostollo Santiago, cuja egreja eles quebrantarõ e roubarom, venceuhos e desbaratouhos, de guisa que todos hy morrerõ com seu rey. Assi que, de muy grande gente que eles eram, nõ ficou quem arma podesse tomar contra eles nem fazerlhes nem huum dãpno, ca todos erã mortos os demais deles, como dito he; e os outros que focarõ fotõ cativos e presos e todo seu feito desbaratado e destruydo.
E, feito esto em esta guisa que dito he, aquelle conde dom Gõçallo Sãchez foi logo e queimoulhes todallas naves onde estava na ribeira do mar..»


Termino este artigo com um adágio popular tão em uso, naquela época, em Terras Galegas, sem contudo deixar expresso que os Normandos invadiram e saquearam a Galiza, por diversas vezes, desde os anos de 968 / 970 até 1111 ou 1112, em que Sigurd (1108) invade e saqueia toda a Galiza e toda a costa ocidental até Lisboa.

A Galiza foi o último território da Europa que conseguiu sacudir os normandos; só desde o século XI / XII, que o litoral atlântico se viu livre das incursões dos piratas, todavia, ainda em 1152, a Galiza vira as suas terras pisadas por um número considerável de normandos debaixo do mando do intrépido Ronald.

Enquanto tal sucedia num Reino ao qual estávamos subordinados, a nossa Paróquia de São Cipriano de Paços de Brandão, arranjava um «normando» para em 1095 dar nome a esta terra, segundo, claro, o que vem expresso nos “900 Anos de Paços de Brandão” !!!

«DEL FUROR DE LOS NORMANDOS, LIBRANOS SEÑOR»
«A FURORE NORMANORUM, LIBERA NOS DOMINE».