quinta-feira, 26 de abril de 2012

CDU na Cerimónia Solene do 25 de Abril na Câmara Municipal de Santa Maria da Feira

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por Filipe T. Moreira

Se me permitem, irei ousar intitular esta intervenção de “O Sonho”.
Não sou um saudosista, nunca o fui, contudo mentia se afirmasse não amar história: amo-a por defeito, é o que me diferencia do “peru”, e olhando para a história deste país que comemorará o seu aniversário número 869 este ano, não se vislumbra um período com tanta luminosidade como foi a Revolução de Abril.
Olhando de relance para esta sala, vejo que, dos que aqui estão, muitos viveram Abril. Invejo-vos, com toda a sinceridade, invejo-vos! É provável – seria hipócrita se não o referisse – que dos que aqui se encontram e que testemunharam a Revolução de Abril, nem todos terão contribuído de igual forma para essa alvorada luminosa. Isso fica, como é evidente, com a consciência de cada um. Mesmo assim, invejo-vos. Invejo-vos pelo facto de terem presenciado o período da nossa história em que a alegria coletiva era uma realidade, em que a inauguração de uma democracia participada e verdadeiramente representativa abriu um projecto de esperança para a vida de um povo. Invejo-vos por terem vivenciado o momento em que esse povo quebrou as algemas e conquistou a liberdade, exerceu-a, e conferiu-lhe o seu verdadeiro e amplo significado. Foi, sem dúvida, um tempo de afirmação entusiástica e consciente da defesa do interesse nacional. 25 de abril de 1974 assinala o início da construção de um tempo diferente, um tempo novo, de direitos humanos, de paz, de justiça social, de solidariedade com todos os povos e países do mundo. Foi o tempo em que Portugal construiu a sua mais avançada democracia, porque verdadeira democracia, porque verdadeiramente representativa dos interesses e vontades da população. Uma democracia social, cultural, política, económica altamente participativa, que viria a ser consagrada na constituição de 2 de abril de 1976.
A nossa história contemporânea é marcada por períodos de 40 anos. O mais recente, que teve um dealbar tão belo, chega agora ao fim. É certo que o Portugal de hoje tem muitas diferenças do Portugal de 1975, contudo, não afirmo com a mesma convicção que o Portugal de 2015 seja muito diferente do Portugal de 74.
Temos hoje governantes que se esqueceram do significado etimológico de político, ou, o que será ainda pior, deturparam-no, dando-lhe um novo e pervertido sentido, passando agora a designar “aquele que serve os interesses dos grandes grupos económicos nacionais e estrangeiros”. A serventia destes governantes que se esqueceram do seu lugar na sociedade, levou-nos a nós, povo, ao caos, à perda de soberania, ao empobrecimento, pois os do costume continuam a usufruir de estratégias pouco claras para enriquecimentos pouco dignos.
Estes governantes, que têm usado e continuam a usar da publicidade enganosa, da propaganda e do poder sobre os media para fazerem assim valer as suas ideias, apresentando-se constantemente como os salvadores da pátria, fazem de tudo para que se esqueçam as conquistas de Abril. É que Abril é-lhes incómodo, e é-lhes incómodo porque foi liberdade no mais puro sentido deste valor – direito à autodeterminação colectiva, garantia da soberania política e económica, mas foi também direito ao trabalho com direitos, foi direito à saúde, direito ao ensino, direito à segurança social, foi a entrega da terra a quem a trabalha, foi a colocação dos setores estratégicos fundamentais da economia ao serviço do país, foi a construção do poder local democrático, foi a libertação de outros povos.
Os governantes que ao longo de mais de três décadas têm tentado devastar as flores que abril semeou, tentam hoje, com as suas políticas, construir uma sociedade que descarta os que não são úteis aos seus propósitos. Uma sociedade em que o Homem não é o mais importante, em que o único valor reconhecido é o passível de receber rating dos mercados. Para isso, contra todas as evidências, tentam incutir aos trabalhadores, aos sindicatos, aos jovens, aos artistas, aos pensionistas, aos reformados, aos desempregados e até aos doentes o ónus da culpa pelas consequências desastrosas que anos de opções neoliberais não poderiam deixar de acarretar.  
A verdade é que no Portugal de hoje todos os valores e conquistas de Abril estão em causa. Desde 1976 que temos assistido a sucessivos ataques a estes valores, em reiteradas tentativas de “ajustes de contas” com a memória colectiva da liberdade e da democracia. Ataques estes que se têm intensificado na última década. É forçoso reconhecer que nunca se assistiu a um tão desavergonhado ataque à escola pública universal e gratuita, ao serviço nacional de saúde, ao poder local democrático, à dignidade do povo português, aos direitos dos trabalhadores, à liberdade e à própria democracia. 
Muitos dirão que o projecto de Abril era uma ambição exagerada, utópica, inexequível. Que vivemos “no melhor dos mundos possíveis”, dadas as circunstâncias. Dirão, talvez, que o único caminho possível é este, que não há outro. Pois a todos eles deixo, nesta manhã de 25 de Abril, uma palavra: observemos o rosto da Europa, hoje, e perguntemo-nos se nos identificamos com o que está a ser construido. Um sistema inteiramente absurdo e irracional baseado na submissão das instituições políticas às agências de crédito, um conceito de nacionalidade resumido à visão anquilosada e insana do contribuinte sem direitos, um Estado-nação abandonado ao mais selvagem e inumano individualismo, com cada país a curvar a espinha até só contemplar apenas o seu umbigo, numa campanha delirante e clamada em uníssono pelo “aumento das exportações” e pela quebra das importações, que, sendo assumida por todas as partes, resultará finalmente numa roleta-russa que poderá potencialmente levar ao colapso económico da Europa, uma Europa onde se acentuam as desigualdades sociais e económicas, como vêm revelar os estudos mais recentes, onde a tensão, por esse motivo, atinge níveis sem precedentes, onde milhões de pessoas se encontram condenadas a viver sem qualquer horizonte de esperança, amarradas a um modelo económico que lhes nega qualquer gota de estabilidade, negando-lhes, assim, o direito a uma família, a um lar, uma vida, enfim, à própria alegria, roubada em nome de “ajustamentos estruturais” que, a continuarem por este caminho, nos levarão a todos à mais humilhante degradação, ou mais fundo ainda. Este modelo, o actual, é que é, sim, inumano, delirante e insustentável, não o de Abril. Esta Europa é que é a Europa impossível, a Europa inexequível, que nega os valores de solidariedade, democracia, auto-determinação e amizade entre os povos que justificaram sempre a sua existência pacífica. Esta Europa, e este país, que vivem o capitalismo financeiro na sua deriva especulativa como natural, são a mais ameaçadora negação da realidade, a mais terrível aporia da história contemporânea, porque nos conduz a um ponto sem futuro, à rua sem saída do colapso e da aniquilação das instituições democráticas e soberanas: esta é a Europa, não da utopia, ainda que impossível, mas da mais inusitada distopia que poderíamos ter construído! Uma Europa que não sobreviverá a si mesma, se persistir em roubar aos trabalhadores os mais elementares direitos para uma vida digna.
É neste contexto que o 25 de Abril merece, hoje, ser assinalado com especial veemencia: ele representa o projecto de crescimento, de democracia avançada, de futuro sustentável que um dia ousámos desejar. E que este ano, pela primeira vez em longo tempo, celebramos na ausência de alguns dos mais altos valores que dele nasceram. Hoje, assinalamos este dia sob o peso da subserviência aos representantes dos mercados financeiros, esmagados pela perda da soberania, com plena consciência de que é à finança especulativa, a mesma que foi responsável e inteiramente responsável pela grave crise financeira que se abateu sobre os países ocidentais após 2008, que estamos a obedecer, e é a ela, única responsável pela crise que hoje enfrentamos, que o governo tenta agradar com os intoleráveis sacrifícios que impõe aos trabalhadores e ao povo. Extraordinário paradoxo! O carrasco de ontem é o médico de hoje, e o avaliador de amanhã!
Talvez se justifiquem, neste contexto, as palavras que nos trouxe recentemente o comunicado “Abril não desarma”, da Associação 25 de Abril: “A linha política seguida pelo atual poder político deixou de refletir o regime democrático herdeiro do 25 de Abril configurado na Constituição: o contrato social estabelecido na Constituição da República Portuguesa foi rompido pelo poder”, uma vez que "as medidas e sacrifícios impostos aos cidadãos portugueses ultrapassaram os limites do suportável", pelo que se impõe reconhecer "ser oportuno tomar uma posição clara contra a iniquidade, o medo e o conformismo que se estão a instalar" no País, concluíndo: "O poder político que atualmente governa Portugal configura um outro ciclo político que está contra o 25 de Abril, os seus ideais e os seus valores”.     
Quando terminar esta intervenção, ficarei seguramente com a sensação de que há ainda muito para dizer. Mas parece-me que este não é o tempo de falar, mas sim tempo de agir, de fazer. Não de fazer o que a opressão estrangeira ordena pelos seus vários meios, não de fazer o que governantes exigem que façamos contra os interesses do próprio país e do povo, mas tempo de fazer o que é preciso fazer para libertar Portugal das amarras que nos levaram a esta situação de afogamento – afogamento este que é, antes de mais, um afogamento democrático.
Para terminar dedico estes minutos com que martirizei alguns de vós a todos os “Ginetos” e “Gaitinhas” tão bem representados em “Esteiros” de Soeiro Pereira Gomes e que novamente brotam, pois um dia serão eles a fazer cumprir Abril e a Constituição.


CD PAÇOS DE BRANDÃO - TAÇA PETIZES - 1ª EDIÇÃO

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quarta-feira, 25 de abril de 2012

A propósito dos 38 anos do 25 de Abril


OS DONOS DE PORTUGAL
Documentário de Jorge Costa

Donos de Portugal é um documentário sobre cem anos de poder económico.
O filme retrata a proteção do Estado às famílias que dominaram a economia do país, as suas estratégias de conservação de poder e acumulação de riqueza.
Mello, Champalimaud, Espírito Santo -- as grandes famílias cruzam-se pelo casamento e integram-se na finança. Ameaçado pelo fim da ditadura, o seu poder reconstitui-se sob a democracia, a partir das
privatizações e da promiscuidade com o poder político. Novos grupos económicos -- Amorim, Sonae, Jerónimo Martins - afirmam-se sobre a mesma base.
Quando a crise desvenda todos os limites do modelo de desenvolvimento económico português, este filme apresenta os protagonistas e as grandes opções que nos trouxeram até aqui.

25 de Abril....Que futuro?

Nunca o 25 de Abril, a revolução dos cravos que nos deu a liberdade há 38 anos, foi tão falado como neste ano. Uns dirão que está tudo mal, e temos de voltar a pegar em armas e literalmente "partir" isto tudo! Outros, "carneiristas" (no sentido de seguir o pastor, e não de seguirem as pisadas de um grande político de outros tempos) acham que está tudo bem, e estamos no bom caminho! 
Sinceramente, nem parece que esteja tudo mal, nem que esteja tudo bem. No entanto, algo há que está muito mal, aliás, e isso somos apenas nós próprios. Fomos  aqueles que elegeram ao longo de 38 anos os que nos conduziram a isto. Quantos de nós  no fundo não assobiam para o lado quando os problemas na nossa sociedade surgem? Na realidade poucos se importaram como eram resolvidos, por quem e a que preços, continuamos a crer que as coisas eram fáceis e que se alguma adversidade surgisse, alguém nos havia de safar desta. Mas esse alguém, ou "alguéns" andaram nestes anos todos em que o povo estava adormecido pelas Expo´s 98, os Euro´s 2004 e os créditos fáceis  a torto e a direito, pura e simplesmente deslapidaram este país ao desbarato. E por isso estamos hoje onde estamos apenas por culpa nossa, e apenas nós mesmos seremos capazes de inverter o rumo dos acontecimentos. Se cada um de nós procurar dar o seu melhor, em vez de reclamar, de aldrabar e roubar o que é de todos, o nosso país. Talvez haja uma esperança, talvez este povo Lusitano que um dia foi grande, volte a ser grande novamente, mesmo que o não seja em riquezas, pelo menos em dignidade.
Os que trabalham e os que empregam, os que servem e os que são servidos devem unir esforços e puxarem todos para o mesmo lado, pois afinal Portugal somos apenas nós....

terça-feira, 24 de abril de 2012

Faleceu Miguel Portas, fundador do Bloco de Esquerda

In: Esquerda.net



Teve uma vida intensa e viveu-a intensamente. Durante toda a sua doença continuou sempre a cumprir as suas responsabilidades e estava, neste preciso momento, a preparar o relatório do Parlamento Europeu sobre as contas do BCE.
Jornalista, fundou o “Já” e a Vida Mundial, das quais foi diretor. O fascínio pelas culturas do mediterrâneo levou-o a viajar e a conhecer profundamente esta região, sobre a qual escreveu dois livros e realizou um documentário.
Ativista contra a ditadura desde jovem, foi preso tinha ainda 15 anos. Militante do PCP entre 1974 e 1989, esteve sempre empenhado na transformação da esquerda. Fundador do Bloco de Esquerda, foi o cabeça de lista nas primeiras eleições em que o movimento foi a votos, as europeias de 1999. Um dos principais impulsionadores do movimento que ajudou a crescer, Miguel Portas foi eurodeputado do Bloco de Esquerda desde 2004 e dirigente nacional desde a fundação do movimento.
A Comissão Política do Bloco de Esquerda apresenta os mais sentidos pêsames aos seus filhos e a todos os familiares, amigos e camaradas. Nos próximos dias serão anunciadas as cerimónias evocativas da sua memória.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

A GUERRA PENINSULAR EM TERRAS DA FEIRA - III

Por: Carlos Varela
A GUERRA PENINSULAR
A SEGUNDA INVASÃO FRANCESA
(Os Trágicos Acontecimentos Ocorridos em Terras da Feira)


PINHEIRO DAS SETE CRUZES 
 


Conforme o que se pode ler em “O CONCELHO DA FEIRA”, Arlindo de Sousa (1944), pgs. 46/47 e respectiva nota, na parte em que diz respeito à freguesia de Mozelos: «Tem grande interesse histórico o pinheiro das sete cruzes (toponimicamente Pinheiro das Sete Cruzes), junto à estrada de Lisboa-Porto. Nele foram dependurados os cadáveres de sete portugueses, fuzilados pelos franceses da segunda invasão». Na nota que diz respeito a estas considerações diz-nos que:

«O Reverendíssimo Padre Manuel Francisco de Sá (Santa Maria de Fiães da Terra da Feira, p.93, 1939-1940) colheu valiosos dados, a respeito desta sangrenta vingança dos franceses: Vagueava por esta região um indivíduo, de má fama e piores acções, chamado Catafula. Era de Olivães, freguesia de Nogueira da Regedoura. Um dia, num esforço patriótico, matou três soldados franceses, dos muitos que passavam pela estrada real. Foi preso com outros, acusados de cumplicidade, sendo todos condenados à morte pelas autoridades militares francesas. O Catafula quis confessar-se, e foi chamado o Pde. João de Sá Rocha, capelão do convento de Monchique (Porto) que se encontrava em Anta, sua terra natal. Os franceses obrigaram o padre a revelar a confissão do Catafula, para virem ao conhecimento de todos os seus cúmplices.

O venerável Padre Rocha cumpriu nobremente o seu dever: não revelou uma só palavra da confissão do Catafula. Por isso, foi arcabuzado e pendurado no histórico «Pinheiro das Sete Cruzes» juntamente com o seu irmão Manuel, com o Catafula e mais quatro condenados. Manuel de Sá Rocha fora morto pelos franceses no sítio das Barrancas e depois arrastado até junto dos cadáveres do irmão Padre e companheiros executados.

Passados uns anos, uma sobrinha do virtuoso Pde. Rocha, de nome Francisca Alves de Sá, da Idanha (Anta), mandou construir, junto ao Pinheiro, uma capelinha em cujo retábulo mandou gravar estes dizeres:

“Aqui foram mortos pelos franceses, a 11 de Maio de 1809, o venerando Pde.João de Sá Rocha, seu irmão Manuel e outros, nascidos no lugar de Esmojães, freguesia de Anta».

Não deixa de ser curioso observar que as forças do General Inglês Wellesley, juntamente com as forças portuguesas, em princípios de Maio, estando reunidas na cidade de Coimbra, resolvam avançar em direcção ao Porto, divididas em duas colunas, sob o comando de Beresford e do próprio Welleley, uma por Viseu e Lamego, outra por Aveiro e Ovar. Wellesley, encontrou-se no dia 12 de Maio de 1809 em frente ao Porto, ao mesmo tempo que Soult organizava a retirada. Em face da data apontada pela sobrinha do Pde.Rocha, 11 de Maio de 1809, como sendo àquela do triste acontecimento e a data de 12 de Maio, em que o General Inglês já está em Vila Nova de Gaia, tendo as suas forças percorrido até lá toda esta região, parece que a data de 11 de Maio não será decerto a que corresponda aos acontecimentos registados.


« Vós que tendes sentimentos

Lembrai-vos dos nossos tormentos.

Vós que por aqui passais

Lembrai-vos de nós cada vez mais.”»


BE - Não à realização da tourada em Lourosa!!!

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A notícia da realização de uma tourada na cidade Lourosa, Concelho de Santa Maria da Feira no próximo dia 6 de Maio, organizada pelo Lusitânia de Lourosa Futebol Club, choca não só pela barbárie que é uma iniciativa destas, mas principalmente pelo retrocesso civilizacional que representa.

É inconcebível que no séc. XXI se pondere a realização de atos de tortura mascarados como espetáculo. Será este o tipo de cultura que uma sociedade que se diz civilizada quer incutir às populações? O Bloco de Esquerda vem comunicar a sua forte oposição a este ato bárbaro, sem qualquer justificação.

O respeito pelo bem-estar de todos os animais deve estar entre os valores básicos da nossa civilização. A promoção do sofrimento de um animal como entretenimento, em detrimento da verdadeira cultura tradicional, é retirar a ambição da população para desenvolver o que de bom e educativo constitui a nossa identidade.

Por outro lado, esta iniciativa bárbara tem mesmo um carácter antipedagógico, levantando bandeiras que há muito deveriam estar enterradas. Mesmo que alguns tentem apresentar os argumentos da tradição e da cultura, é cada vez maior o número de portugueses que se recusam a empunhar o estandarte de apoiantes de tradições bárbaras, como são as touradas.

No caso de Lourosa, nem sequer podem utilizar o argumento da tradição, apenas o do prazer sádico de fazer sofrer e ver sofrer um animal indefeso. Não se compreende esta ação de pura promoção do sofrimento animal numa época em que deveríamos proceder à promoção da verdadeira cultura.

Num país como o nosso, em que a fome cultural é enorme, facilmente um clube de futebol encontraria formas contemporâneas de partilha e educação cultural. Preocupa-nos, também, as consequências que este culto do sofrimento terá na construção educacional dos nossos jovens.

Na presente época seria de esperar que a cultura se afirmasse como a aclamação da vida, como aclamação da própria modernidade e não através de um espetáculo degradante e desumano.

O BE apela ao bom senso, e que tanto a autarquia como a população se demarquem deste espetáculo abominável, sanguinário e cruel!

Por sua parte, o Bloco de Esquerda opõe-se e manifesta-se contra esta iniciativa e irá apresentar na próxima Assembleia Municipal uma proposta para que a Câmara Municipal não apoie, de qualquer forma possível, este tipo de iniciativas. Isto é, queremos que a Câmara se recuse a disponibilizar locais, logística, mão-de-obra, financiamento ou qualquer tipo de apoios a atividades de tortura animal.

PCP - As comemorações da Revolução do 25 de Abril

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As comemorações da Revolução do 25 de Abril


 Apelo
Comemoramos 38 anos da Revolução os Cravos, momento histórico impar, cujos princípios e valores constituem um património inestimável que marca a vida de todos nós, tanto dos que a viveram, e por ela lutaram, como das gerações jovens, que já nasceram e cresceram num país liberto da opressão fascista.
Um acontecimento de tal importância tem de ser recordado condignamente, não só para que a memória não se apague, mas também pela actualidade da sua mensagem, que urge prosseguir.
Esta foi uma Revolução que brotou da conjugação de sentimentos e de acção do Movimento das Forças Armadas e do povo português que, desde os primeiros momentos, tomou a rua, apoiando os militares, participando no desmantelamento do aparelho de estado fascista, construindo a democracia, a par e passo, com o sonho posto numa nova sociedade, fraterna, solidária e desenvolvida.
A aquisição da liberdade e da cidadania, o direito de reunião, de associação, de organização política, a liberdade de expressão, mas também importantes direitos sociais, como o direito à saúde, à educação para todos, ao salário mínimo nacional, à segurança social foram conquistas de Abril, que se tornaram fundamentos do novo estado democrático.
Abria-se o caminho para o desenvolvimento económico, social e cultural, para a afirmação de valores humanistas, para a alteração de mentalidades, para a dignificação da mulher em todos os domínios da vida social, para o respeito pelas minorias, para uma generalizada valorização do património e da identidade nacionais.  
Quando hoje olhamos para esses tempos gloriosos, revisitamos os caminhos destes 38 anos e nos confrontamos com o presente, percebemos bem quanto aquém estamos dos horizontes da esperança que se perfilaram com Abril.
Por isso as comemorações do 38º Aniversário do 25 de Abril adquirem uma significativa carga simbólica, no actual momento da vida nacional, em que se tenta branquear a história e a natureza obscurantista e opressora do fascismo e se vão limitando direitos sociais, económicos e políticos, se acentuam as desigualdades, se liquidam importantes conquistas sociais e económicas, se perfilam ameaças variadas, e se põe em causa a independência e a soberania do País.
Por isso, a Comissão Concelhia de Santa Maria da Feira do PCP apela à participação nas comemorações populares da Revolução do 25 de Abril, que se realizam no Concelho.
Comemorar Abril é recordar e valorizar o que foi a resistência contra a exploração e a repressão do fascismo, é recordar o que foi o colonialismo e os treze anos de guerra colonial, é iluminar a verdade sobre o 25 de Abril, o seu significado e a actualidade dos seus valores libertadores.
Mas, comemorar Abril, também é estimular a luta de hoje, por uma outra política, reafirmando os valores e ideais da revolução, para que Portugal possa retomar os seus caminhos, pondo fim às políticas de destruição das conquistas democráticas.

A Comissão Concelhia de Santa Maria da Feira do PCP
Stª Mª da Feira, 22 de Abril de 2012

CiRAC - Encontro de Coros de Paços de Brandão

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 Vimos por este meio, convidar V. Exas a estarem presentes no próximo evento do CiRAC: Encontro de Coros de Paços de Brandão. 

O Encontro de Coros decorrerá na Igreja Matriz de Paços de Brandão e reunirá três grupos corais: 
- Orfeão Dr. João Antunes, de Condeixa
- Orfeão da Feira, de Santa Maria da Feira
- Coro Juvenil do CiRAC, de Paços de Brandão

 Um concerto a não perder, no próximo Sábado, dia 28 de Abril de 2012, pelas 21h45, na Igreja Matriz de Paços de Brandão.

 ENTRADA LIVRE… A vossa presença será uma honra para nós…

CDU - Estatuto do Direito de Oposição

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 Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Stª Mª da Feira:

 Tendo recebido o Relatório de Avaliação do Estatuto do Direito de Oposição do ano de 2011, a Comissão Coordenadora da CDU de Stª Mª da Feira, vem, nos termos do artigo 10º da Lei n.º 24/98, de 26 de Maio, pronunciar-se sobre o mesmo, nos seguintes termos:
- 1. Relativamente à observância do Direito de Oposição, previsto na Lei nº 24/98, de 26 de Maio que aprova o Estatuto do Direito de Oposição, o Executivo Municipal de Stª Mª da Feira, contrariamente ao que citado relatório expõe, a CDU considera que na realidade tal não foi totalmente respeitado.
- 2. Sobre o direito à informação (pg. 4 do Relatório) Com efeito, durante o ano 2011, a exemplo, aliás, de outros anos, não foram facultadas informações ou respostas em tempo útil a sucessivas perguntas e questões formuladas, nomeadamente pelo membro eleito da CDU na Assembleia Municipal de Stª Mª da Feira, ao Presidente da Câmara ou ao vereador em sua substituição. Entre os muitos assuntos apresentados pela Coligação Democratica Unitária directamente ao Executivo Municipal no próprio órgão deliberativo muitos não foram respondidos, total ou parcialmente. Designadamente, no decurso das Sessões da Assembleia Municipal, as respostas dadas frequentemente não esclarecem as questões colocadas ou em algumas situações não são sequer os assuntos referidos, como se poderá ver pela transcrição nas Atas das sessões. Casos paradigmáticos constituem a insuficiência de esclarecimento sobre o financiamento, projeto e construção da Caixa das Artes, processo amplamente questionado pela CDU quanto aos seus pressupostos e etapas, que, até hoje, continua por ser esclarecido, facto especialmente agravado por se tratar de um projeto que prevê a demolição de equipamentos públicos de saúde e educação, que envolve dinheiros públicos e europeus e montantes que foram já despendidos para a execução desse mesmo projeto e que ainda não foram justificados e prevê a implantação de entidades privadas comerciais no centro da cidade sem que se conheçam quaisquer contrapartidas. Também sobre a gestão de resíduos no Município, sobre a dupla cobrança de faturas da água, sobre o incumprimento por parte da Câmara de decisões judiciais, entre outros. Acresce que, as respostas aos requerimentos são, via de regra, apenas dadas aquando da realização das sessões ordinárias da Assembleia Municipal, muitas vezes passando meses entre a data de entrega do requerimento e a respetiva resposta. No que diz respeito à entrega atempada dos documentos para análise, a mesma não é, nem tem sido, cumprida pelo Executivo, sendo documentos essenciais entregues com antecedência que, por vezes, chega a não cumprir os prazos legais e regimentais fixados, violando o n.º 2º do artigo 4º do Estatuto do Direito de Oposição que determina que «as informações devem ser prestadas diretamente e em prazo razoável aos órgãos ou estruturas representativos dos partidos políticos e demais titulares do direito de oposição». Quanto à consulta sobre documentos estratégicos da política do Executivo, a mesma é absolutamente inexistente no que diz respeito a documentos que não sejam obrigatoriamente enviados por imperativo legal às forças políticas com assento na Assembleia Municipal. 3. Sobre o direito de consulta prévia Não se registou no período em análise qualquer auscultação prévia a esta Coligação sobre o conjunto de temas ou prioridades a propor por esta nas Grandes Opções do Plano do Município para 2012, contrariamente ao que é afirmado no Relatório a pgs. 5. Assim, pelo exposto, a CDU entende que o Relatório de Avaliação não se pode cingir a uma mera formalidade. É nosso entender, que o mesmo para ser isento, deveria conter uma exposição concreta e objectiva acerca da observância do respeito pelos direitos e garantias da oposição, o que manifestamente, a nosso ver, pelas razões atrás invocadas, neste Concelho e no ano de 2011 não se verificou. Por tudo isto, a Comissão Coordenadora da CDU de Stª Mª da Feira propõe que um novo relatório de avaliação do Estatuto do Direito de Oposição seja devidamente corrigido, tendo por base os pontos e retificações aqui aduzidas e que o mesmo seja, nos termos do n.º 2 do artigo 10º do Estatuto do Direito de Oposição, juntamente com as respostas, objeto de discussão pública na correspondente assembleia.

 Sem outro assunto, juntamos os nossos melhores cumprimentos.

 Stª Mª da Feira, 20 de Abril de 2012. Comissão Coordenadora da CDU / Stª Mª da Feira

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Assembleia de freguesia - 26 de Abril no sítio do costume!

Como por vezes há alguns interessados, mesmo quando a agenda não interessa muito...O Engenho informa:

Linha do Vale do Vouga - Que futuro?

In: Notícias de Paços de Brandão:

Para os céticos, eis o excerto do trabalho levado a cabo pelo jornalista Nelson Pais para o Notícias de Paços de Brandão sobre a linha do Vouga. E onde estão reproduzidas as afirmações do nosso estimado Mino, e das suas ideias sobre este assunto.

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A GUERRA PENINSULAR EM TERRAS DA FEIRA - I I

Por: Carlos Varela
A GUERRA PENINSULAR
A SEGUNDA INVASÃO FRANCESA
(Os Trágicos Acontecimentos Ocorridos em Terras da Feira)


O MASSACRE DA ARRIFANA



O dia 17 de Abril de 1809, foi a consequência do ódio que alastrava pelo Povo português, em relação às invasões napoleónicas, e, neste caso, àquelas que ocuparam o Porto em 29 de Março de 1809 (2ª. Invasão – SOULT).
Os franceses tinham na margem Sul do Rio Douro, até ao Vouga, diversos postos avançados. Quando o oficial Lameth, com um piquete de cavalaria se deslocava nas imediações de S. Tiago de Riba Ul, foi intercetado numa emboscada organizada por Bernardo António Soares Barbosa da Cunha, natural de Arrifana, acompanhado de mais alguns mancebos, todos eles voluntários e também naturais de Arrifana. Como resultado da emboscada, o oficial francês e dois soldados foram mortos e a retaliação por parte do exército napoleónico não se fez esperar.
No dia 17 de Abril de 1809, ao amanhecer, o exército francês, sob o comando do general Thomiers, cercou a freguesia da Arrifana e levou a cabo uma terrível carnificina, incendiando ainda muitos prédios. A maior parte da população procurou refúgio no interior da Igreja. No entanto os franceses obrigaram os homens válidos a saírem do templo, selecionando de seguida um em cada cinco, o que ficou conhecido pelos «quintados», que eram, de seguida, fuzilados. As vítimas eram empilhadas no local do massacre, outras tiveram o destino de serem dispersas pelos caminhos e penduradas de cabeça para baixo em várias árvores.
A relembrar este triste episódio, sendo que são conhecidos, pelo menos 62 mortos, no entanto os registos paroquiais apontam para setenta e um, mas poderá ter sido muito maior o número de vítimas, encontra-se no centro de Arrifana o “MONUMENTO DA GUERRA PENINSULAR” erigido em memória dos civis fuzila-dos naquele dia 17 de Abril de 1809.

C.D. Paços de Brandão - SORTEIO TAÇA PETIZES 2012

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quarta-feira, 18 de abril de 2012

In: Notícias de Paços de Brandão!

A propósito da última entrevista do nosso Mino ao Notícias de Paços de Brandão, temos a informar o seguinte:

terça-feira, 17 de abril de 2012

Ispab Futasal assegura subida à I Divisão Distrital

In: Correio da Feira


A primeira equipa do Ispab Futsal

Os dois primeiros classificados da 2.ª Divisão foram derrotados na 21.ª ronda, mas para o ISPAB Futsal, o fim-de-semana foi de festa, já que, com a derrota do Angeja frente ao CRECUS, carimbou, matematicamente, a subida de divisão. Ainda assim, o líder perdeu diante do ADREP, por 4-3, num jogo em que foi claramente superior. Ao intervalo, a equipa da casa vencia por 2-0. Na segunda parte, o ISPAB entrou a todo o gás, mas foi o ADREP a elevar para 4-0, a 15 minutos do fim. A partir daqui, e a jogar de 5 para 4, a equipa Ispabiana reduziu para 4-3, tendo ainda enviado três bolas aos postes. Já o Feirense, entrou a marcar um golo na própia baliza, conseguiu empatar mas saiu para o intervalo a perder (2-1). No segundo tempo, sofreu o terceiro, mas conseguiu empatar. Só que, a 10 segundos do fim, a CP Esgueira marcou o 4-3, de livre directo, poucos instantes depois do guardião Dani ter defendido um lance semelhante. A arbitragem foi muito contestada no final.


C. D. Paços de Brandao - TRAQUINAS B

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No Torneio da Páscoa, a equipa de TRAQUINAS B, venceram o 2º Torneio organizado pela U.D.Mouriquense.


C. D. Paços de Brandão - INICIADOS B

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A EQUIPA DE INICIADOS B (C.D.PAÇOS DE BRANDÃO), É O VIRTUAL CAMPEÃO DA SÉRIE B.  PARABÉNS A TODOS!


PCP - S. Paio de Oleiros Comemorações Populares do 25 de Abril

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O Grupo de Democratas de S. Paio de Oleiros, organizador das Comemorações Populares do 25 de Abril nesta Vila, solicita a vossa melhor atenção e divulgação para o programa anexo das referidas Comemorações.

A GUERRA PENINSULAR EM TERRAS DA FEIRA - I

Por: Carlos Varela
A GUERRA PENINSULAR
A SEGUNDA INVASÃO FRANCESA
(Os Trágicos Acontecimentos Ocorridos em Terras da Feira)



Em Março de 1809, o General Soult invade Portugal, pelo Norte do País, sendo esta a segunda invasão francesa, que tragicamente ficou assinalada pelo desastre da ponte das barcas no Rio Douro, entre o Porto e Vila Nova de Gaia, bem como o ocorrido em Terras da Feira, o massacre de Arrifana e o fuzilamento de sete portugueses pelos franceses no sítio conhecido por “PINHEIRO DAS SETE CRUZES” localizado entre o Picoto e a Vergada (Mozelos).
Tentar dar a conhecer o que se passou, principalmente nesta segunda invasão, bem como da situação em que se encontrava Portugal, são os meus propósitos, para que ao se ler a descrição do que acorreu em Terras da Feira, seja melhor percetível o seu enquadramento na história desta invasão comanda-da pelo General Soult e pela reação, principalmente do Povo Português, àqueles que nos tentavam subjugar.
A política externa do governo de D. Maria I, pode-se considerar como sendo completamente desastrosa. Se o Marquês de Pombal tinha conseguido uma atitude firme na questão da aliança portuguesa com a Inglaterra, já o governo de D. Maria, tivera uma atitude dúbia de compromissos com o nosso «eterno aliado», bem com a França e a Espanha. Tentou-se evitar a guerra e renunciou-se às pretensões portuguesas sobre o atual Uruguai, cedeu-se à Espanha as Ilhas de Fernão Pó e Ano Bom (no Golfo da Guiné). Se é certo que era bastante difícil a política externa portuguesa, uma vez que quase toda a Europa se encontrava em guerra com a França, mais complicado se tornou quando se procurou uma tríplice aliança com a Espanha e a Inglaterra contra a França revolucionária. O resultado foi os corsários franceses, principalmente a partir de 1793, atacarem os nossos navios e comboios navais, de que resultou elevado prejuízo. Bem se tentou neutralizar tal ação conjuntamente com forças espanholas, mas tal não resultou em qualquer vantagem para o nosso comércio marítimo.
Entre 1795-1797, mediante acordos secretos entre a Espanha e a França é combinada uma invasão e conquista de Portugal. Em 1801 a França e a Espanha confirmam a sua aliança e declaram-nos guerra. Em apenas três meses, conseguem derrotar, sistematicamente, o exército português no Alentejo. À pressa fez-se uma paz que nos obrigou a entregar a cidade de Olivença à Espanha e a suportar uma pesada indemnização e Portugal comprometia-se a fechar os seus portos aos navios de guerra ingleses.
Novamente a política externa portuguesa oscilou, entre as pressões inglesas e as francesas, e este estado de coisas manteve-se entre 1801 a 1807. Em 1806, Napoleão decreta o bloqueio continental, pelo qual nenhuma nação europeia podia ter relações comerciais ou de qualquer tipo com as Ilhas Britânicas.
Portugal, não se mostrando muito interessado em aceitar o bloqueio, originou que Napoleão, em Julho de 1807, enviasse uma nota diplomática em que ordenava o encerramento dos portos portugueses aos ingleses, a prisão de to-dos os cidadãos daquela nacionalidade que estivessem no País, bem como confiscarem os navios e bens britânicos e a quebra das relações diplomáticas com a Inglaterra.
Mediante a indecisão de Portugal tomar qualquer compromisso, e não as suas habituais manobras de apaziguamento, em Agosto de 1807, os enviados diplomáticos franceses e espanhóis apresentam um ultimato ao governo do príncipe - regente D. João (Portugal declarava guerra à Inglaterra até 1 de Setembro ou os exércitos franco-espanhóis invadiam o País).
Pelo tratado de Fontainebleau assinado em fins de Outubro pela França e Espanha, Portugal é dividido em três partes. Entre Douro – e- Minho, para o rei da Etrúria (Lusitânia Setentrional), o Alentejo e o Algarve (Principado dos Algarves) para a Espanha (cujo príncipe seria Godoy, primeiro ministro espanhol), a parte restante, Beiras e Estremadura seria para decidir, quando a paz voltasse. Estava preparada a invasão de Portugal pelos franceses e espanhóis, o que veio a acontecer em meados de Novembro, com Junot a comandar um poderoso exército (primeira invasão francesa).
Segundo nos diz Oliveira Martins (História de Portugal, pgs. 515 e 516): «Um rumor surdo de tempestade começava a ouvir-se: pressentia-se um segundo terramoto. Não podia ser tão medonho como o anterior, porque tudo baixara, tudo estava derreado pela podridão. Mas na inércia do nosso cemitério nacional, as notícias aterrando o português, fiel ao trono e ao altar, eram comentadas com os casos da França, onde o mundo acabava. A rainha, o rei e o melhor do reino tinham morrido no patíbulo; Robespierre fora o primeiro Anti-Cristo; e agora, sobre o seu cadáver, vinha à frente dos exércitos invencíveis o segundo, a derramar por todo o mundo o clamor do último dia.
Quem resistiria ao destino armado? Quem faria face a Napoleão, cuja corte atravessara a Espanha, e pisava já o solo português? Não seria o príncipe-regente, nem a rainha doida, nem as altas classes ensandecidas, nem o povo faminto, indiferentes, sebastianistas. À voz do verdadeiro Anti-Cristo português, que foi Junot, desabou tudo por terra? A nação, roída nos ossos pela térmita infatigável, o jesuíta, nem já era o esqueleto: era apenas o pó de um cadáver».
Face à invasão francesa, comandada por Junot, o governo português nem pensou em se opor, não houve qualquer tipo de resistência. A família real, o governo, e grande parte da nobreza, bem como funcionários régios, etc., embarcaram para o Brasil em fins de Novembro, com os invasores a entrarem em Lisboa, levavam tudo o que era de valor, preciosidades, livros, arquivos, dinheiro, tudo se deslocava para o Brasil. O Rio de Janeiro passou a ser a nova capital do reino, e, durante catorze anos, a metrópole não passou de uma sua colónia.
O exército de Junot, uns 50.000 soldados franceses e espanhóis, cometeram por toda a Nação, pilhagens, roubos, confiscaram o que lhes apeteceu, mataram e prenderam a seu bel - prazer.
Damião Peres, na sua Edição Monumental da História de Portugal, páginas 331 e seguinte, volume VI, diz-nos que: «A este tempo erguera-se no norte do País o primeiro grito de rebelião contra os franceses. No dia 6 de Junho, o general Bellesta prendera o general Quesnel, que governava o Porto em nome de Junot, e todos os franceses que houve em mãos. Em seguida convocou as autoridades civis e militares e os principais da cidade a quem incitou para recobrarem a sua independência, tendo sido aclamado o Príncipe Regente e hasteado o pavilhão nacional. Com a partida de Bellesta, porém, amorteceu o entusiasmo por se julgarem os rebeldes expostos à cólera dos franceses, decidindo-se a voltar à obediência, facto que se repetiu na cidade de Braga. A notícia dessa primeira tentativa correu célere e chegou a Trás-os-Montes onde o antigo governador das armas da província, Manuel Jorge Gomes de Sepúlveda, que residia em Bragança, fez aclamar o Príncipe Regente e chamou às fileiras os transmontanos organizando alguns regimentos de milicianos, e uma junta governativa que ele próprio presidiu, e entabuou relações com os generais espanhóis das províncias vizinhas. Em breve toda a província se manifestou solidária com o general Sepúlveda, organizando a sua defesa e vendo que a seguiam Viana, Guimarães, Caminha e o Porto, agora decidida heroicamente.
Foi a 18 de Junho que a população do Porto novamente se amotinou contra os franceses. Dois dias antes ainda, por ordem do irresoluto brigadeiro Luís de Oliveira da Costa, cuja ação nos acontecimentos do dia 6 tanto contribuíra para a pusilanimidade da população, os regimentos de milicianos deviam acorrer à procissão do Corpo de Deus com o pavilhão francês. A recusa por parte dos soldados acirrou mais a exaltação do povo, que à notícia de que se estavam carregando alguns carros de pão para abastecimento dos soldados franceses que se dirigiam à cidade, começou por se amotinar. Dentro em pouco encontrava o povo portuense quem o dirigisse naquele primeiro impulso, o capitão João Manuel de Mariz. Dirigiram-se então para o Campo de Santo Ovídio donde retiraram algumas peças de artilharia, aos vivas ao Príncipe Regente e desfraldando a bandeira portuguesa, encaminhando-se depois para a Ribeira, colocando aqui algumas peças para defender a ponte das barcas da passagem dos franceses, enquanto outros de modo igual procediam em Vila Nova de Gaia. Já então o primeiro partido dos insurretos aumentara extraordinariamente, por se lhe ter juntado grande parte da população, antigos oficiais e muitos soldados, que no dia imediato compareceram em frente do paço episcopal, indo o bispo, D. António José de Castro, com todos os insurretos à Sé, onde se deram graças pelo sucesso e se organizou uma Junta provisional do Supremo Governo do Reino. Além do bispo que presidia a essa junta, foram nomeados outros membros pela igreja, pelo povo, pela magistratura e pelo exército, sendo escolhido entre os representantes deste último o capitão João de Mariz.
Em breve algumas perseguições e violências contra indivíduos suspeitos de francesismo macularam o entusiasmo das primeiras horas. Por falta duma direção esclarecida e enérgica, a população passava por alternativas de desânimo e de impetuosidade, suspeitando-se atraiçoada ou presa das armas dos franceses. A intervenção da Junta, que proibiu as reuniões populares e deter-minou que só em caso de rebate se permitiria ajuntamentos, veio pôr um pouco de ordem na vida da cidade.
Quando soube da rebelião que se estendia pelo norte do País, Junot organizou o primeiro corpo de forças para a dominar. Só agora podia compreender com quanta clareza Napoleão previra na ocupação de Portugal uma fonte de dificuldades, contrariamente ao seu entusiasmo de ocupante sem resistência. O Imperador ao conhecer o seu relato, em Dezembro, dissera-lhe que se deixava embalar em vãs ilusões, querendo significar que a apatia dos portugueses escondia o fogo do seu entusiasmo patriótico».
A população ia-se revoltando, organizando em guerrilhas, conforme podia, contra o invasor. Em 1808, como atrás se disse, estabeleceu-se uma Junta Provisória no Norte do País, sobre o comando do Bispo do Porto, conforme se pode ler em “AS INVASÕES FRANCESAS EM CARTAS PASTORAIS DE BISPOS PORTUGUESES”, de Manuel Augusto Rodrigues (Separata da Revista de História de Ideias, vol.7-Faculdade de Letras-Coimbra 1985) pág.93: «O Bispo do Porto, D. Fr.António de S. José de Castro, desempenhou uma ação notável na oposição aos invasores franceses. Foi presidente de uma Junta formada em Junho de 1808 em nome do Príncipe Regente que se instalou no próprio paço. Dela faziam parte o Padre Manuel Lopes Loureiro, provisor do bispado, o Padre José Dias de Oliveira, vigário-geral, José de Melo Freire, desembargador juiz da coroa, Luís Sequeira da Gama Ayala, desembargador dos agravos, João Manuel de Mariz, capitão do exército, António da Silva Pinto, António Mateus Freire de Andrade a quem deu por ajudante D. Miguel Pereira Forjaz. A Junta tinha poderes nas províncias da Beira Alta, Minho e Trás-os-Montes. Foram tomadas medidas de diversa ordem para a organização militar da região, inclusivamente o lançamento de impostos.
A 28 de Março de 1809, ao aproximar-se o exército de Soult, este mandou ao Bispo três parlamentares, tendo dois deles sido logo assassinados pela multi-dão. O terceiro veio também a ser assassinado, pelo que o prelado, temendo qualquer ato de vingança dos franceses, abandonou a cidade juntamente com as demais autoridades. O exército invasor entrou no Porto no dia seguinte, 29 de Março».
A situação no Porto era por demais explosiva, conforme o que nos relata José Accursio das Neves, em “Observações Sobre os Recentes Acontecimentos das Províncias d’Entre Douro e Minho, e Trás-os-Montes “ (Lisboa 1809), «no Porto levantava-se a populaça a ditar as Leis aos Cidadãos honrados, pedia o sangue do primeiro Magistrado, contentando-se apenas com arrastá-lo às prisões, naquele mesmo tempo, em que abria as portas a um bando de facínoras, que levavam diante de si a confusão, e desordem. A desconfiança introduziu-se em todas as classes, abriu-se um vasto campo à intriga, e à calúnia, correu pelas ruas desta infeliz Cidade, o sangue dos nossos Concidadãos, assassinados uns às mãos dos outros, com o pretexto de falsidade, e traições, quando os únicos, ou os principais traidores eram os maquinistas de tantas atrocidades; viram-se em fim os horrores de uma terrível Anarquia. E passarão estes excessos por movimentos de puro patriotismo, sendo os resultados de um espírito de destruição! Como podia esperar-se a salvação da Pátria, quando se começava por princípios desorganizadores da sociedade?
O inimigo aproxima-se, e aproveitando-se destas convulsões intestinas, força as trincheiras, e apodera-se da Cidade do Porto, que com as suas quarenta baterias, os seus duzentos canhões, e muito Defensores, na verdade resolutos, e valentes, não pode resistir-lhe por tanto tempo, como lhe havia resistido o Povo de Braga em campo aberto, sem qualidade alguma de fortificações.
Tudo foi sacrificado; os culpados, e os inocentes foram arrastados à morte, ou ao cativeiro pela Mão sanguinolenta da Anarquia. Para cúmulo de desgraça não houve acordo de se cortar a tempo, e com ordem a ponte de barcos sobre o Douro; operação, que exigia poucos minutos, e que veio a efectuar-se tão extemporânea, e impropriamente, que só serviu de abrir um despenhadeiro, em que o infeliz do Povo, que fugia ao inimigo, veio achar a morte, procurando a vi-da. Entulhou-se de cadáveres, e sobre os cadáveres passou o inimigo a apoderar-se da margem esquerda do Douro, e de todas as fortificações adjacentes, para de ali inquietar a seu salvo a Beira Alta com as suas costumadas correrias. Que espantosa lição do poder da Anarquia! Só ela, e mais ninguém podia lançar esta mancha na Glória Nacional, e armar os desprezíveis braços – destes novos Sans-cullotes – tirados da lama das praças, e da imundice das cadeias do Porto, para fazerem o horroroso sacrifício de tantas vítimas inocentes, da segunda Cidade do Reino, e de mais de uma Província.»


Continua...

sexta-feira, 13 de abril de 2012

C. D. Paços de Brandão - Infantis A

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A equipa de INFANTIS A do C.D.Paços de Brandão, obteve a melhor classificação (6º Lugar) das equipas brandoenses presentes neste certame (II Cup Internacional, organizado pelo C.D. Feirense). As outras estiveram a representar o clube nos escalões (Infantis B; Benjamins A e Benjamins B).