terça-feira, 22 de junho de 2010

C. D. de Paços de Brandão - 10º Torneiro Internacional de Futebol

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Parques infantis - Uma questão de segurança para as crianças

Em Junho de 2009, ou seja, há 1 ano atrás, entrava em vigor O Decreto-Lei n.º 119/2009, de 19 de Maio, que complementando um outro de 1997, que tinha por objectivo principal, garantir a segurança das crianças nos espaços de jogo e recreio, estabelecendo regras e obrigações às entidades responsáveis pelos mesmos espaços quanto às condições de vigilância e de informação e em relação às condições físicas.
Ao abrigo deste diploma, entre outras coisas, passa a ser obrigatória "uma vedação ou outra barreira física" que delimite os parques infantis, com vista a reduzir o risco de acidentes.
Quando publicamos aqui uma denúncia de um leitor nosso, sobre as condições de segurança em que se encontrava o parque infantil de Mozelos, cumprimos aquilo que guia as linhas editoriais deste espaço na blogosfera, e que é a denúncia pública daquilo que no senso comum está mal!
Estranhamente, foram algumas as vozes que se insurgiram contra isto no Facebook do Engenho, vociferando os seus pontos de vista sob a forma de curiosos comentários. Nunca nos causaram incómodo tais opiniões diferentes. Porém, comentários como os deste post chocam! Seja pelo seu sectarismo, seja pela insensibilidade que denotam perante um tema visa a melhoria da segurança das crianças!
Como já dissemos no Facebook, pensamos que para algumas pessoas, na sua vida seja sempre melhor viver das aparências que das realidades. Talvez para essas mesmas pessoas não tenha qualquer importância cumprirem-se regras na sociedade, o que importa é parecer e não ser. Talvez o Engenho devesse baixar os olhos e ignorar que o rei vai nú. Porém, quando são os nossos leitores que nos fazem chegar as suas preocupações e essas estão carregadas de razão, não podemos ficar indiferentes. E, sobretudo, quando o que aqui está em jogo é "brincar" com a vida de crianças! O exercício de abanar a cabeça e dizer "amen", num acto quase ecuménico, sempre esteve na génese de uma determinada coloração cá do nosso Burgo, aquela mesma que não se incomoda de usar a coisa pública quase como sua!
O senso comum num estado de direito como o nosso, diz-nos que quando em Salvaterra, Lisboa, Faro, Porto, Vila Real, Santa Maria da Feira ou onde quer que seja neste país, que existam atropelos legais das autarquias, de qualquer espécie, devem sempre sem excepção ser denunciados às autoridades competentes! Num acto legítimo de exercício de cidadania, de modo a que se façam simplesmente cumprir as leis, que legitimamente os Governos e Assembleias democraticamente representativas de todos nós criaram!
Tudo o resto é demagogia barata e tonta de quem tenta talvez tapar algum sol com uma peneira já muito furada. Ou se calhar chutar a bola do incómodo para a frente, e assim aliviar alguma pressão na sua área de influência, pois pensamos que ninguém deva colocar nada acima da segurança de uma criança!

Festival de música de verão 2010 - Jazz na Quinta da Portela

No passado Sábado, dia 19, decorreu no âmbito do Festival Música de Paços de Brandão do Cirac, na Casa da Portela, um fabuloso concerto de Jazz, pelo Grupo “Combo de Jazz de CCR do Orfeão da Feira, sob um céu estrelado e com um público muito animado, ao qual o Engenho se juntou. Como especial destaque, tivemos José Américo Belinha, tocando clarinete, filho de conterrâneos nossos.
Foi muito agradável ouvir temas entre os anos 20-60, destacando Duque Elington, Louis Armstrong, Miles Brothers, entre outros, podendo salientar temas célebres como “Summer Time”. Como convidado especial, Rui Oliveira que interpretou alguns temas de vários músicos.
Esta Formação insere-se na primeira Escola de Jazz do Concelho da Feira, do Orfeão da Feira. Tem á volta de dois anos. Constituído José Américo Belinha, Inês Monteiro, José Monteiro e Pedro Quezada.


segunda-feira, 21 de junho de 2010

Campeonato do Mundo de Futebol - 7 é maior que 3 não é?

Quanto é que ficou o jogo do Brasil com a Costa do Marfim?
Venham eles!!!





Considerações sobre a história local - Paços de Brandão (XII)



IDADE MÉDIA – ATÉ AO SÉC. XIV – XV (TERRAS DE SANCTA MARIAE - 1)

A terra na qual Paços de Brandão está inserida, chamava-se antigamente de «Sancta Mariae», nome que teve toda esta parte, que começava na foz do Douro e se estendia até ao rio Vouga. Em artigos publicados no Instituto e referente ao Mosteiro de Grijó, feito por M. da C. Pereira Coutinho, encontrei a seguinte e interessante descrição, desta região:


«A terra, em que o mosteiro de Grijó teve a sua primeira fundação, e está hoje fundado, chama-se de Sancta Maria, nome que teve antigamente a terra, que começa desde a foz do Douro para estas partes, como declaram várias doações, que estão no arquivo deste mosteiro, e o tem ainda hoje a terra circunvizinha a ele, que chamamos da Feira; o seu principal castelo, o qual sabemos de escritura autêntica, que está no arquivo deste mosteiro, se chamava pelo anos de 1093, castelo de Sancta Maria, sendo neste mesmo ano, em três de Outubro, alcaide-mór dele Flacencio, e diz o catálogo dos bispos do Porto, 1ª p., cap. 1º, fl. 13 e 16, que chamava-se esta terra da invocação de Sancta Maria, fora, porque, quando os gascões entraram na cidade do Porto, depois de estar avassalada pelos mouros, e nela fizeram assento e se puseram a conquistar toda a terra da sua comarca, que então estava sujeita às armas maometanas, a toda a que rendiam punham o nome de Terra de Sancta Maria, querendo dizer nisto que ao favor da Virgem Maria, mãe de Deus, deviam suas armas as vitórias que alcançavam. Não reprovamos a razão, antes acrescentamos continuaria a terra da Feira com o nome de terra de Sancta Maria, por assim se chamar a sua cidade do Porto, dentro de cujo bispado este quase toda, a qual cidade se chama de Sancta Maria, e como diz a Monarchia Lusitana, liv. 9, c. 13, e o declara o título, que tem à porta de sua câmara que diz – Civitas Beatae Virginis – o qual tomou da sua igreja matriz, que sempre se chamou igreja de Sancta Maria, como achei em muitas doações, feitas ao mosteiro de Grijó, e juntamente o declara o livro dos óbitos do mesmo mosteiro, onde estão escritos muitos cónegos daquela sé, que deviam ser do tempo que ela era dos cónegos regulares dizendo: Obiit N. Caanonicua Sanctae Mariae do Porto; ao que parece aludiu el-rei D. Afonso III nas cortes que fez em Leiria, pelos anos de 1254, chamando à cidade do Porto villa da igreja; e ainda, se nos é lícito de uma coisas tirarmos outras, digo que já no ano de 848 se chamava esta terra de Sancta Maria, reinando em Portugal D. Ramiro I, o qual fazendo uma doação ao mosteiro de Lorvão, neste ano de 848 lhe dá nas rendas da terra de Sancta Maria, quinhentos soldos; são as palavras latinas: Ego pró meae redemptione animae meorumque parentum in terra do vobis, de Sancta Maria, quot annis sólidos quingentos. A qual doação traz a Monarchia Lusitana, liv.7, cap. 13. Pelo mesmo nome a nomeia João, abade de Lorvão, no ano de 850, como se pode ver na mesma Monarchia Lusitana, cap. 14.

E os gascões entraram no Porto pelos anos de 963, pouco mais ou menos, como diz a Monarchia Lusitana, liv. 7, cap. 23, reinando D. Ramiro III, que é muito tempo adiante, pelo que mais antigo é a terra da Feira chamar-se terra de Sancta Maria, que a entrada que no Porto fizeram os gascões. E assim entendo se chamava terra de Sancta Maria, de uma cidade, que dentro em si tinha, fundada no monte que hoje se chama Sagitella, tendo pela parte N. o caminho mourisco, que os mouros descobriram, e pela parte P. o mar o qual é vizinho a este mosteiro de Grijó; e para a parte S. as confrontações da cidade, que nele estava fundada, a qual cidade se chamava de Sancta Maria, como declaram várias doações que no arquivo deste mosteiro há. E que aqui estivesse esta cidade o declara a carta de venda feita a 15 da kalendas de Dezembro, era de 1124, que é a seis de Dezembro do ano de 1086, a qual, para declarar a terra vendida, diz - … in villa Nogueira de Ecclesiola ab integro subtus monte Sagitella discurrente fonts de frui Lacum, in subúrbio civitatis Sanctae Mariae. Se a igreja matriz do Porto deu nome à sua cidade, chamando-se cidade de Sancta Maria, por ser da mesma Senhora a sua igreja, também o chamar-se hoje principalmente terra de Sancta Maria à da Feira, pode ser seja em ordem às muitas casas de oração que dentro em si tem da invocação de Nossa Senhora, todas de muita romagem e veneração, entre as quais é a ermida de Nossa Senhora do Campo (a mais antiga de quantas há desde o Douro até ao Vouga); como é tradição em todos os moradores destas partes de que antigamente era a Senhora da Terra da Feira, sita dentro do isento deste mosteiro, afastado dele para o N. um quarto de légua, onde acham remédio para maleitas os fiéis cristãos, que daí levam com devoção uma pouca de terra: A Senhora das duas fontes que muito pouco dista do mesmo mosteiro para a banda do mar, e está dentro do mesmo isento da invocação de Nossa Senhora da Nascença, em cujo dia tem feira, e há grande concurso de gente: Nossa Senhora d’Alimieira, que está distante deste mosteiro, para o S. duas léguas e meia, onde há grande irmandade de clérigos e grande feira no seu dia: A Senhora d’entre ambas as águas, que está para a mesma parte três léguas, onde há grande romagem, e acham indulgência plenária os que no seu dia (que é o de Nossa Senhora da Nascença e oitava do Espírito Santo), desde as vésperas antecedentes a visitam contrictos e confessados: E Nossa Senhora das Areias (que tem assim o nome por ficar junto ao mar, entre as areias da Costa Branca), anexa a S. Cristóvão de Ovar. Com tudo chama-se esta terra, por uma ou por outra razão, TERRA DE SANCTA MARIA. Entre ela está situado o mosteiro de Grijó.
E para que nada falte por saber aos curiosos, chamava-se, no tempo dos romanos, esta terra da feira Lamgobrica, como adverte frei Luís dos Anjos, no jardim que compôs da mulheres virtuosas de Portugal, fl. 3 e 6, o qual nome lhe deu o principal povo, que em si tem, chamando-a Villa da Feira, que então se chamava Lamgobrica, como consta do itinerário que deixou o imperador Antonino, que servia de roteiro aos romanos para não errarem as terras, em o qual tinha posto as principais que então havia de Coimbra até Braga, que eram – Conimbriga, Emineum, Talabrica, Lamgobrica, Cale, Bracara, e são, como declara Vasconcelos, Coimbra, Águeda, Aveiro, Feira, Porto e Braga. E como esta Terra da Feira não ter mais circuito que dezoito léguas (como consta de uma sentença, que está no cartório do mosteiro), contudo tomando-a toda desde o Douro, começando em Vila Nova, tem oitenta e oito igrejas, sitas dentro do bispado do Porto, das quais vinte têm o SS. Sacramento e cinco mosteiros, aos quais estão anexas 104 ermidas, excepto a igreja de Rio Meão com as suas duas anexas S. Pedro de Macedo, e S. Martinho de Arada, que são Comenda de Malta. É fama constante e imemorial, fundada em muitas razões, que esta igreja de Rio Meão foi dos Templários; tem mais onze igrejas das quais dez pertencem ao bispado de Coimbra e uma ao de Viseu.
A terra que é somente precisa da Feira tem conde; cuja casa e paços principais é o Castelo da Vila da Feira, em que reside. Há mais nesta Comarca da Feira oito Comendas de Cristo, scilicet – Canedo com duas anexas; Lobão e Louredo; S. Miguel de Oliveira com sua anexa, Sanct’Iago de Riba Ul; S. Miguel de Souto; S. Vicente de Pereira com sua anexa, S. Martinho da Gandara; Santa Marinha de Mondoil, S. João do Loureiro e S. Mateus de Brunheiro; Sanct’Iago de Beduído com sua anexa de Santa Maria de Mortosa; S. Miguel de Arcuzelo com sua anexa; S. Paio de Oleiros, cujo padroado é deste mosteiro de Grijó; S. Pero Fins com sua anexa Santo Estêvão de Guetim (onde está uma relíquia do Santo Lenho); Santo André de Lever anexa da dos Medos, que está da outra banda do rio. Tem também esta terra dois morgados, a que chamam o morgado de Vilar do Paraíso, que come os frutos da igreja com título de capela, ficando obrigado a mandar dizer duas missas, e dar azeite para a lâmpada do Santíssimo que nela está, e apresenta o cura. O morgado de Fermedo, onde tem suas casas, e padroado da mesma igreja.
Além da jurisdição, que o conde da Feira tem na sua terra, há oito coutos particulares, que são o de Grijó, o de Pedroso, que hoje é do colégio da companhia de Coimbra; o de Avintes que é o de Sandim, das freiras de S. Bento do Porto; o de Cucujães, que é do mosteiro de S. Bento do mesmo nome; o de Crestuma, que é do bispo do Porto; os quais todos têm juízes particulares. Esta pois é a Terra de Sancta Maria, e comarca da Feira, dentro da qual está situado o mosteiro de Grijó.
O bispado dentro de cuja diocese está hoje este mosteiro é o da cidade do Porto. Verdade é que em tempo antigo era no de Coimbra, não porque estivesse fundado em diferente lugar do de hoje, senão porque nos primeiros tempos da expulsão dos mouros destas partes, chegava o bispado de Coimbra até ao Douro, ficando dentro da sua diocese toda a Terra da Feira; e o do Porto não passava o Douro


Contudo esta origem da circunscrição territorial denominada Terra de Santa Maria, merece alguns reparos por parte do Dr. Aguiar Cardoso, que em “Terra de Santa Maria – Civitas Sanctae Mariae”, nos diz:

«É estranho que seja, ainda hoje, controversa a localização da histórica, circunscrição territorial denominada Terra de Santa Maria, embora nos mais cotados autores não se lobrigue qualquer dúvida sobre este assunto.
Sim; tais autores atribuem sistematicamente a designação Terra de Santa Maria a uma circunscrição territorial sita, toda ela, ao sul do rio Douro, sem confusão alguma com o Porto, tendo por cabeça a civitas Sanctae Mariae que hoje é a Vila da Feira. Mas, não obstante, outros autores há que, desde muito e ainda hoje, insistem em afirmar que a Terra de Santa Maria era muito vasta, prolongando-se aquém e além Douro, englobando por aí acima Guimarães e mesmo Braga, dizendo-se cabeça dessa vastíssima circunscrição territorial a cidade do Porto que era – esses o dizem – a própria civitas Sanctae Mariae.
De um e outro lado, tudo o que se colhe são meras afirmações que aparecem no decurso de quaisquer relatos históricos, não tendo pensado ninguém, que nós o saibamos, em fazer a demonstração do que afirma, e laborando muitos na confusão destas duas designações – civitas Sanctae Mariae e civitas Virginis – que poderão parecer equivalentes, mas que o não são porque, embora uma e outra se refiram à mesma bem conhecida entidade religiosa, a verdade é que sempre se aplicaram a povoações diferentes
…»

domingo, 20 de junho de 2010

Fontanários de Paços de Brandão - Fonte de Infesta

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A FONTE DE INFESTA


Lá bem no fundo da Portela existiu uma fonte secular, que devido á frescura e pureza das suas águas era muito procurada pelas gentes locais; no mesmo local existia um Marco que servia de linha de fronteira com Rio meão e o povo construiu uma fonte de granito e fronte ladrilhada nas escadas. Essa mesma fonte existiu durante séculos até que mão humana resolveu destrui-la e apagada da existência … 
Mas como na História existe uma outra estória, homenageio a mesma por este meio e peço aqui, aos responsáveis, que façam todos os possíveis para a sua reabilitação. A estória assim começava:
“O monge arfava, denotando cansaço pela longa caminhada empreendida que o trazia desde Leça do Bailio, que até o seu burrico que lhe servira de transporte se recusava andar. O dia era de canícula de sol alto no pino do dia , factor que o levou a desnortear-se e perder o rumo ao que se propunha chegar, ao seja, á igreja de Rio Meão. Há bastante tempo que os seus irmãos monges o aguardavam para a ajuda na monda dos férteis campos da Abilheira, quais formigas diligentes, trabalhavam no Verão para benefícios das agruras do Inverno. O nosso monge já bastante inseguro quanto ao rumo que deveria seguir, começou a pensar em regressar a Grijó, pois sabendo dos perigos que correria se entrasse pelo mato agreste, pois a existência de bichos e de salteadores, era normal nesses tempos da Idade Media. Mas no silencio da tarde ouviu borbulhar por entre as giestas, o cucurrulhar de água e som etéreo duma cotovia, como que o convidando a embrenhar-se mata adentro. Qual o seu espanto, após ter sido cravado de espinhos encontra uma fonte de agua corrente, um ribeiro de aguas escorridas e um imenso campo pinado de trigo e de milho. Sofregamente, tanto ele como o dócil burrico bebericaram da mesma, agua até se fartarem e se molharam para espantarem o calor e os mosquitos… Seguindo o seu instinto para norte bem junto ás margens do ribeiro, encontrou passados alguns metros a igreja que tanto procurara e pensara nunca lá chegar. A tal fonte fora primeiramente encontrada pelos Celtas, que lhe deram o nome de Barreiras, mas mais tarde os Romanos, devido ao seu local infestado de mato, deu-lhe o nome de Infestium, ou seja, local infestado de ervas daninhas e espinhaços circundados por barreiras de flora alta. Aos poucos foram desbravando o local servindo-se das terras para cultivo e das aguas para regadio. Depois da fundação de Paços de Brandão, o nosso fundador serviu-se do local para o sementeiro, dividindo o mesmo com o seu irmão, Carlos, que lhe fora conferido a terra Riomeonense, que sendo celibatário, antes da sua morte, conferiu os seus direitos á ordem religiosa; somente na Idade Média, depois de muitas questiúnculas e disputas das ditas aguas, esta serviu de fronteira entre as duas freguesias, sendo depois no século XVII, como ponto comum os Marcos a separação e o ribeiro deixou de ter a importância que detinha. A dita fonte tornou-se em local de Romaria e muito procurada pelas gentes da região.

NB: Daqui envio um repto e em pergunta pertinente: para quando a reconstrução da fonte de Infesta, que foi promessa de quem a enterrou e alguém resolveu destruí-la?


 Fotos: (em cima ) - Fonte de infesta ; (em baixo) - Marco de Infesta

Bardo da Lira

sábado, 19 de junho de 2010

José Saramago - (16 de Novembro de 1922 — 18 de Junho de 2010)

Para quando uma Quinta assim com Austrálias, Pinheiros e um prado de fazer inveja?

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Saudações de amizade.
Há cerca de oito dias li mais um comentário sobre a nossa quinta, o assunto era sobre a intervenção na quinta, Fiscalização Ambiental.
È certo que não gosto de estar sempre a falar da Quinta do Engenho Novo. Eu estou de acordo que se tinha que fazer alguma intervenção. No entanto, não concordo com tudo o que se fez.
Mas o que me leva a fazer este comentário, é não partilhar da mesma opinião, do Sr. Júlio Augusto Silva quando diz que a quinta, digo área da rotunda está mais bonita, mais agradável. Com certeza não está habituado a fazer piqueniques e convívios na quinta. Na área da rotunda, faltam algumas árvores que davam sombra no inicio da tarde, sendo esse local o mais apetecível para os convívios, a falta da sombra obriga a entrar mais para o interior da mata. Os mirones vão estar mais atentos. Concordo que o mundo é feito de mudanças, mas também estou de acordo que a intervenção na quinta devia ser mais faseada e pecou por tardia.
Eu gosto da natureza e fico maravilhado quando vejo um local de lazer, limpo e asseado.
Para quando uma Quinta assim com Austrálias, Pinheiros e um prado de fazer inveja?

Avelino Almeida

S. Paio de Oleiros - Feira das colectividades 2010

Longe vão os tempos em que nos lugares, ou nos bairros, as pessoas se juntavam por ocasião dos santos populares e, ao seu jeito, faziam da ocasião festa, e da festa motivo de confraternização e com isso estreitavam os laços que unem o povo a uma terra.
Em S. Paio de Oleiros, foi um pouco envolto nessa nostalgia que o Engenho encontrou a Feira das Colectividades 2010!
Contagiando toda uma população, esta espécie de arraial dos santos populares, conseguiu mobilizar as pessoas para o objectivo comum, que é a angariação de fundos para as colectividades Oleirenses, onde até o próprio presidente de Junta participou activamente! Arregaçando realmente as mangas e colocando as mãos na obra, ajudou nas tarefas de preparação das tendas. Um exemplo interessante a seguir talvez pelos companheiros de outras terras!
Desde as tradicionais tasquinhas de comes e bebes e porco no espeto, passando pelas rifas e bazares de ocasião, numa espécie de mercado popular improvisado, por aqui pode-se encontrar de tudo um pouco! Pelo que desde já endereçamos o convite a todos que possam, que façam a sua visita a Oleiros neste fim de semana.
Paralelamente a este evento, comemoram-se além dos 100 anos da Tuna Grupo Musical de S. Paio de Oleiros, os 20 anos de elevação a Vila desta freguesia (Paços de Brandão, onde se assinala o 25º aniversário de Vila, ainda é desconhecido o que se irá fazer!).
Este sábado a noite fica ainda marcado pela actuação dos grupos musicais locais.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Rio Meão - Feira dos passarinhos

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Só fachada

Aos estimados leitores deste nosso espaço cibernético já não lhes passa despercebido o facto de Paços de Brandão ser terra de gente briosa e de esmero pelo bem público.
E porque a altura é também ela de festa, não passou despercebido aos olhos do Observatório do Engenho o facto de lá para os lados do nosso prezado Palatiolo a coisa andar animada.
Das limpezas passamos às lavagens e pinturas! Dá até gosto vê-los nesse frenesim às voltas com o embelezamento da fachada (coisa que por cá abunda!!!) e com a preparação do recinto que irá receber todos os convidados já no próximo dia 25 de Junho, tal como aqui tivemos a oportunidade de anunciar. Segundo podemos apurar, animação e diversão são coisas que não irão faltar, com a vantagem de a entrada ser de borla!
Não obstante, e apesar de todos os ilustres convivas se verem obrigados a ter de fazer uma primeira maratona de obstáculos e do “não acertem no paralelo” para lá chegar (note-se que tudo em nome das tradições que não se podem perder), é certo e sabido que, pelo menos, a recepção autárquica prevê-se que compense em larga escala todos esses esforços e intempéries.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Considerações sobre a história local - Paços de Brandão (XI)

IDADE MÉDIA – ATÉ AO SÉC. XIV–XV

D. AFONSO HENRIQUES (1109–1185)


A data do nascimento do nosso 1º Rei é mencionada por alguns historiadores como tendo acontecido em 1108, 1109, 1111, etc. Também o local do seu nascimento, é objecto de diversas opiniões, uns dizem que nasceu em Guimarães, outros em Coimbra, outros ainda, que nasceu em Viseu e existe quem afirme que foi em Cárquere (Resende) que veio à luz do dia o nosso 1º Rei. O certo é que foi Egas Moniz que o criou e foi um «aio», fiel e leal, durante toda a sua vida, ao que, o próprio D. Afonso Henriques não foi estranho, pois o agraciou, entre 1128 e 1146, com diversas honrarias, de entre as quais a de Resende. D. Afonso Henriques, morre a 6 de Dezembro de 1185 e está sepultado na Igreja de Santa Cruz de Coimbra.
Em 1125, o jovem Afonso Henriques arma-se a si próprio cavaleiro, na Igreja de São Salvador, em Zamora, segundo o costume dos reis. Casou em 1146 com Mafalda de Sabóia, filha de Amadeu III de Sabóia, e do matrimónio teve os seguintes filhos:
1 – D. Sancho I (n.1154 m.1211) – 2º Rei de Portugal, casou com Dulce de Barcelona.
2 – Henrique.
3 – Sancha.
4 – Urraca, casada com Fernando de Leão.
5 – Mafalda, casada com Afonso, rei de Aragão.
6 – Teresa, casada com conde de Flandres.
Bastardos:
1 – Pedro (Grão-Mestre de Rodes)
2 – Fernando Afonso (Tenente General do Reino)
Em 1128 (24 de Junho de 1128), trava-se a batalha de S. Mamede (Guimarães), entre os partidários de D. Teresa e do Infante D. Afonso Henriques.

A BATALHA DE S. MAMEDE
Era de 1166 (1128) – D. Teresa, viúva e sucessora de D. Henrique, publicamente amancebada com o conde galego Fernando Peres, deu com os seus escândalos pretexto para uma revolta, pondo em risco a conservação dos vastos domínios herdados de D. Henrique, seu marido. É claro que os motivos eram outros. Os infortúnios da Regina de Portugal, principalmente o de 1127, em que perdeu o domínio dos territórios de Campos e da Galiza, para o seu sobrinho leonês, com reconhecimento e vassalagem prestada, acabou por decidir a sublevação dos barões, que encontraram motivo suficiente para se erguerem contra D. Teresa.
O Infante Afonso Henriques, de curta idade ainda, ou capitaneava ou era pendão apenas, da revolta, que tinha por chefes: os senhores da Maia, filhos de Soeiro Mendes «o Bom»; os de Riba-Douro, Egas Moniz e seus irmãos; os de Marnel, Fernando Gonçalves e seu filho Mendo; os de Sousa, Gonçalo e Soeiro; os filhos de Paio Guterres da Silva; os de Bragança; o arcebispo de Braga, D. Paio Soeiro Mendes; dois castelos, o de Neiva e o da Feira; contribuíram para o êxito do jovem príncipe, que vence e expulsa D. Teresa em 1128 e conduz, com mão firme, uma guerra em duas frentes, consolidando a autonomia de Portugal a Norte, e, alargando para sul os limites do território, com as conquistas de terras aos muçulmanos.

O Mosteiro de Santa Maria de Cárquere
O Mosteiro de Santa Maria de Cárquere era masculino e pertencia aos Cónegos Regulares de Santo Agostinho. A data da sua fundação permanece incerta, contudo em 1099, a igreja terá sido reconstruída. Estava sob a dependência do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. Em 1146, morreu Egas Moniz de Ribadouro, deixando ao Mosteiro significativo legado em testamento.
A remota origem do Mosteiro de Santa Maria de Cárquere propícia especulações quanto à sua edificação: na época período suevo-visigótica (séc. VI-VII); durante a reconquista cristã aos mouros (séc. IX-XI); se a fundação, ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, em 1131.
A lenda associa o Mosteiro de Santa Maria de Cárquere à cura do infante D. Afonso Henriques, futuro rei de Portugal. O Conde D. Henrique seria o responsável pela sua construção em agradecimento a Nossa Senhora de Cárquere, pela cura realizada nas pernas de D. Afonso Henriques. Milagre que, segundo alguns historiadores, foi um meio de encobrir a verdadeira filiação de D. Afonso Henriques.

QUANDO COMEÇOU D. AFONSO HENRIQUES A INTITULAR-SE REI?
O estudo da Idade Média, no que diz respeito ao nosso país, é provido de um grau de dificuldade muito elevado, o poder e a administração dos grandes senhores (reis, nobres, etc.), associam-se a determinadas instituições (eclesiásticas, etc.) ou privadas, a quem os monarcas faziam doações; faltando, em muitos casos, documentos fiáveis, para suporte de um estudo sério. O domínio da escrita e da cultura era atributo de poucos, era a Igreja, o seu maior detentor, é ela que nos dá a conhecer o maior número de documentos desta época «arquivos eclesiásticos».
Não é de estranhar, que em época anterior à fundação da nacionalidade, já existissem muitos arquivos eclesiásticos, uma vez que já estavam implantadas diversas instituições religiosas, antes do Condado Portucalense, em 1143. Muitos destes documentos, deram entrada, principalmente no século XIX, no Arquivo da Torre do Tombo. Contudo, a sua preservação, arquivação, as intempéries, e outras causas (desde incêndios até à sua destruição, pelos meios mais diversos), levou a desagregações irreparáveis e misturas indevidas, de documentação de distintas proveniências. Documentos há que nunca foram objecto de estudo e muito menos de divulgação da sua existência. Acontece que, por vezes, um ou outro investigador, recolhe neles, dados para os seus trabalhos, mas não têm ampla publicitação.
O acaso, como diz o Dr. Paulo Merêa, é, por vezes, um excelente amigo dos investigadores, um trabalho, «Quando Começou D. Afonso Henriques a Intitular-se Rei ?», que este ilustre historiador publicou, é bem prova do que atrás disse. Foi publicado, primeiro na revista «O Direito», depois na «Revista de Estudos Históricos», como se segue:

I
«O acaso, excelente amigo dos investigadores, deparou-me recentemente, um diploma inédito do Arquivo Nacional, uma particularidade interessante sobre o uso do título de rei pelo nosso primeiro monarca. Quando começou D. Afonso Henriques a usar nos seus diplomas o título de «rei» (rex)? É geralmente sabido que não principiou a usá-lo apenas tomou conta do governo: pelo contrário, nos primeiros anos, e ainda depois da morte da mãe, intitulou-se apenas «infante» (infans), como filho da rainha D. Teresa, e às vezes príncipe, palavra de significado vago aplicada genericamente aos indivíduos que governam algum território e que já fora usada por seu pai D. Henrique. Os dois mestres da história portuguesa antes de Herculano, António Caetano do Amaral e João Pedro Ribeiro, declaravam não conhecer nenhum documento anterior a 1140 no qual D. Afonso Henriques usasse o título de rei, e igual declaração fez Alexandre Herculano, para quem o diploma mais antigo nestas condições é uma doação de 10 de Abril desse ano que se encontra na célebre LIBER FIDEI. Note-se, porém, que não aparecia (nem aparece) nenhum documento de D. Afonso posterior a Abril de 1139 e anterior à referida doação, lacuna que Herculano explica pelo estado constante de luta, primeiro com os mouros, depois com o Imperador. Nestas condições, cumpre reconhecer que a diplomática, se não fornecia um argumento demonstrativo à tradição segundo a qual D. Afonso fora aclamado rei por ocasião da batalha de Ourique, também a não contrariava, antes de certo modo a favorecia. Isso mesmo viu Herculano, e como na sua História arredasse de vez a lenda da aclamação de Ourique, procurou relacionar com outro facto de armas – o recontro de Vai de Vez -, o facto de ter D. Afonso Henriques passado a usar o título de rei. Este «facto gravíssimo» representaria, na bem arquitectada dedução de Herculano, uma reacção contra o tratado de Tui de 1131, em que D. Afonso se vira forçado a intitular-se infante, renunciando ao título de príncipe que já anteriormente usara. Toda a sua argumentação se estriba na circunstância já assinalada de se não conhecerem documentos régios dos últimos cinco meses de 1039. Por isso ele declara expressamente que um diploma original desse período no qual D. Afonso Henriques se denominasse rei destituiria a sua hipótese. E acrescenta: «As diligências que temos feito para encontrar foram baldadas; outros serão porventura mais felizes». Ninguém depois de Herculano encontrou nenhum diploma nessas condições. Por isso, e pelo prestígio do grande Mestre, a sua opinião passou quase em julgado.

II
Não foi «um diploma original dos últimos cinco meses de 1139» que eu encontrei. Confirmou-se-me até, nas pesquisas a que tenho procedido, a falta absoluta de documentos originais de D. Afonso Henriques desde Julho de 1139 a Abril de 1140. Veio, porém, ao encontro da minha curiosidade uma espécie não menos curiosa: um pergaminho arquivado na Torre do Tombo, com data anterior à batalha de Ourique, no qual D. Afonso já se intitula rei. Proveniente de S. Cruz de Coimbra, tem a seguinte colocação: Colecção Especial, caixa nº 35 da 2ª Série, maço 4º, e encontra-se reproduzido, com ligeiras variantes de ortografia, no chamado Livro Santo, a fl. 28 e 26 v. Esta parte da Colecção Especial, «na qual se encontram os pergaminhos vindos de diversos mosteiros da Beira e Minho, recolhidos por Herculano e outros» (Azevedo e; Baião, O Arquivo da Torre do tombo, pág. 30), é das colecções do arquivo menos consultadas. O seu conteúdo acha-se publicado até ao ano de 1100 nos DIPLOMATA ET CHARTAE, mas os documentos posteriores são pouco conhecidos, e provavelmente o próprio Herculano, se os percorreu, foi muito superficialmente. O documento a que me refiro é uma doação régia (carta testamenti et ftrmitudinis) feita em Março de 1139 (mense martio era M.C.LXX.VII), portanto cerca de quatro meses antes de Ourique. D. Afonso Henriques intitula-se por duas vezes, no princípio e no fim, «portugalensium rex». É, indubitavelmente, um pergaminho do século XII e a sua autenticidade resiste, creio, ao mais escrupuloso exame diplomático. Dada a falta de documentos durante o extenso período a que acima aludi, não é de estranhar que só passado mais de um ano volta a aparecer um diploma em que D. Afonso Henriques adopte o título de rex. Tão pouco deve estranhar-se que, usando nesta data do título de rei, D. Afonso torne ainda a intitular-se princepes e infans. Também já, depois de por várias vezes se denominar rei em diplomas, correntemente aceites por bons, o nosso primeiro monarca usa apenas o título de príncipe numa doação de 1141». (Dr. Paulo Merêa)

CRONOLOGIA
1130 – 1137 – Guerras com Leão; invasão da Galiza, 1130, 1135 e 1137; fixação definitiva das fronteiras do norte (Minho) e leste, além-Douro. Pazes de Tui.
1139 – Batalha de Ourique (Julho),
1140 – Quarta invasão da Galiza; torneio ou bufúrdio e tréguas de Valdevez. Afonso Henriques toma o título de Rei.
1143 – Pazes e contrato de Zamora; reconhecimento da independência pelo Imperador de Espanha; suserania do Papa.
1147 – Conquista da linha do Tejo: Santarém (Março), Lisboa, Sintra, Palmela, Almada (Outubro e Novembro).
1151 – 7 – 8 – Três investidas contra Alcácer do Sal, afinal tomada.
1160 – Conferência de Cela – nova; tratado de limites entre Leão e Portugal, nas ulteriores conquistas aos sarracenos; fronteira do Guadiana.
1161 – Invasão sarracena: perda de Alcácer do Sal e das conquistas Além-Tejo.
1162 – Surpresa e tomada de Beja.
1165 – Idem, tomada de Évora, Moura, Serpa, Alcouchel, Cáceres, Truxilho (1166).
1166 – Derrota do infante Sancho em Arganal, pelos leoneses; última guerra de Leão; invasão frustada da Galiza.
1169 – Ataque de Badajoz, e derrota dos portugueses.
1171 – Segunda invasão sarracena; primeiro cerco de Santarém, socorro de Fernando II.
1179 – 82 – Invasões sucessivas dos sarracenos, que dominam em todo o Alentejo.
1184 – Segundo cerco de Santarém, frustado e retirada dos muçulmanos.
1185 – Morte de Afonso Henriques, sucessão de Sancho I.
1189 – Irrupção dos almorávides, rechaçada; expedição ao Algarve, tomada de Alvor e Silves (Setembro).
1191 – Invasão sarracena; perda de Silves ou de todo o Alentejo.
1195 – 1200 – Guerras de Leão.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Assembleia de Freguesia dia 25 de Junho

Encontra-se afixado no Edital da Junta de Freguesia (aquela coisa com vidros na curva onde o Mino estaciona o Mercedes, e quase ninguém conhece!), informação relativa à próxima assembleia de freguesia, e que diz entre outras coisas, que a data da sua realização, está agendada para dia 25 de Junho depois da hora do café, isto é: pelas 21:30h.
Como habitualmente, esta informação ficou confinada a um determinado grupo dos do costume, pelo que ao comum Brandoense continuará a passar-lhe ao lado a ocasião, e em tempos de futebol todos os dias na tv, ainda menos!
No Engenho, como sempre, tentamos trazer esta informação aos nossos prezados leitores com a celeridade possível, de modo a que não só eles, mas também toda a população interessada, possa participar desta reunião... que ultimamente costuma a ser divertida!

A escultora ceramista Sofia Beça na Quinta do Engenho Novo

Foi na manhã quente e solarenga de um feriado primaveril, no passado dia 3 de Junho, que a Escultora e Ceramista Portuense Sofia Beça, escolheu para fotografar para uma exposição em Valladolid, mais um dos seus trabalhos. Inspirado naquilo que é a sua visão artística da floresta portuguesa, moldada em grés, e onde implicitamente pretende alertar a consciência ambiental e ecológica de cada um de nós, para o mal que representa para a sociedade a contínua destruição da nossa floresta, quer por acção dos incêndios, quer pelos abates indiscriminados de árvores.
Depois de em Abril passado ter feito a descoberta e o reconhecimento do cenário escolhido, e mesmo quando chegou a ser posto em dúvida, com o desbaste nas árvores ocorrido da parte de cima da Quinta, este acabou sempre por ser o local eleito, conforme confidenciou Sofia Beça ao Engenho, numa conversa agradável em jeito de entrevista. Ainda de acordo com as suas palavras, este cenário proporcionado pelas árvores e pelas suas sombras oferecido pela Quinta na zona que escolheu, era em termos de espaço, paisagem e luz quase perfeito para os objectivos traçados para esta sessão fotográfica. Ficou, por isso, aberta a possibilidade de regresso num futuro próximo, isto se estas condições paisagísticas se mantiverem inalteradas claro está!
De registar, ainda, que apesar da descrição que esta sessão fotográfica tentou manter, algumas figuras de freguesia, nomeadamente o nosso querido Mino, não lhe passaram ao lado! E de dentro do seu bólide, fez questão de acompanhar toda a sessão! Isto revela um interesse desconhecido pela arte do nosso presidente, ou então, talvez represente apenas algum incómodo sentido pelo uso de um espaço público sem o seu conhecimento... ou melhor, consentimento!

Fontanários de Paços de Brandão - Fonte de Penas

Enviado por e-mail:

A FONTE DE PENAS

Fonte existente perto do lugar da Mata, nos terrenos da antiga fabrica ainda em laboração de Lino Carvalho, sofreu durante as últimas décadas várias transformações, deslocações até ficar com água corrente na actualidade e longe do local primitivo; das antigas fontes resta a pia e sofreu obras de melhoramento que a tornou na actualidade numa das fontes mais bonitas do concelho, a merecer uma visita dos habitantes locais. Proveniente do ancião arcaico da nossa língua, julga-se ter sido construída durante o domínio celta na região, tem como proveniência dalgum talude em forma de rocha, rochedo, não se sabe ao certo do porquê do nome, mas já existia na Idade Média, em 1258, como Arriba de Penas, talvez por existência dum ribeirito corrente em que existisse alguma presa ou quedas de água, daí o nome.

Bardo da Lira

terça-feira, 15 de junho de 2010

A Minha Opinião



Muitos comentários têm sido efectuados, ultimamente, a artigos que têm sido publicados no nosso “Engenho”, muitos deles depreciativos, caluniosos até, e que pretendem fazer passar uma mensagem que não se enquadra, em nada, do que tem sido, até ao momento, a actuação e a disposição de publicar artigos ou simples comentários, neste Blog, por parte dos seus administradores.

Com efeito, a visão de um cidadão normal, é cerca de 180º. No entanto, para uns certos e determinados «senhores» cá do burgo, o seu grau está bastante diminuído, só devem ter aí um máximo de 45º, além de serem daltónicos, pois apenas conhecem uma cor. Como já se está a transformar numa doença crónica, qualquer dia terão de recorrer a qualquer médico, do foro psicológico, para serem tratados e usufruírem da qualidade de vida de um cidadão normal.

O Homem tem faculdades às quais não pode e nem devia fugir; uma delas é a clareza do diálogo, que deverá exigir uma certa compreensibilidade, uma certa transmissão de pensamento. É que claro que não é de fora das questões, que se atinge a verdade e um verdadeiro diálogo. É necessário uma certa identificação com aquilo de que vamos tratar, para se fazer passar a mensagem. O clima do diálogo é a amizade, é a compreensão, é um serviço que se está a prestar e que qualquer cidadão, sejam os mais «pequenos» ou os «maiores», têm o direito e a obrigação de nele participar.

Ninguém é estranho, ninguém é indiferente ao que nos rodeia. Ninguém, se não o quer ser, é inimigo de si próprio. Temos em comum a VIDA, com tudo o que de bom ou de mau ela nos possa dar. Temos a obrigação de viver em PAZ e HARMONIA, mas não nos poderemos esquecer e alhear dos problemas inerentes à sociedade em que estamos inseridos. Há valores ideológicos, religiosos, humanos, que temos que respeitar, mas também temos a obrigação de os fazer respeitar. Não podemos, é fazer de conta que não se vê, não se ouve, aquilo que certas e determinadas pessoas dizem ou fazem, só porque se julgam estar acima dos outros cidadãos e, muitas vezes, exercem pressões religiosas, políticas, etc., só com o objectivo de esconderem factos que se apresentam reais face ao cidadão normal (àquele que tem um grau de visão de 180º).

O cidadão normal, deve ter liberdade de acção, quer seja política ou religiosa, deve poder expressar-se livremente, em Paz e Harmonia, sem estar sujeito a qualquer tipo de coacção. A verdade não deve ser atenuada ou diminuída, deve ser encarada frontalmente e acompanhada de um diálogo franco, fraterno e verdadeiro. Não podemos dizer que uma coisa é amarela quando é preta. Para os bons entendedores julgo que estas palavras bastam, para os outros, só lhes resta tratarem-se e viverem como cidadãos normais!...

domingo, 13 de junho de 2010

Considerações sobre a história local - Paços de Brandão (X)

IDADE MÉDIA – ATÉ AO SÉC. XIV – XV

Formação da Nacionalidade - HENRIQUE DE BORGONHA – CONDE PORTUCALE (1066 – Astorga, 24 de Abril de 112)

Foi Conde de Portucale desde 1093 até à sua morte em 1112. Filho de Henrique de Borgonha, herdeiro de Roberto I, Duque de Borgonha e de Beatriz ou Sibila de Barcelona. Era irmão de Eudes I. Como era um filho mais novo, com poucas possibilidades de alcançar a herança do trono, aderiu à conquista da Península Ibérica aos Mouros. Ajudou o Rei Afonso VI de Castela e Leão, nas suas lutas contra a moirama, e, como recompensa, pelos serviços prestados, teve como casamento, Dona Teresa (1093), filha de Afonso VI e a governação do Condado Portucalense, à època dependente do reino da Galiza (1096).
A Afonso VI, ficou o Conde D. Henrique, ligado por laços de vassalagem, ser fiel, leal e prestar a este ajuda e conselhos, quando necessário, foram dotes que o Conde prestou, pelo menos até à morte de Afonso em 1109. Confirmar diplomas imperiais, era portanto chamado às cúrias, para tal, ajudou o sogro em campanhas militares, era frequentador assíduo da corte de Afonso VI. Comportava-se como um autêntico senhor feudal.
Quando Afonso VI, já perto do fim da sua vida, pretendia transmitir a coroa ao seu único filho, Sancho, fruto ilegítimo da sua ligação com Zaira, filha do último rei muçulmano de Sevilha, Al – Mu `tamid e com o alarme que tal causou a Raimundo e a Urraca, que buscaram todo o apoio que puderam para manter os seus direitos, lá está Henrique a assinar um pacto com o seu primo (1105), nos termos do qual, se compromete a apoiar as pretensões de Raimundo, como herdeiro ao trono, em troca do governo hereditário de Toledo e do seu antigo reino de Taifa ou no caso da impossibilidade de lhe entregar este território, seria a Galiza a entrar na sua posse.
Henrique e Raimundo, pouco tempo tiveram para consolidar o pacto assinado. Em 1107, morre Raimundo; Sancho foi morto em 1108 e Afonso VI veio a falecer em 1109.
Urraca herdou a coroa e em 1109 casou com Afonso I de Aragão, dando origem a uma guerra civil, que iria durar até à sua morte, em 1126. Nobres aragoneses, leoneses, castelhanos e galegos, lutaram entre si durante anos a fio. A tenência da Galiza pertencia a Urraca e a seu filho Afonso Raimundes; como existia uma cláusula em que, se Urraca casasse, o governo passava para o seu filho; quando esta casou, pela segunda vez, Afonso Raimundes, neto de Afonso VI, ainda era uma criança, mas os nobres galegos exigiram que fosse, sem demora, respeitada a cláusula testamentária do imperador.
O Conde D. Henrique, muito habilmente, não se comprometeu com qualquer dos partidos, mantendo completa liberdade de acção, para negociar com o lado que lhe desse mais probabilidades de obter a independência do seu Condado Portucalense. De 1109 até à sua morte (?), em 1112 ou 1114, deixou de cumprir os deveres feudais, embora sem se revoltar abertamente. Foi este o espírito de governação que D. Teresa herdou de seu marido e que, como já vimos, conseguiu manter uma relativa independência. D. Henrique de Borgonha e D. Teresa, tiveram os seguintes filhos:
- D. Afonso Henriques (Rei de Portugal), nasceu em 1109, morreu em 1185, foi casado com Mafalda de Sabóia;
- Urraca, casada com o conde de Trastamara;
- Sancha, casada com senhor de Bragança;
- Existe ainda outro descendente, Pedro (bastardo) – 1º Grão-Mestre de Aviz.
O Conde D. Henrique outorgou a Guimarães o seu primeiro foral (documento sem data, mas seguramente anterior a 1096). Trata-se de um importante documento, nomeadamente pelo carácter pioneiro das preocupações com o fomento das actividades comerciais presentes no texto. Foi este foral confirmado por D. Afonso Henriques em 27 de Abril de 1128 e por D. Afonso II, na segunda metade do ano de 1217. O original deste documento encontra-se no Arquivo Nacional da Torre do Tombo.


CRONOLOGIA

1097 – Criação do Condado de Portugal, em favor de Henrique de Borgonha, conde hereditário, casado com Teresa, filha bastarda de Afonso VI de Leão.
1109 – Morte de Afonso VI; partilha de Leão; alargamento do condado para leste e norte.
1114 – Morte do Conde D. Henrique. Começa o governo de D. Teresa, com os títulos de infanta, condessa e rainha de Portugal.
1127 – Invasão leonesa, e perda da Galiza e da Terra de Campos, fronteira de 1109.
1128 – Revolta dos barões portugueses contra D. Teresa; batalha de S. Mamede (Guimarães); exílio da rainha e começo do governo de Afonso Henriques.

sábado, 12 de junho de 2010

Intervenção na Quinta do Engenho alvo de fiscalização ambiental!

Na sequência de um desbaste sem precedentes efectuado na Quinta do Engenho Novo, que demos amplamente conhecimento aqui no blog em vários artigos publicados, resultaram algumas queixas às autoridades ambientais competentes em 29 de Março passado. Estas, por sua vez, deram origem a fiscalizações por parte do Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR, que verificou então apenas o abate de algumas austrálias (acácias), e que este procedimento estaria a ser realizado pela Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, com o único objectivo de limpar as árvores que apresentavam risco de queda. Isto é a conclusão do relatório da ocorrência, ao qual tivemos acesso e que partilhamos aqui com os nossos leitores.
Como se pode entender facilmente, o que foi dito e mostrado às autoridades, não é aquilo que se verificava no terreno, (nem mesmo agora). Pelo que esta fiscalização não foi mais que um "faith diver" que, apesar da intervenção, seria sempre inócuo, pois compete a aplicação de coimas à própria autarquia, e não estamos a ver aqui tiros nos próprios pés... mas adiante!
Não queremos no Engenho julgar ou avaliar de modo algum este tipo de comportamentos, até porque já nada traz de volta os pinheiros centenários que foram derrubados, nem tão pouco a sombra que outrora abundava na zona de intervenção. Agora só nos resta mesmo esperar 20 ou 30 anos talvez para a voltar a ter!
Ficamos, no entanto, a saber quem é realmente responsável pelo desbaste, e sabemos com isso que existe um projecto a implementar. Por esta razão o que importa agora mesmo é olhar para o futuro, e saber o que se vai ali fazer, e que acima de tudo se faça efectivamente aquilo que se diz lá irem fazer!
Porém, era importante retirar daqui algumas lições e zelar para que não se repitam certos maus hábitos instalados, que passam sobretudo pela teimosia de querer fazer tudo sempre no obscurantismo, e não se promoverem acções públicas de esclarecimento sobre o que se faz nesta terra!
Talvez se fosse feita a auscultação mais vezes das opiniões das populações, certos assuntos não tomassem as proporções que tomaram! Por mais meritórios que possam ser muitas vezes as intenções dos projectos apresentados, cabe sempre ao povo uma palavra! Que mais não seja saber a sua opinião, mesmo sem que isso traga modificações dos ententos do executivo!
Isto revelaria inteligência e acima de tudo espírito de democracia, pois são sempre as pessoas aquelas que vão sofrer para o melhor, e para o pior, o impacto directo das acções que se venham a tomar. Não podemos nunca esquecer que uma freguesia é uma comunidade onde as ideias são plurais e que todas são importantes! Sob pena de mais não sermos que um rebanho cego que apenas abana com a cabeça ao assobio do seu pastor!

Considerações sobre a história local - Paços de Brandão (IX)

IDADE MÉDIA – ATÉ AO SÉC. XIV – XV

Formação da Nacionalidade (A PRESÚRIA DE PORTUGALE EM 868)

Segundo o Prof. Dr. Torquato de Sousa Soares, houve quatro acontecimentos da segunda metade do século IX, que foram os primeiros marcos da historiografia portuguesa.
1 – Morte do Rei Ordonho I e a ascensão de Afonso III ao trono, no dia de Pentecostes da era de 904 (26 de Maio de 866);
2 – A Presúria de Portugale (Porto) por Vimares Peres (868);
3 – Vinda do Rei D. Afonso, na era de 911 (873), a Vama, onde passados seis dias, morria Vímara;
4 – Presúria de Coimbra, por Ermegildo (Hermenegildo Guterres) na era de 916 (878).
PRESÚRIA – Era a apropriação de terrenos abandonados pelos seus donos, com o consentimento do soberano, neles se encontram, por vezes, os gados, os servos e tudo o que dizia respeito à lavoura. Os novos senhores, normalmente, introduziam na toponímia, profundas alterações, impondo os seus nomes (muitos de origem germânica) às «villas» de que se apossavam. É vulgar, na Galiza e no Norte de Portugal, encontrarem-se nomes de presúrias, diminuindo progressivamente até ao Mondego (Presúria de Coimbra).
As primeiras presúrias (Portugale, Coimbra) privilegiaram a ocupação de pontos estratégicos, com construções de fortalezas, onde se fixam os delegados dos reis – leoneses e, para garantirem a segurança necessária à fixação de população, e à sua defesa, mediante as incursões que os muçulmanos faziam aos territórios a Norte do Mondego.
Com a PRESÚRIA PORTUGALE, por Vímara Peres, assitiu-se ao repovoamento da região, graças ao impulso que irradiava da cidade de Portugale (Porto). Em 872-873, Vímara Peres, governa Braga. Estava pois ultrapassado, o antigo território de Portugal, incorporando-se, naquela data, Braga. Era um território, que em 871, já era bastante distinto do da Galiza.
A recolonização deste território no séc. IX foi, sobretudo, efectuada por gente Galega, não nos podemos esquecer também daqueles núcleos populacionais, que se mantiveram, nos seus domínios, através da invasão sarracena. Bom exemplo disso é o caso da «civitas Anegia», cujo território, um corredor natural, de orientação NW-SE, delimitado a Leste pelo Marão (mons Maraonis) e Montemuro (mons Muro), a Sul pelo maciço da Freita (mons Fuste), e a Oeste pela cumeada a que hoje a toponímia não confere qualquer unidade, mas a que os medievais chamavam, na margem Sul, Sena Sicca (cumeada com altitude, máxima entre 400 e os 600 m. e que culmina, na margem sul do Douro, no alto de São Domingos).
Esta cumeada, é uma última linha natural a isolar Portugal do interior e a defender o litoral de possíveis ataques vindos de Leste. Ela delimita e separa, naturalmente, a zona granítica – fértil e densamente povoada – da mancha xistosa e também carbonífera – pouco produtiva e deserta de gente. Delimitava os territórios de Anegia e Portucale (na margem Norte) e também Anegia e Sancta Maria (na margem Sul), e devia ser intensamente fortificada na Alta Idade Média.

CRONOLOGIA

868 (906) - Presúria de Portugale por Vímara Peres.
873 (911) - Vinda do rei D. Afonso a Vana, onde, passados seis dias morria Vímara.
878 (916) - Presúria de Coimbra, pelo conde Ermenegildo Guterres.
850 – 866 - Ocupação dos territórios a sul do distrito Tudense, cuja restauração já tinha sido iniciada no reinado de Ordonho I.
Era de 906 -E a Dcccc, VIª., preditus est portugale ad vimarami petri.
866 - D. Afonso III subiu ao trono. Toda a região compreendida entre o rio Lima (limite meridional do território Tudense) e uma faixa que se aproximaria do rio Vouga, estaria – não obstante a permanência de alguns insignificantes agrupamentos humanos – geralmente despovoada.
870 - Fundação do território Anegia, durante os primeiros anos do reinado de Afonso III das Astúrias.
870 – 883 -Áreas ocupadas em Cinfães, Marco de Canavezes, Castelo de Paiva, Arouca .
866 - Morte em Oviedo do conde Fruela Vermudes ou Jemundes, da Galiza, que se tinha revoltado e obrigado o jovem rei Afonso III a retirar-se para Castela.
867 – (20 de Janeiro de 867) – Afonso outorgara o seu primeiro diploma, pelo qual restituía ao bispo de Santiago bens que o usurpador, Fruela Vermudes, lhe havia confiscado.
867 - Submissão dos Vascões.
868 - Vence os muçulmanos em Leão.
868 - Conquista e destruição de Coimbra.
878 - Presúria de Coimbra.
912 - (21 de Novembro de 912) – Morte do bispo de Coimbra (Fausto), encontra-se sepultado na Igreja de Santo André de Trobe, próximo de Santiago. Governou a diocese Conimbrigense durante quarenta e cinco anos.

CONDE PEDRO DA GALIZA (PEDRO THEON) - (CT. 854 ; 867)

VIMARA PERES
Lucidio Vimaranes – Deveria ter sucedido, no governo do condado, a seu pai Vimara Peres, talvez associado a: Hermenegildo Guterres (Presor de Coimbra, avô de S. Rosendo, governador do território Tudense).
ORDONHO II
Ramiro (Governou a Região Portugalense, que incluía os territórios a Sul do Douro, com a sua capital em Viseu)
Sancho (Foi atribuída a Galiza setentrional)

SEGUNDA METADE DO SÉCULO X

Hermenegildo Gonçalves, casado c/ Mumadona Dias, Filha de Oueca Lucides, neta de Lucidio Vimaranes, Presor de Portugale. É a partir de MUMADONA DIAS, que houve uma continuidade dinástica, não obstante as discórdias e competições em que os nossos condes se viram envolvidos, e, se manteve até meados do século X; constitui pois o começo de uma afirmação de unidade governativa dentro do estado Leonês, foi a génese da nacionalidade portuguesa.
A VIMARA PERES, que apresou e restaurou, pelo menos cem anos atrás, a cidade do Porto, se deve, verdadeiramente, o nosso espírito de independência e nascimento de Portugal. «Era DccccVª. Prenditus est Portugale ad Vimara Petri» (Cartulário lambanense). Temos pois, que pelo século X, o Condado de Portugal, era governado por Mumadona Dias e seu marido Hermenegildo Gonçalves e pelos seus descendentes, durou até 1071, altura em que o Conde de Portugal foi morto numa batalha contra o rei da Galiza, que tomou posse do território.
Como já se disse, outras presúrias houve, como a de Coimbra, pelo conde Guterres em 878, e, que deu origem ao Condado de Coimbra, que foi destruído pele ofensiva de Al–Mansur em 987 – 990 (no apogeu do Califado de Córdova). Em 1064, Fernando I de Castela, reconquista Coimbra e o seu governo é entregue ao Conde Sesnando (Sesinando), um moçárabe.
O Condado e Portugalense e o Condado de Coimbra, eram a partir da última metade do século X dois poderes autónomos, do Mondego até ao Minho, que conseguiram subsistir durante dois séculos.
No ano de 995, os árabes voltaram a atacar a fronteira norte e Almançor derrotou Garcia Fernandes, rei da Galiza, que morreu na batalha. A mesma sorte teria o Califa Almançor, na sequência da batalha de Catalnasor, contra os cristãos. A última incursão árabe, antes do fim do Califado de Córdova, em terras da Galiza e de Portugal, deu-se no ano de 1007. Almudafar (filho de Almançor) entrou em terras da Galiza e por toda a parte destruiu os fortes que os cristãos haviam erigido, passou ao seu interior e ao de Portugal, regressou pelas ribeiras do Douro e chegou vencedor a Córdova.
Como a Galiza e o Norte de Portugal, até ao Mondego, passaram a estar na dependência do rei de Leão e Castela, Alfonso VI, rei de Leão (1065 – 1109) e de Castela /1072 – 1109), tomou providências para a defesa desta parte do seu território, constituindo o CONDADO PORTUCALENSE em 1096, com todas as terras a sul do rio Minho, integrando as do antigo Condado de Coimbra, e, entregando o seu governo a D. Henrique de Borgonha, casado entretanto com D. Teresa, sua filha bastarda.
O governo de Portugal ficou a constituir uma tenência hereditária, subordinada à monarquia leonesa, o que, por morte de D. Henrique, passou, sem qualquer problema, para a viúva, D. Teresa. No entanto, o espírito de autonomia, era cada vez maior, os Condes de Portugal, procuravam habilmente consolidar e alargar as suas atribuições. Os nobres portucalenses e a Igreja, organizaram-se em torno de Braga e desinteressaram-se da Cúria de Leão, não obstante as pretensões, de Santiago de Compostela e de Toledo, em manterem a hegemonia sobre esta parte da Península.
Se a língua nos unia à Galiza, politicamente evoluímos para uma região autónoma, que constitui o PORTUCALE, ganhando corpo político, através das quatro cidades mais importantes do condado:
- BRAGA, metrópole das dioceses restauradas; GUIMARÃES, corte dos condes de Portugal; PORTO, onde a preponderância da função marítima foi muito importante, para a consolidação da independência; COIMBRA, importante centro de reorganização e, durante quase um século, baluarte dos territórios cristãos.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Um Conhecimento para Recordar

CONCEITO DE HISTÓRIA

O valor da História na cultura de todos os cidadãos é, e deverá ser, hoje mais do que nunca, um factor primordial na sua formação, quer na área do ensino, quer na sua parte intelectual.
A História é um contributo de cada povo e de cada época para a obra comum da civilização, deverá ser um instrumento para a melhoria do mundo de hoje, englobando, entre muitas outras coisas, a melhoria da realidade de uma nação ou de uma simples povoação.
O pai da História é considerado Heródoto, escritor grego, século V A.C., que no “Prólogo das Histórias” nos diz: «Esta é a exposição das informações de Heródoto de Halicarnasso, a fim de que os feitos dos homens, com o tempo, se não apaguem, e de que não percam o seu lustre acções grandiosas e admiráveis, praticadas quer pelos Helenos, quer pelos bárbaros, e, sobretudo, qual a razão por que entraram em conflito uns com os outros.» (Hélade – Antologia da Cultura Grega, organizada e traduzida do original por Maria Helena Rocha Pereira – Coimbra/1959).
O primeiro dos objectivos de um historiador seria o de conhecer, na medida do possível, a verdade dos acontecimentos históricos, das suas relações de tempo e de espaço, das correlações e implicações causais que entre si mantêm.
Estuda-se História para melhor interpretar, apreciar e valorizar, a nível nacional ou internacional, a acção dos homens e conhecer o contributo de cada povo, dado à causa da civilização. De uma narração verídica e ordenada de factos humanos ocorridos em tempos longínquos, passou-se, nos nossos dias, a um novo conceito histórico, é pois o estudo de todos os acontecimentos importantes que se deram no devir universal.
Diversos historiadores consideram que o conceito de História terá que passar por dois sentidos: um geral – narração verídica de factos; outro particular, narração verídica dos factos pelos quais passou a humanidade. A História é uma reconstituição do passado e como tal, o historiador deve observar um método rigoroso, uma crítica severa dos documentos e uma imparcialidade escrupulosa; são estas algumas das condições essenciais que terá que observar.
O facto histórico é único, pois ocorre só uma vez, é portanto um acontecimento singular, humano ou natural, localizado no tempo e no espaço. Como o facto histórico não pode ser observado directamente, o historiador tem que reconstruir os acontecimentos, buscando os factos. Tem que se socorrer de documentos, sem eles não se pode fazer História, mas na sua posse, precisa de tratá-los, necessitam de ser iluminados pela crítica, discernir o verdadeiro do falso, o provável do ilusório, o certo do duvidoso. À recolha dos documentos dá-se o nome de heurística (crítica externa) ou hermenêutica (crítica interna) e como ciências auxiliares da História, temos como importantes a: Arqueologia, Geografia, Paleografia, Diplomática, Cronologia, Numismática, Esfragística, Heráldica, Filologia, etc.

MÉTODO DA HISTÓRIA

A questão que se põe é: como chegar ao conhecimento dos factos históricos?
O método da História será, pois, o caminho a seguir para se atingir o conhecimento exacto de um determinado facto. Sabemos que o facto histórico é irreversível; a História, como ciência, não tem uma verificação experimental de os acontecimentos do passado; jamais se terá as condições de se demonstrar experimentalmente as causas de um determinado acontecimento. Cada facto histórico é sempre um facto singular, a História deve ser encarada como uma ciência do homem, uma ciência do espírito (Dilthey); é pois a Arqueologia o campo experimental da História, estuda os traços materiais deixados pela acção do homem, é feito uma reconstituição de um facto histórico, com uma relativa objectividade, recorrendo-se a outras ciências auxiliares para a crítica dos documentos encontrados.
HIPÓTESES HISTÓRICAS

Na crítica das fontes, o historiador pronuncia-se sobre o valor e autenticidade dos testemunhos, após isso, tenta reconstituir os factos e ligá-los uns aos outros, estabelecendo relações de causalidade para formar a síntese histórica. Os testemunhos relativos ao passado podem ser transmitidos por três fontes:
1 – Tradição ou transmissão oral;
2 – Os monumentos ou transmissão real e material;
3 – Os documentos ou transmissão escrita.
Para ligar estes factos surge a hipótese; a sua importância é extraordinária no desenvolvimento dos factos históricos. Procurar reconstituir, interpretar e interrogar, serão dotes do historiador, que com espírito de finura, raciocínio e a intervenção contínua de hipóteses, levará à reconstituição do facto histórico.

SÍNTESE HISTÓRICA

A síntese histórica consiste não só na reconstituição dos factos, mas no estabelecimento das suas relações causais. O historiador não deve só descrever os factos, mas, principalmente, deve saber interpretá-los e compreendê-los, é que na História, o conhecimento é único e não se repete. Não se considera História como ciência exacta, porque não se pode prever factos futuros, contudo pode-se chegar a leis de carácter estatístico, servindo-se da história comparada.
Não se pode atribuir ao historiador as mesmas leis porque se rege um cientista; este tenta descobrir as relações constantes entre os fenómenos que observou, traduzindo-os em leis; o historiador tenta compreender o particularismo dos factos passados, num esforço para se libertar do seu próprio condicionalismo, como sujeito moral e político que sempre é. O bom historiador é aquele que, na vasta teia dos acontecimentos, vai destrinçar os fios da complexidade causal para indicar os que desempenharam o papel de mais relevo num dado fenómeno. Como missão na composição da História, deverá suprir a insuficiência dos testemunhos; deverá determinar a ligação e o encadeamento dos factos. Se a História só tivesse por fim saber o que os autores escreveram, isto bastaria; mas o historiador quer saber se escreveram a verdade, pelo que inquirirá se este ou aquele autor tem veracidade, únicas garantias necessárias e suficientes da verdade do testemunho.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Nem só por cá a brincadeira é levada pouco a sério

Enviado por e-mail:


Nota do Administrador: Esta comunicação foi-nos enviada por um habitante de Mozelos completamente consternado com o que se passa com o Parque Infantil do Murado - Mozelos, em termos de segurança.


O Parque Infantil do Murado é um local que apresenta muitos problemas ao nível de segurança. Mesmo ao lado passa uma estrada com bastante movimento. Não existe qualquer tipo de barreira de potecção.
O café que vemos na foto é o local de eleição onde páram as pessoas que, enquanto se refastelam, deixam as suas crianças ir até ao parque.
Já não é a primeira vez que se verificaram casos em que as viaturas são obrigadas a travar a fundo... sorte o pior, que eu saiba, ainda não ter acontecido.
Houve já reclamações que foram apresentadas na Junta de Freguesia de Mozelos mas, até ao momento, nada!!!
Enquanto educador que sou, e mesmo tendo noção da importância que este tipo de espaços tem para o desenvolvimento das crianças (principalmente até porque muitas delas vivem enclausuradas em apartamentos), sou de opinião que é preferível que o parque encerrado, a manter-se nestas condições de precaridade.
Será que só nas próximas eleições se irá fazer alguma coisa? Ainda falta tanto...


Um morador/educador atento

O seu comentário deu um post (X)

Comentário (dose dupla) deste post:


Nota do Administrador: Pelo cómico e anedótico que são, estes dois comentários deram um post!

Anedota 1:

Anónimo disse...

O problema dos do bloco não é só o Firmino aparecer!O problema é haver festa dos arcos.
1.º Toda a gente sabe que se não fosse o firmino a festa dos arcos tinha tanto sucesso como o bloco de esquerda teve nas últimas eleições.
2.º Toda a gente sabe que o que arrelia mais os bloquistas, comunistas e afins são as tradições (princialmente festejos religiosos.

Por isso percebo que estejam angustiados com uma festa destas. Exprimentem Kompensan: não termina coma festa de Agosto, mas reduz-vos a acidez no estomago! :)
10 de Junho de 2010 13:16

Anedota 2 com gargalhadas!:

Anónimo disse...

Gosto especialmente da invocação do 25 de Abril que se faz neste blog! É 25 de Abril para aqui, 25 de Abril para ali. Cravo na napela, gritos de liberdade, etc...
É que quem invoca o 25 de Abril tantas vezes, pelos motivos que aqui são invocados, é porque não sabe o que foi o 25 de Abril.
Por isso, como também aqui muito se diz: "HAJA VERGONHA" e vão estudar História de Portugal. Depois de saberem o que foi o 25 de Abril (e depois de saberem que o mesmo não foi originado por causa de uma foto de um presidente da comissão de festas, ou por causa das molas de um cavalo de um parque infantil, ou ainda por causa da iluminação de uma igreja ou de um buraco numa estrada) talvez não o invoquem assim tão à toa!

Já que estou a falar do 25 de Abril:
Eu sei porque se fala tanto aqui do 25 de Abril. É que querem fazer um 25 de Abril (ou algo semelhante) em Paços de Brandão. O problema é que:
1.ºA oposição não se organiza (porque não existe)!
2.º Se a oposição se organizasse os ditos "capitães de Abril" (talvez um sol raro ou uma noite negra) em vez de dar a cara iam postar (sempre sob anonimato) sobre a revolução num blog qualquer!
3.º Os revolucionarios não conseguem (apesar de tentarem arduamente)invadir as estações de rádio e jornais (CIRAC?)
4.º As pessoas não acham que devam ser libertadas porque nunca foram oprimidas.
5.º Todos ficavam a olhar para meia dúzia de gatos-pingados que desfilavam até a junta de freguesia onde pregoavam: " Mino, ou tapas as molas do cavalo do parque infantil, ou a gente invade a junta e chama o nosso camarada mor para ele vir fazer um discurso comunista em cima da máquina do povo!"

Força aí no vosso 25 de Abril e lutem sempre, mas sempre com a mesma força com que defendem a tapagem das molas do cavalo do parque infantil.
10 de Junho de 2010 13:27

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O despudor de ser santo numa festa em Paços de Brandão!

O culto da personalidade é, regra geral, uma forma estratégica e propagandista que existe em política, onde se exaltam as virtudes, sejam elas falsas ou não, de um determinado governante. Este tipo de práticas está associado, na maior parte das vezes, a ditaduras. Pese seja esta a regra, existem excepções e, por isso, também a encontramos nas democracias!
Depois de termos assistido por Paços de Brandão a inúmeras jogadas de bastidores aquando da preparação da campanha das últimas autárquicas, as quais incluíram candidatos que eram para concorrer por um partido (e na hora de dar o veredicto já estavam na lista de outro partido), distribuições anónimas de cartas pelas caixas de correio (num acto hediondo e vergonhoso de destruição do adversário), abertura de sedes à pressa para não ficarem atrás (mesmo tendo sede a preço de banana), camiões de gente que nem sabe o que andava a fazer lá em cima, uso das obras da Igreja para fazer crer que era um benemérito (mesmo que os impostos de não cristãos tenham pago pelo menos 25.000 euros das mesmas), usar das festas da terra para auto-promoção e, por fim, só não fizeram porco no espeto porque o arraial estava já "ocupado"!
Sem dúvida um enorme manancial de virtudes, verdadeiras ou não, que deram uma larga vantagem na imagem ao nosso muito querido Mino, e que facilmente o levou a dar uma verdadeira "cabazada" de cruzes no voto a toda a concorrência!
Pois bem, isso foi o que se passou em 2009. Contudo, e com o aproximar da Festa dos Arcos de 2010, eis que se repete o cenário! Se calhar este ano além de xutos e alguns pontapés, que passaram impunes da parte do nosso presidente de Junta, talvez tenhamos uma novidade que pode ser a "chapada" ou "murraça", veremos!
Aquilo que hoje trago aqui ao Engenho, parece quase um "dejà vu" cómico! Não sei até que ponto a consciência política de uma pessoa se confunde com a sua devoção religiosa, ou mesmo a sua actividade profissional. Contudo sei que a ética, o bom senso e mais que não seja o pudor, deveriam fazer alguns lideres políticos saberem que não devem ocupar cargos noutras instituições, que de um modo directo ou indirecto, tenham ou venham a ter de recorrer à autarquia na qual são Presidentes. Pelo que em tempo oportuno deveria ter abandonado esse lugar em abono da transparência e da idoneidade, valores que possivelmente desconhece, até porque poderia manter a sua influência nos bastidores, mas avante!
Depois de visualizar o prospecto que alude a esta Festa 2010 dos Arcos, ficamos a saber que temos um novo santo, ou pelo menos um novo artista de variedades! Com o despudor característico de um vaidoso que se mostra pimpão, temos em destaque a fotografia daquele que já não devia precisar mais mostrar a cara, desta maneira! Ele já ganhou a Junta! Porém, numa verdadeira alusão do culto da imagem, que apenas encontra paralelo em ditaduras de alguns países do terceiro mundo, eis que assim se prepara caminho para o novo mandato! Este tipo de comportamentos deveria deixar envergonhados todos aqueles que ainda acreditam na igualdade e democracia que um dia um cravo na lapela de um soldado proclamaram em um Abril cada vez mais distante! Haja vergonha!

Considerações sobre a história local - Paços de Brandão (VIII)

IDADE MÉDIA – ATÉ AO SÉC. XIV-XV


Formação da Nacionalidade (D. TERESA, GOVERNANTE DO CONDADO PORTUCALENSE – SÉC. XII)

Dona Teresa, foi ela a mãe do nosso primeiro rei. No entanto, para além disso, esta filha de Afonso VI, foi governante, durante dezasseis anos, do território a partir do qual o reino se viria a formar. Filha de Ximenes Moniz, talvez companheira de Afonso VI, depois da morte da rainha Inês e antes deste casar com Constança de Borgonha. Os seus laços sanguíneos, foram vistos como condição suficiente para desposar o Conde Henrique de Borgonha.
De Dona Teresa, como quase de todas as suas contemporâneas, quer fossem grandes senhoras ou até rainhas, muito pouco se sabe. Os poucos documentos que existem, dão dela uma imagem, que não corresponderá decerto à sua; todos foram escritos com determinado objectivo, sem haver a particularidade de perpetuar a sua memória. Foram escritos por homens e clérigos, que para além de narrarem os feitos dos grandes reis, cavaleiros ou santos - o de ser lido ou cantado, para uma audiência que exaltava, conforme os feitos, numa lógica, em que, os santos agissem como santos, os cavaleiros como cavaleiros, as rainhas como rainhas; quando tal não acontecia, era o castigo. É neste contexto, que a imagem de Teresa, é vista por estes homens do século XII, a partir das histórias de que foi personagem.
Não nos poderemos esquecer, de que, nos inícios do século XII, o governo de um determinado território, só é assumido por uma mulher, apenas por uma estrita necessidade, inexistência ou menoridade de um herdeiro varão, que preencha legitimamente o lugar de comando ou devido à ausência prolongada do seu titular.
O casamento, na Idade Média, é visto como um acto social, um contrato entre duas famílias, motivadas por interesses precisos e em que os aspectos sentimentais poucas vezes seriam levados em conta. José Mattoso, salientou que a união entre D. Teresa (viúva do Conde D. Henrique) e Fernão Peres de Trava, não era uma questão religiosa, mas sim civil, são os textos eclesiásticos que classificam este casamento de adultério e incesto, e não os documentos do seu governo, nos quais o laço conjugal nem sequer é mencionado.
Dona Teresa, aparece nos textos historiográficos, como uma mulher com objectivos próprios estratégicos bem definidos para os alcançar. Quando o Conde D. Henrique, se alia a D. Urraca, a Condessa de Portugal, sugere ao marido, para antes de continuar a lutar ao lado de sua irmã, devia levá-la a dividir o território já conquistado, de acordo com o pacto que haviam estabelecido. É uma forma muito simples de qual devia ser o papel e a participação das grandes damas nos assuntos governativos, a sugestão e a pressão sobre os maridos ou outros homens sob cuja autoridade se encontrassem.
Teresa, já viúva, volta a entrar em cena, desta vez após a reconciliação de Urraca com Afonso de Aragão. Ao ver que a fortuna não é favorável ao que pretendia, independência do Condado Portucalense, faz saber ao Rei, que a Rainha Urraca planeava envenená-lo. O resultado é a nova separação do casal, e paz e concórdia entre Teresa e Afonso (o Batalhador).
A História Compostelana, descreve outra intriga urdida pela condessa quando, sitiada no castelo de Lanhoso pelas tropas de Urraca e Gelmires, avisa o arcebispo dos planos que a irmã fazia para o prender e oferece-lhe a sua protecção, vindo, algum tempo mais tarde, a estabelecer com ele e Afonso Raimundes uma aliança.
Após a morte de Urraca, rainha de Castela, quando alguns condes asturianos, leoneses e galegos, aproveitam para se revoltarem contra o herdeiro Afonso Raimundes, lá se encontra Dona Teresa, a Rainha de Portugal que, deixando de reconhecer a soberania de Afonso VII, poderosa em homens, almas e riqueza, resolve atacar a fronteira da Galiza.
Não é fácil encaixar um modelo de rainha do século XII no contexto peninsular e, se essa figura é Dona Teresa, mais complicado se torna. É necessário aprofundar conhecimentos da condessa, quer da realidade do seu governo, quer a nível cultural, quer nas suas relações com a igreja, saber estabelecer uma visão entre um poder feminino e saber compreender as especificidades da situação da mulher, relacionadas com a cultura da época. No meio das agitadas circunstâncias do seu breve governo, não deixou abandonadas as conveniências próprias, como dona e senhora do Estado de Portugal.

terça-feira, 8 de junho de 2010

RTP em Paços de Brandão sobre a bola de cortiça

Clicar no play para ver


Programa da Festa dos Arcos 2010

A Inquisição em Portugal

UMA PARTE DA NOSSA HISTÓRIA - PARA RECORDAR

No dia 3 de Junho de 2010, celebrou a Igreja Católica o dia do “Santíssimo Corpo de Deus”, com a pompa e circunstância que lhe é habitual, em honra daquele que sempre, viveu dentro dos parâmetros de humildade, CRISTO e que veio a morrer pregado numa cruz feita de um qualquer tronco de arvore. Era judeu e, como tal já os Romanos os tentavam aniquilar, tinham receio do seu poderio económico e da sua unificação como um estado independente. O povo hebraico foi sobrevivendo ao longo dos séculos e, contra tudo e todos, lá foram mantendo a sua crença religiosa impune até aos nossos dias.
Quando é que os Judeus se estabeleceram em Portugal? Quem tiver acesso à Revista Panorama, 1º vol., nº 3, de 20 de Maio de 1837, encontra lá um esplêndido artigo acerca dos «Judeus em Portugal». Também quem ler o Tomo 1 da “História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal” de Alexandre Herculano, encontrará no final do volume, em «Apêndices», a reprodução do referido artigo e do qual vou transcrever algumas partes.
«Acerca do tempo em que os judeus entraram nas Espanhas há várias opiniões. Fazem alguns remontar a vinda dos primeiros ao tempo da conquista da Palestina por Nabucodonosor, outros afirmam que eles começaram a frequentar nossos portos por via de comércio no tempo dos Macabeus; pretendem outros, enfim, que foi depois da ruína de Jerusalém por Tito, quando os dispersaram pelo mundo, que muitos deles vieram fazer assento nas Espanhas. Seja o que for, é certo que no tempo dos Godos um grande número de famílias hebreias se achavam estabelecidas neste país. Durante o domínio dos Godos correram os judeus vária fortuna; mas a maldição de Deus, que sobre eles pesava, não os deixou respirar por largo tempo debaixo de afrontas e opressões. Nas leis góticas se encontram muitas tendentes a oprimi-los e a conservá-los na inferioridade a respeito dos cristãos. Desde a entrada dos Árabes a sua sorte parece ter melhorado algum tanto, não porque o maometismo fosse mais tolerante do que o cristianismo, mas porque os príncipes sarracenos eram mais ilustrados do que os godos. Foi nesta época que os judeus cresceram em número e em riqueza, vivendo em boa harmonia com os dominadores árabes e com os cristãos vencidos
«…Parece que a primeira perseguição contra os judeus de Espanha foi tentada por Pedro, abade de Cluny, quando veio a Castela, em tempos de Afonso VII; porém esta perseguição não chegou a efectuar-se; porque há memórias de terem os judeus vivido tranquilamente durante o reinado deste príncipe. Daí avante a raça hebraica foi pouco a pouco florescendo em Espanha. As riquezas por ela possuídas, os talentos e instrução de muitos judeus, tanto mais notáveis quanto maior era a ignorância e barbárie daqueles tempos, lhes abriram o caminho das honras e do poder. Em geral, os diferentes reis da Península, achando nesta casta, menoscabada pelos nobres e pelo povo, o conselho e os socorros pecuniários, que nem naqueles nem neste encontravam, rodeavam o trono de homens inteligentes e activos, posto que odiados, e lhes confiavam os cargos mais importantes do Estado. Esta preferência, dada à nação hebraica, ainda pelos príncipes mais religiosos, era tal, que os hereges, que pretendiam, sem correr risco, propagar seus erros, se vestiam de judeus, e assim ficavam seguros de não serem molestados. Frei Afonso de Espina, no livro que intitulou Fortalitium Fidei, lamenta a grande entrada e valimento que os judeus tinham nas cortes dos reis
«…Este valimento que os judeus tinham em Castela também o alcançaram em Portugal logo no princípio da monarquia. Em uma decretal de Gregório IX é repreendido D. Sancho II por favorecer os judeus, e se ordena ao mesmo tempo aos bispos de Astorga e Lugo o admoestem para emendar este abuso. Ordenou além disso o papa que, no caso que os exactores das rendas públicas fossem mouros ou judeus, houvesse um superintendente cristão, que vigiasse e acudisse às vexações que eles faziam ao clero, e com que naturalmente se vingavam das injúrias que do clero recebiam. No tempo de D. Dinis, em uns artigos de queixa feita em Roma pelos eclesiásticos contra este príncipe, foi ele arguido de dar os lugares de fazenda aos judeus e de, afora isso, lhes permitir andarem sem divisas nem sinais, por onde fossem conhecidos, segundo nos cânones era estabelecido; acrescentando o isentá-los das dízimas eclesiásticas; o que prova quão favorecidos eles foram no reinado daquele piedoso, mas político e assisado, monarca
Se os judeus, desde o reinado de D. Afonso IV, eram obrigados a trazer sinais por onde fossem conhecidos, e como tal tinha caído em desuso, D. João I , ordenou que trouxessem uma divisa vermelha da feição de uma estrela, não só sobre o peito, mas também sobre roupas externas, ou capas, com que podiam encobrir a que traziam pregada no vestido. Estes sinais vigoraram até ao reinado de D. Manuel I. Não obstante a obrigação de usarem estes sinais, eram obrigados a viveram em bairros próprios, as judiarias, dentro das cidades, que eram fechados e com guardas nas entradas.
«Assim viveram os judeus em Portugal durante uns poucos de séculos; mas a época em que esta desgraçada nação devia sofrer todos os horrores de uma perseguição bárbara e atroz chegou enfim com o reinado de D. Manuel. Este príncipe, no começo do seu governo, mostrou-se generoso com os judeus espanhóis, que estavam cativos em Portugal, libertando-os e dando-lhes licença para saírem do reino; mas breve mudou de procedimento, e deixou, pelo que dali a pouco teve com os judeus em geral, a mais negra página das muitas desta cor que há em sua história
Fernando e Isabel de Castela, os reis católicos, e em tempos do nosso rei D. João II, tinham os judeus mandados despejar a Espanha em certo prazo, sob pena de morte, só para Portugal vieram mais de cem mil, com condições de saírem do reino em tempo determinado ou ficarem escravos da coroa.
«Entretanto parece que a Espanha conheceu o erro que tinha cometido em expulsar do seu seio uma raça laboriosa e possuidora de grandes riquezas; mas o passo estava dado, e então só restava aniquilar as vantagens que Portugal podia tirar da falsa política dos reis de Castela. Assim, estes requereram por cartas a el-rei D. Manuel fizesse o mesmo em seus reinos, ao que ele acedeu por sugestões de alguns dos seus conselheiros, talvez por isso peitados, ou movidos pelo espírito da intolerância religiosa daqueles tempos. O modo que se teve em executar esta resolução foi horrível. Presos por diversos laços à terra que lhes dera o berço, muitos judeus abjuraram a sua crença, ao menos fingidamente; outros mais tenazes preferiram o desterro; mas, além do desterro, maior calamidade se lhes acrescentava. Ordenou el-rei que todos os filhos dos judeus que saíam, que tivessem menos de catorze anos, lhes fossem tomados para se criarem no cristianismo. Faz eriçar os cabelos o ler em Damião de Góis a descrição desta cena cruel, em que a tirania tirava a última consolação àquela raça desventurada. Alguns cristãos-velhos, compadecidos da aflição e lágrimas destes infelizes, lhes escondiam as crianças, para depois lhas restituírem. Muitos pais e mães pegavam em seus próprios filhinhos e os lançavam em poços e rios, ou os acabavam por outro modo, para os não entregar aos seus opressores; e a desesperação chegou a tal ponto, que alguns se matavam para não passarem por esta separação dolorosa
Estava instituída a Inquisição e quem ousasse escrever ou pronunciar uma palavra de justiça em favor de homens que não criam em Deus pela forma que estava prescrita no Directório de Inquisidores de Nicolau Eimerico, só lhes restava o fundo de um calabouço. É desta instituição horrível, filha do fanatismo religioso, o que nos relata António José Saraiva, no seu livro “Inquisição e Cristãos-Novos”, pág.49:
«Não faltou quem se encarregasse de estimular e organizar esta transferência do ódio ao Judeu para o Cristão-novo. Acima de todos, os pequenos clérigos em que se distinguiram os frades dominicanos. Eles desempenham em Portugal com em Espanha um papel decisivo no desencadeamento dos pogromes. Tal como em 1449, são eles que estão à frente da matança iniciada em 19 de Abril de 1506 em Lisboa. No decorrer de uma cerimónia religiosa na igreja de S. Domingos, um homem que participava no culto, no momento em que o povo gritava «milagre» à vista de um resplendor que saía do crucifixo, teve a ideia inoportuna de argumentar que se tratava apenas do reflexo de uma vela. Foi logo taxado de «Cristão-novo», morto e queimado in loco. Dois frades dominicanos brandindo crucifixos excitaram os fiéis aos gritos de «heresia, heresia!». Durante três dias a cidade esteve nas mãos dos amotinados, que pilhavam as casas, atiravam mulheres e crianças da janela à rua e acendiam por toda a parte fogueiras onde ardiam vivos e mortos
Foi esta a lei que vigorou até ao século XVIII–XIX, foi interrompida por alguns anos, mas desde 1928 até 1974, ela foi restabelecida, mediante a colaboração da maior parte da nossa igreja e, como antigamente, lá estava o lápis azul da censura, lá estava a policia politica (DGS/PIDE), a torturar e a desterrar para Peniche, Tarrafal e outras prisões, quem não dissesse «ámen» com o regime estabelecido. Não vou falar nos dias de hoje, pois os escândalos que se abatem sobre a igreja são tantos e de tanta espécie, que todos aqueles que quiserem estar informados de tal é só lerem os jornais diários, consultarem as notícias através da Internet, ou assistirem aos telejornais dos diversos canais de televisão, só não está informado quem não quiser!