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terça-feira, 23 de outubro de 2012

UM ENSAIO … OU TALVEZ NÃO … SOBRE A LIBERDADE



Por: Carlos Varela

Existem concepções, de Vida, de Filosofia que têm que prevalecer no nosso ser. Se queremos que uma espontaneidade total nasça no mundo das ideias, será preciso que os pensadores possuam uma perfeita independência interior. O Homem só a obtém depois de haver abolido em si toda a vontade de poderio – e talvez somente se ele for realmente fraco. A ausência de poder parece uma condição favorável para falar em nome da Liberdade e para a suscitar no outro.  É dentro da humildade, dentro da generosidade, que um indivíduo tem a possibilidade de colaborar, numa parte ínfima, impercetível, no nascimento de um Mundo onde a Liberdade possa plenamente manifestar-se.

O Homem em geral, na qualidade de ser dotado de razão, que se dirige aos seus irmãos, espera deles perguntas e respostas, e que pretendem todos juntos em busca do verdadeiro. Os «porque» e os «talvez» não podem prevalecer para a razão. Ela não vive de argumentos pró e contra, mas da sua autenticidade própria e com a lúcida consciência de não possuir a verdade e somente caminhar em sua busca.

Analisando o aspecto histórico de algumas crónicas, chega-se à conclusão de que certos «cronistas» se recusam a executar seja o que for, não admitem qualquer argumento, mantêm firmemente, como uma premissa intangível, o seu «credo qui absurdum», e a sua fé, naquilo que nos apresentam, parece real. Em vez de encararem a Razão como o ar que nós não vemos, mas que queremos puro, pelo contrário preferem uma atmosfera capitosa e inebriante.

Sem quase se dar por isso, renunciamos à Razão e obviamente à Liberdade. E o Homem, renunciando à Liberdade da Razão, fica a um passo da escravidão. Ficando predisposto ao mito, deixa afundar-se tudo quanto constitui a compreensão da Liberdade. E se ficarmos acantonados a uma fé irracional e insuscetível de ser discutida, ficamos à beira da Liberdade cessar de nos alimentar e em breve esqueceremos o que Ela significa.

Se, o vazio nos ocupar os nossos sentimentos ficamos privados simultaneamente de nós próprios e da Verdade, ficamos prostados no terror. Renunciando à Razão renunciamos também à Liberdade. Quem não fizer brilhar em si próprio a luz da Razão, está mais ou menos perdido. Fica prisioneiro das verdades que concebem ou que se lhe impõem. Marcha ao acaso da Vida, ávido do poderio e sem penetrar nos verdadeiros móbeis que o animam. Tende a considerar a sua própria ideia uma verdade absoluta e única, procura de uma maneira totalmente egocêntrica a identificação com uma causa, recusa-se quanto não traz água ao próprio moinho. Não se procuram amigos, mas admiradores e súbditos. Com a maior naturalidade, apenas se contempla o próximo na medida em que ele pode participar como figurante no nosso próprio drama.

Para muitos, dos pretendentes a escribas, deste ou de outro meio de comunicação escrita e em alguns casos falada, só a imaginação impera – a imaginação que com nada se devia comprometer e que se deveria pretender que fosse a própria verdade da nossa essência, quando, na verdade apenas somos objecto de estados afectivos incoerentes. Um pensamento mítico a este ponto degenerado, por carecer de uma autocrítica existencial, não constitui senão a negação do pensamento.

São, os pseudos-escribas, claro, uma forma de anti-razão, têm origem numa negação simultânea da Verdade e da Liberdade humana, são a corrupção de uma verdade inicial; são impulsos que os arrastam para o «sabbat» infernal das metáforas, dos dogmas, dos aforismos, para a expressão de um capricho instável, para perpétua inversão dos valores, para uma falsa interpretação da Vida.

Termino com um filósofo grego do século V-IV A.C., ISÓCRATES,  no que se relaciona com «Os sofistas», diz-nos :
«Quem não há-de detestar e desprezar os que passam o tempo a discutir, os que fingem procurar a verdade, mas logo ao começo das suas proclamações tentam dizer mentira?
A tal ponto chegou a sua audácia, que tentam persuadir os jovens de que, se deles se aproximarem, ficarão a saber o que se deve fazer, e, graças a esse conhecimento, se tornarão felizes. E, instituindo-se mestres e senhores de tais especialidades, não se envergonham de reclamar por elas três ou quatro minas.» (Contra os sofistas, 2-3)

(O meu tributo para o Jornalista, o Poeta, o Lutador pela Liberdade de Escrever, que nos acaba de deixar e para tantos outros, talvez anónimos, e esquecidos, mas que deram as suas Vidas pela Razão de se alcançar a Liberdade).


Paços de Brandão, 23 de Outubro de 2012

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Mário Crespo - Cai a máscara de um crápula

Caiu no e-mail:



«O texto vem de Moçambique onde, ao que parece, têm em fraca conta o jornalista Mário Crespo.
O sujeito que observo neste texto é aquele que diariamente fecha o telejornal da SIC dizendo que a RTP gasta, diariamente, não sei quantos milhões e que dá pelo nome de Mário Crespo.
Este sujeito foi meu colega de liceu Salazar, em Lourenço Marques, hoje Maputo. Sempre foi mau estudante, mas cheio de truques e boas amizades, sobretudo com a Mocidade Portuguesa.
Á custa das amizades, supõe-se, fez a "guerra" como relações públicas do Gen. Kaúlza de Arriaga, Comandante Chefe, em Moçambique.
Com o fim da guerra tornou-se no "papagaio" da rádio do apartheid na África do Sul, a SABC.
Com os estertor do regime sul africano, esperto como é, resolveu mudar de ares. Como era bem falante em inglês, e certamente com bons contactos nos protectores do apartheid (USA), veio para Portugal onde logo lhe ofereceram um bom tacho na RTP- correspondente em Washington. Trabalhava pouco, o que parece ser mal de nascença, mas gastava muito do dinheiro de todos nós, em cartões de crédito, ajudas de custo, festas, whisky etc. Foi devolvido, por má figura, para Lisboa.
Infelizmente, em vez de ser despedido, foi colocado na prateleira onde a SIC o foi buscar.
Imaginem quem o repatriou de Washington para Portugal. Um governo do PS! Está explicado o posicionamento político do crápula.
Os jornais revelaram que o seu amigo Relvas apadrinhava o regresso do Crespo à RTP. O Presidente da RTP, e bem, recusou. Foi demitido.
PS- Para que se saiba. Quando durante o governo de José Sócrates, este já farto do aproveitamento da posição de pivot na SIC Notícias, Mário Crespo fazia em directo uma campanha sem fundamento e contra o governo, José Sócrates então declarou num restaurante a um amigo que almoçava com ele, que era preciso afastar o Mário Crespo. Esta frase de desabafo foi ouvida numa mesa ao lado onde se sentava um amigo do Mário Crespo que lhe foi dizer, atiçando-o e dando origem a uma série de atitudes de aproveitamento político que envolveram a Assembleia da Republica onde o Mário Crespo também foi depor, fazendo então uma cena ridícula com uma T-shirt. Ora, quem era o amigo do Mário Crespo que ouviu o desabafo de José Sócrates....foi o "dr" Miguel Relvas.
Pertencem ambos ao mesmo conjunto de pessoas-tipo.»

sábado, 29 de setembro de 2012

Notas da Assembleia de freguesia de dia 26 de Setembro

As informações que chegaram ao Engenho não são convergentes, mas pelo que se sabe, esta Assembleia de Freguesia de dia 26 de Setembro, bem pode ficar na história Brandonense como uma das mais rápidas de sempre! Segundo alguns cronómetros, estima-se que 23 minutos e 45 segundos tenha sido o tempo necessário desde que o nosso estimado JB deu o tiro de partida, e até que deu por encerrada esta sessão, o que preconiza um novo record nacional! E com leitura de actas e intervenção de público incluídas, fantástico!
Alguns factores podem ter estado na origem destes tempos, entre eles a leitura da acta sem gaguejar, mas também o facto da oposição nada dizer, e ainda para mais com o atraso do Carlinhos das Neves, que entrou apenas na recta final onde já não lhe era permitido intervir!

Agora falando da Assembleia mais a sério: ................................................................. quase nada a dizer excepto que o nosso estimado Mino, após interpelação do público, parece que vai averiguar sobre as origens históricas da nossa freguesia, visto existirem grandes divergências sobre isso, como aliás já aqui demos conta no Engenho inúmeras vezes. De referir ainda, que o nosso "velocista das Assembleias" JB, ainda teve oportunidade para intervir sobre o tema, mesmo quando disse que era o Presidente Mino que devia responder e já o tinha feito, afirmando que "esta coisa da história é sempre muito dúbia, e existem muitas interpretações" - Está bem, mas contra factos e documentos não há muitos argumentos (dizemos nós). 
Ainda sobre este assunto, ficou-se a saber, e justiça lhe seja efectuada, que o Inginheiro Carvalho, no anterior mandato, já tinha pedido a alguém mais sabido da coisa da História que revisse a dita. Contudo foi ignorado, tal como foram, ao longo destes anos todos que nos separam de 1995, uma série de opiniões que se manifestaram contra a versão oficial. Esperamos que esteja aberto o caminho para que Paços de Brandão conheça a sua história real e de uma vez por todas abandone as estórias e as fábulas dos cavaleiros e donzelas encantadas que apenas são fruto da imaginação "holiwoodesca" de uns quantos que teimam em chamar verdade aquilo que a história diz ser mentira...

Nota do Engenho: Agradece-se que a Junta de Freguesia retire do seu site oficial a versão controversa da nossa história, até prova do contrário, em abono da verdade e rigor que lhes é obrigado! 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

MAS QUE GRANDE «SARILHO»!


Vejo-me só, posto ao canto,
Depois que saí do mato;
Se me vestem, pouco a pouco, 
Logo me tiram o fato. 

Por costume sou cortez; 
O trabalho dos meus dias 
É, na mão da minha dona,
Estar sempre às cortesias.

Quando alguns tombos me dão 
Eu não digo «chuz» nem «luz», 
E tudo quanto me fazem 
Vou sofrendo a minha cruz. 

(Em Revista de Guimarães – Sociedade Martins Sarmento)


Como preâmbulo ao artigo de Clara Ferreira Alves, publicado na REVISTA – Expresso 15/Set/12, que se anexa, nada melhor que a advinha acima transcrita da “REVISTA DE GUIMARÃES” . As respostas estão no que nos foi dado observar nas «MANIFESTAÇÕES DE 15 DE SETEMBRO», e, na parte final do artigo da Clara Ferreira Alves. 

SOLRARO

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Dia 21, sexta-feira há mais! "Que se lixe a TROIKA"!

No dia 15 de Setembro o país tomou as ruas para dizer BASTA!, naquelas que foram as maiores manifestações populares desde o 1º de Maio de 1974. Exigimos o rasgar do memorando da Troika e a demissão deste governo troikista.
Se o governo não escuta, que escute o Presidente da República e o seu Conselho de Estado.
Não é não!
Não queremos apenas mudanças de nomes, queremos mudanças de facto. A 21 de Setembro iremos concentrarmo-nos junto ao Palácio de Belém para demonstrar que 15 de Setembro não foi uma mera catarse colectiva, mas um desejo extraordinário de MUDANÇA DE RUMO!
A Luta Continua!
Que se Lixe a Troika! Que se Lixem os Troikistas! Queremos as Nossas Vidas!
 
Assim, Santa Maria da Feira volta a aderir à causa, estando a mobilização marcada para a Praça da República, em simultâneo com a congénere de Lisboa e outros pontos do país.
 
 
O Engenho vai lá estar!!!

15 de Setembro de 2012 - "que se lixe a Troika, queremos as nossas vidas"

Enviado por e-mail:



No sábado passado, o povo Português deu uma lição de Democracia a este Governo, ao sair em peso paras a ruas do país, num protesto de dimenssões históricas, contra as novas medidas de aumentos dos impostos nos salários, proposto pelo Primeiro Ministro da Nação, Passos Coelho.
Apesar dos centros urbanos de Porto e Lisboa terem sido os preferidos para os manifestantes, muitas outras cidades não se quiseram deixar de aliar a este protesto, e Santa Maria da Feira não foi excepção. Como tal, cerca de 250 a 300 pessoas (medido a olhómetro) quiseram marcar presença em frente da Câmara Municipal, e ai mostarem a sua indignação, deixando escritas algumas mensagens nas portas de entrada do edifício Camarário.
Posto isto, o Engenho quis associar-se também a esta indignação, e fazendo eco das palavras mais escutadas em toda a manifestação, endereça ao nosso Primeiro Ministro, com a pujança possível, que algumas palavras bem escolhidas, em letras maiúsculas e a negrito são capazes de transmitir:


PASSOS COELHO VAI-TE FODER!

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Factura de livros do 5º ano

Enviado por e-mail:

Numa altura em que as famílias fazem um enorme esforço financeiro para que nada, ou quase nada, falte aos filhos para os estudos, como é possível e qual será a moral do(s) proprietário(s) de uma Livraria de Paços de Brandão para cobrar 75,00€ (SETENTA E CINCO EUROS) de encadernar os livros do 5º ano?
Como podem verificar na factura em anexo, foram necessários 2 metros de papel p/ plastificar para cada livro!!??
Não lhes chegam a margem que têm nos livros e material escolar?

Estejam atentos a estas EXPLORAÇÕES!! Isto é roubar!

Anónimo Brandoense



(Clicar na imagem para ver)

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

História de Paços de Brandão - Em busca da verdade!

Na sequência de dois artigos publicados no Engenho sobre a História local Brandoense, cujo objectivo primeiro foi procurar conhecer a verdadeira história da nossa terra, secundado pelas várias evidências dúbias decorrentes da versão Oficial existente na Junta de Freguesia Brandoense. Os quais geraram uma série de observações, atrapalhadas e confusas de um familiar do autor de "RECORDAR 900 anos de Paços de Brandão de Padre Joaquim Correia da Rocha". Chegando inclusive repercussões ao Facebook do mesmo, mas que aqui não iremos divulgar (Não nos merecem ser alvo de reprodução palavras cuja compreensão só é alcançável pelo autor). Temos a divulgar o seguinte texto de resposta do Sr. Carlos Varela autor de "APONTAMENTOS HISTÓRIA DE PORTUGAL E LOCAL Paços de Brandão (IDADE MÉDIA)":

Caro Eduardo,

Li, com muita atenção, a resposta (s), que pretendeu dar ao que publiquei no Engenho, e, que não devia merecer, da minha parte, outra resposta, senão sugerir ao Eduardo, uma melhor leitura da ” Minha Crítica de História Local”, talvez, no caso de nunca ter estudado HISTÓRIA, procurar qualquer compêndio desta matéria, talvez o José Mattoso, em “NAQUELE TEMPO – Ensaios de História Medieval” – Temas e Debates – Círculo Leitores – 2009 (Prémio Pessoa), lhe dê uma melhor concepção do que é a História Medieval Portuguesa. Talvez consiga compreender que para se escrever sobre HISTÓRIA, tem que existir qualquer espécie de documento, sem isso não se pode fazer qualquer comentário ou crítica histórica, sem se entrar no campo lendário ou da ficção. Mas, se o Mattoso se inscrever de uma leitura, muito complicada para o Eduardo, julgo que um compêndio de História Geral da Civilização, de autoria de Adriano Vasco Rodrigues, que se usava no antigo 3º Ciclo Liceal (6º e 7º ano), lhe poderá servir de muita utilidade e esclarecimento, sobre qual é o «Conceito de História».

Vem isto a propósito de o Eduardo afirmar: «…fazer história partindo do pressuposto que o que se afirma ou se escreve tem sustentação, tem que se lhe diga…». Será que o conceito de História, que o meu amigo tem, não se sustenta em documentos verídicos? .Será que o Conde D. Pedro (filho bastardo de D. Dinis), Alexandre Herculano, Oliveira Martins, Marquês de Abrantes, José Mattoso, Damião Peres, e tantos outros historiadores, que com os seus trabalhos, críticas, transcrições paleográficas, etc., nos enganaram? Será que os estudos sobre o Mosteiro de Grijó, que Robert Durand efectuou, bem como o de Jorge de Alarcão e Luís Carlos Amaral, são para desprezar e não levar a sério?

Caro Eduardo, não me leve a mal, mas terá que rever os seus conceitos sobre História, não encare como se de um «dogma» se tratasse, o que está escrito nos «900 Anos de P. B.», faça uma crítica severa ao que lá vem expresso, reveja a evolução que tiveram os conhecimentos e evolução da nossa História, no século XIX, e, que infelizmente só a partir de 1940, e até aos nossos dias, tornou a despertar o interesse e melhor esclarecimento dos nossos historiadores, não fique preso ao que a Inquisição e a censura obrigou este País durante muito e muitos anos.
Quanto a questões de divergências políticas, seria interessante, da sua parte, e de todos aqueles que gostem de História, não misturar «alhos com bugalhos», tal trapalhada acaba sempre por dar em poucos ou nenhuns esclarecimentos, para não dizer que acaba sempre mal. Mantenha a imparcialidade, pois só assim poderá, livremente, efectuar qualquer crítica histórica ou outra qualquer.

Porque gosta muito de consultar bibliotecas universitárias, vou-lhe indicar o que poderá obter junto da Biblioteca da Universidade de Coimbra, sobre a palavra “PALATIUM “ (elementos para a história desta palavra), «OPUSCULOS» - volume I – FILOLOGIA (parte I), páginas 546 a 550, por J. Leite de Vasconcelos (Imprensa da Universidade – Coimbra – 1928).

Quanto às questões sugeridas pelo Eduardo, elas são de tal maneira confusas, que mais parecem um qualquer «arrazoado» de adjectivos, que qualquer resposta que se lhes dessem, seria por em dúvida, digo mesmo «humilhar» o trabalho de muitos historiadores, alguns já por mim mencionados neste artigo, cujos trabalhos e documentos, serviram de suporte aos meus “APONTAMENTOS”, e de consulta obrigatória para o que se possa escrever sobre História. Como poderá verificar o que publico tem suporte documental fiável, não é ficção nem de minha autoria, só escrevo aquilo que posso demonstrar com documentos, pôr em causa os autores que fizeram a sua transcrição paleográfica, com horas e horas de pesquisas, para que o cidadão interessado nestas questões, tivesse ao seu alcance documentos com bastante valor histórico, é por em causa tudo aquilo que historiadores, como José Mattoso, têm efectuado.

Paços de Brandão, 30 de Agosto de 2012

Carlos Alberto Sequeira Varela
 

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Site da Junta de Paços de Brandão - "Flop" da divulgação

Quando há uns anos atrás o nosso Mino decidiu renovar o site da Junta de Freguesia, ficou no ar a ideia, que finalmente, a autarquia iria dar um uso adequado a este espaço na Web. E assim assumir as suas responsabilidades de promoção e divulgação sócio-cultural da nossa Freguesia como é seu dever.
Porém, passado todo este tempo, e goradas as expectativas dos Brandoenses, continua a existir um espaço amorfo e sombrio que mais não é senão um "flop" informático, e que insistem em chamar de site da Junta de Paços de Brandão....

E que tal se o Mano Brito fosse ler um daqueles livro para tótós da informática, e aprendesse a mexer no resto do site? Talvez assim  colocasse mais informações e notícias sobre o que se faz na freguesia. 

A ideia nem é nova, vejam os nossos vizinhos Oleirenses por exemplo, porque não fazer o mesmo? 
Não acham ridículo o site da Junta não ter uma menção uma foto sequer a Festa dos arcos? Isto para nem falar noutros, como o Carnaval, o Festival de Música de Verão, a Festa da Póvoa, etc.

Sr. Presidente  vá lá... não seja Tótó! Dê uso aquilo que possui ao seu dispor e coloque também ao serviço do povo!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

As obras do arco da Igreja

Quando há uns tempos atrás, o nosso estimado pároco Lando verificou que na sua casa de Rio Meão, os pés não se lhe aqueciam, deduziu brilhantemente que isso se devia a ter uma casa fria demais!
Vai daí,  pôs-se a pensar...pensou...pensou...e ao fim de uns incríveis 30 segundos, decidiu que ia arranjar um sistema de aquecimento espectacular para os pés, sem ser umas meias de lã. Porém, primeiro tinha de deitar a casa toda a baixo, e aí sim, os seus pés abençoados ficariam quentinhos.
Aquilo que o nosso Lando não estaria bem à espera, é que a casa que habitava, que supostamente seria  pertença de Deus, logo sua, afinal não o era! Pertencia sim ao povo Riomionense, que há muitos anos, e com muito esforço a ergueu. E para deitar uma pedra abaixo que fosse,  tinha de se haver com a Junta da terra, coisa que nunca é muito do agrado de Deus. 
Por isto, e como vivemos tempos de crise, quem manda em Rio Meão,  não se deixou levar em cantigas, e lá lhe disseram, (e bem) : "Não há graveto!".
Sem deitar as mãos a cabeça, porque os pés lhe iam ficar frios no Inverno, lá se pôs uma vez mais Lando a pensar! Pensou...pensou e ao fim de 25 segundos (recorde mundial de "pensadura"), encontrou uma solução brilhante!
 "É pá, e se eu fizesse o aquece pés em Paços? Afinal aquilo lá, pertence a Deus! Além disso já ninguém se lembra que o terreno nunca foi da paróquia mas sim do povo! Há que aproveitar o trabalho bem feito do meu antecessor!".
Se bem o pensou melhor o fez! E sem deitar toda a casa ao chão, parece que já  instalou o sistema que lhe vai aquecer os pés de Inverno, e aproveitou ainda para fazer mais uns "arranjinhos" de ocasião. Coisa  pouca, uns trocos na ordem dos 80.000 aérius! 
Pois bem, o povo Brandoense não pode em si de contente, e regozija de felicidade ao saber que sua Santidade o Padre ó Lando vem de malas aviadas para a beira do arraial! Vai daí bateram incessantemente  portas em toda a freguesia com uns lencinhos em nome de nossos senhor Jesus, e Maria a sua mãe, para ir juntando migalhinha a migalhinha os aérius necessários para esta obra grandiosa, tão necessária para a população que vai a missa ao domingo!
Com este golpe de teatro que agora veio a nu, uma vez mais os Brandoenses conseguem passar a perna a "Malta" de Rio Meão! 
Agora só falta saber é se os de Lamas, não vão ser mais espertos que os de Paços, e como precisam urgentemente de padre, não irão aliciar o Lando com a casa paroquial novinha em folha equipada com aquecimento central! A ver vamos....

Nota: Qualquer semelhança com a realidade aqui transcrita...pode ser pura ficção!

José Hermano Saraiva 3 de Outubro de 1919 — 20 de Julho de 2012

José Hermano Saraiva 
1919 — 2012




José Hermano Saraiva, foi para muitos uma referência nacional na divulgação da História, das tradições e das gentes que fazem este nosso Portugal. Foi através de muitos vários programas de televisão da sua autoria, que conquistou reconhecimento pelos seus méritos e qualidades de comunicador.
Apesar de muito falar de História, nunca foi um investigador, e naturalmente nunca foi historiador, apesar de lhe apontarem muitas vezes este atributo. No entanto, nos meios académicos de investigação, era muitas vezes alvo de criticas, pois nem sempre se mostrou rigoroso naquilo que dizia nos seus programas, o que lhe valeu muitas vezes a alcunha de "Contador de Estórias". 
Apesar de possuir um passado pouco abonatório, sobretudo quando integrou o Governo do Estado Novo, e quando mandou reprimir as revoltas dos estudantes de Coimbra em 1969. O Engenho não quis deixar de prestar aqui uma homenagem a este senhor, pelo simples facto de ter num dos seus programas falado do Museu de papel de terras de Santa Maria e da sua história,  que por se situar em Paços de Brandão, elevou um pouco mais o nome da nossa terra.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Uma boa notícia em tempos de crise....

In: Jornal de Notícias:

Veículos a GPL vão poder aparcar em zonas subterrâneas



 


A Comissão Parlamentar de Economia e Obras Públicas aprovou, esta quarta-feira, um projeto-lei que prevê que os veículos a GPL e a gás natural passem a poder estacionar em parques subterrâneos e deixem de ter de usar dístico. 
"Depois de ouvir quatro associações do setor e de efetuar algumas alterações ao projeto-lei inicial, a comissão redigiu um texto comum que foi aprovado por todos os partidos", disse à Lusa a deputada socialista Hortense Martins. O projeto-lei que visa acabar com a proibição de os carros que usam GPL (gás liquefeito) em parques subterrâneos e com a obrigatoriedade de estes veículos ostentarem um dístico identificativo foi apresentado pelo PS em fevereiro deste ano, mas baixou à Comissão de Economia e Obras Públicas. 
"São dois elementos discriminatórios que não fazem sentido e que obstaculizam um maior uso do GPL, quando o mesmo deveria ser incentivado por se tratar de um combustível mais barato, mais verde e menos poluente", afirmou a deputada. Invocando um estudo elaborado para a APETRO - Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas, os socialistas consideram que "está provado que não existe risco na circulação nem no estacionamento deste tipo de veículos", que já dispõem de "sistemas adequados de segurança". 
 Segundo o PS e a APETRO, Portugal é também "dos poucos países europeus" onde estes automóveis continuam a não poder usar os parques subterrâneos" e, juntamente com a Bulgária e a Hungria, os únicos onde se mantém a obrigatoriedade do dístico. O projeto-lei que baixou à comissão mereceu, esta quarta-feira, o consenso de todos os partidos, depois de "efetuadas algumas alterações como o alargamento das novas normas aos carros a gás natural", acrescentou a deputada.
O novo projeto-lei aguarda agora aprovação no plenário, no qual a deputada espera que seja votado "com urgência" para "resolver uma situação que afeta milhares de consumidores" e acabar com os constrangimentos que levam a que em Portugal "estes veículos não tenham a expansão que se verifica noutros países".
 Segundo o PS, que cita dados da AEGPL (a associação europeia do setor), "a quota de mercado no ano de 2010 associada ao GPL Auto na Europa ascendia a 5% do total do parque automóvel". 

Nota do Engenho: Terminado que está o "Carnaval" futebolístico do Euro-2012, eis-nos de volta ao país real! A crise económico-financeira não desapareceu, tal como milhares de pessoas já puderam sentiram isso este mês, ao verem cortados os seus subsídios de férias para este ano. 
Porque os tempos são para poupar, esta proposta de lei que está para ser aprovada na Assembleia da República, e que permite a  possibilidade de os consumidores poderem usar o combustível GPL sem restrições nem descriminações, deve ser motivo de Alegria e regozijo de todos! Além de ser um dos raros momentos de consenso político no nosso país, esta medida pode ter um impacto directo importante nas finanças dos cidadãos, ao permitir uma redução significativa dos seus custos com  combustíveis.
Por outro lado, por ser um combustível menos poluente, é por isso mais limpo e amigo do ambiente. Podendo inclusive vir a tornar-se uma alternativa ao Diesel, sobretudo agora que foi comprovado  que existe uma relação directa entre os gases da sua combustão, e o cancro de pulmão. Sendo por isto, um factor de degradação da saúde pública.
O uso do GPL com esta nova legislação, mesmo exigindo na maioria dos casos um investimento inicial na adaptação dos veículos. É sem dúvida um golo certeiro que os Portugueses marcaram na baliza da Crise!

terça-feira, 15 de maio de 2012

Remédios para gente mais caros que os de cão!

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Hoje vamos pedir aos nossos leitores um pequeno exercício de imaginação:
Suponham que tiveram de ir a uma Farmácia, para adquirir um xarope de vitaminas (que não é obviamente comparticipado) para o vosso filho, e aproveitam a viagem para comprar umas bisnagas de um anti-parasitas para o vosso cão lá de casa, evitando com isto problemas de bicharada indesejável.
Até aqui tudo normal, ambos se vendem nas farmácias e pretendem servir para garantir, directa e indirectamente, a salvaguarda da saúde humana. Agora imagine que ao pagar, verifica que no preço do remédio para o cão, o imposto (6%) é menor que aquele que pagou pelo xarope (23%)! 
Nada mais ridículo não? Pois é, mas a verdade é que isso aconteceu mesmo, e nem sequer foi anedota  (ver imagem)! 
Numa época onde bens essenciais como a saúde, são cada vez mais inacessíveis ao comum mortal deste país. É completamente incompreensível e inaceitável, que um canídeo possa ser mais importante que um ser humano, e um remédio de cão tenha maiores benefícios fiscais que vitaminas humanas.
Infelizmente, são estas as  politicas seguidas por este governo PSD/CDS, as quais nos últimos tempos cortam cegamente a tudo e a todos. Mas depois, deixa cair no ridículo situações como esta.
É mesmo caso para pensar que há cães com mais sorte que algumas pessoas deste país...

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Futuro da Linha do Vale do Vouga?

In: Krónicas Feirenses

De quando em vez, como já todos sabem, ponho-me a olhar para o futuro… e já há algumas semanas que pretendia ponderar numa situação que recentemente tem sido alvo de algumas ideias: o futuro do Vouguinha.

Obviamente que todos concordamos que a actual Linha do Vouga se apresenta como um transporte obsoleto e sem qualquer capacidade de atracção de passageiros. Depois do anúncio imponderado do encerramento lá chegou a notícia da continuidade… mas será tempo de ponderar o futuro. Os autarcas falam na requalificação da linha, ligando o EDV a Espinho e com isso criando uma nova ligação directa ao Porto. Será essa a melhor solução?

Vamos por partes. Parece-me claro que a ligação ao Porto deva ser o futuro. Uma zona territorial que se integra na Área Metropolitana do Porto deverá estar devidamente servida de transportes públicos, nomeadamente o ferroviário, para a zona central dessa mesma unidade de integridade urbana. Mas será uma ligação por Espinho a melhor opção?

Se pensarmos no traçado actual do Vouguinha veremos que de Oliveira de Azeméis a Espinho as carruagens se limitam a cumprir curvas num traçado sinuoso e que não serve uma grande fatia (quase metade) da população… por acaso, a população do eixo industrial a norte do concelho da Feira e sul do concelho de Gaia. Ponto forte contra a ligação por Espinho, se pensarmos que estes potenciais utilizadores, por estarem mais próximos do Porto, serão os que terão maiores necessidades de transporte para esse local. Assim, adivinha-se uma solução de recurso. E não foi preciso ponderar muito.

Requalificar o Vouguinha implicará fazer tudo de novo. Então, porque não ponderar todo o conceito da linha? Rapidamente se compreende que o traçado rumo ao Porto terá de ser bem diferente do actual, por Espinho. Partindo de Oliveira de Azeméis, com os devidos ajustes no traçado, a chegada a S. João da Madeira parece-me pacífica. Daí para a frente o caso muda de figura: a panóplia de estações e apeadeiros terá de mudar, diga-se reduzir. Partiremos obviamente de Arrifana e depois fica a questão: com uma correcção e linearização do percurso, fará sentido mais alguma estação até à entrada na Feira? Se Arrifana poderá servir também Escapães, a estação actual estação Vila da Feira (designada no esquema proposto por Feira-Sanfins) poderá servir Fornos, Sanfins e parte de Escapães. Assim se justificaria uma considerável conquista de tempo no percurso. Mais adiante, obviamente que se justificaria uma nova estação central em Santa Maria da Feira (porque não nas traseiras do hospital, local onde se planeia a construção do Centro Coordenador de Transportes) e claro que um acesso ao Europarque… e daí para a frente um traçado completamente novo seria desejável. Sempre a direito rumo a S. João de Ver (fronteira com Rio Meão), uma paragem na Lourosa-Lamas e mais uma a norte do concelho (Mozelos-Nogueira). Penso que não precisaremos de estudos sem fim para demonstrar a mais-valia deste percurso face o actual… e quanto a Gaia nem se pergunta: Grijó, Seixezelo e Carvalhos seriam paragens obrigatórias. Depois seria tempo de pensar numa linha a poente ou a nascente da cidade de Gaia. Se já temos um canal ferroviário a poente e quando se projecta uma segunda linha de Metro, também esta a poente, parece-me que a população a nascente da cidade de Gaia deva ser privilegiada. Assim, a partir de Vila D’ Este (onde a linha poderia fazer ligação ao Metro do Porto, considerando a expansão futura da rede) seriam de equacionar paragens em Vilar de Andorinho e Oliveira do Douro, antes da linha atingir a Ponte S. João e, com isso, as estações de Campanhã e, desejavelmente, também S. Bento.

Quanto ao acesso ao Porto, penso que não restam dúvidas das vantagens desta solução contra a opção Espinho, que seria certamente menos frequentada (dado servir um menor número de potenciais passageiros) e complicaria uma linha já caótica. De qualquer forma, seria desejável a continuidade do serviço ferroviário nas áreas servidas pelo actual traçado do Vouguinha e, claro, uma ligação a Espinho e à Linha do Norte (permitindo, por exemplo, o acesso a Lisboa sem uma necessária deslocação ao Porto). Pode, então, sugerir-se a construção de um curto ramal de ligação entre as linhas, por exemplo, entre a Feira e Espinho, com alguns ajustes no número de paragens.

Para melhor visualização da ideia, deixo um quadro resumo, como que uma pedrada no charco, na expectativa de num futuro próximo (que esperemos seja curto) seja possível viajar até ao Porto num transporte público mais eficaz e menos poluente.
Hipotética Linha Oliveira de Azeméis-Porto e Ramal de Ligação a Espinho
Ainda a considerar que, em cada uma das cidades do EDV, o conceito de transportes deveria passar a ter em conta a integração com a nova linha, por exemplo com os autocarros expresso, autocarros urbanos, linhas de periferia e, ainda, táxi. As novas estações deveriam ser equacionadas no sentido da intermodalidade, permitindo o estacionamento de veículos nas imediações, permitindo, com isso, que a utilização seja potenciada pela facilidade de acesso. A integração no sistema Andante parece-me fundamental!

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Camarate 32 anos depois a verdade incoviniente?

Nota do Administrador: 
A alegada carta de Fernando Farinha Simões sobre Camarate que aqui vamos reproduzir, verdadeira ou não, merece uma análise profunda, mas sobretudo, exige um esclarecimentos cabal pelos visados dada a importância das revelações efectuadas no documento.
Eu, Fernando Farinha Simões, decidi finalmente, em 2011, contar toda a verdade sobre Camarate. No passado nunca contei toda a operação de Camarate, pois estando a correr o processo judícial, poderia ser preso e condenado. Também porque durante 25 anos não podia falar, por estar obrigado ao sígilo por parte da CIA, mas esta situação mudou agora, ao que acresce o facto da CIA me ter abandonado completamente desde 1989. Finalmente decidi falar por obrigação de consciência. Fiz o meu primeiro depoimento sobre Camarate, na Comissão de Inquérito Parlamentar, em 1995. Mais tarde prestei alguns depoimentos em que fui acrescentando factos e informações. Cheguei a prestar declarações para um programa da SIC, organizado por Emílio Rangel, que não chegou contudo a ir para o ar. Em todas essas declarações públicas contei factos sobre o atentado de Camarate, que nunca foram desmentidos, apesar dos nomes que citei e da gravidade dos factos que referi. Em todos esses relatos, eu desmenti a tese oficial do acidente, defendida pela Polícia Judiciária e pela Procuradoria Geral da Republica. 
Numa tive dúvidas de que as Comissões de Inquérito Parlamentares estavam no caminho certo, pois Camarate foi um atentado. Devo também dizer que tendo eu falado de factos sobre camarate tão graves.e do envolvimento de certas pessoas nesses factos, sempre me surpreendeu que essas pessoas tenham preferido o silêncio. Estão neste caso o Tenente Coronel Lencastre Bernardo ou o Major Canto e Castro. Se se sentissem ofendidos pelas minhas declarações, teria sido lógico que tivessem reagido. Quanto a mim, este seu silêncio só pode significar que, tendo noção do que fizeram, consideraram que quanto menos se falar no assunto, melhor. Nessas declarações que fiz, desde 1995, fui relatando, sucessivamente, apenas parte dos factos ocorridos, sem nunca ter feito a narração completa dos acontecimentos. Estavamos ainda relativamente proximos dos aconntecimentos e não quis portanto revelar todos os pormenores, nem todas as pessoas envolvidas nesta operação. Contudo, após terem passado mais de 30 anos sobre os factos, entendi que todos os portugueses tinham o direito de conhecer o que verdadeiramente sucedeu em Camarate. Não quero contudo deixar de referir que hoje estou profundamente arrependido de ter participado nesta operação, não apenas pelas pessoas que aí morreram, e cuja qualidade humana só mais tarde tive ocasião de conhecer, como do prejuízo que constituiu, para o futuro do país, o desaparecimento dessas pessoas. Naquela altura contudo, camarate era apenas mais uma operação em que participava, pelo que não medi as consequências. Peço por isso desculpa aos familiares das vítimas, e aos Portugueses em geral, pelas consequências da operação em que participei. Gostaria assim de voltar atrás no tempo, para explicar como acabei por me envolver nesta operação. Em 1974 conheci, na África do Sul, a agente dupla alemã, Uta Gerveck, que trabalhava para a BND (Bundesnachristendienst) - Serviços de Inteligência Alemães Ocidentais, e ao mesmo tempo para a Stassi. A cobertura legal de Uta Gerveck é feita atravez do conselho mundial das Igrejas (uma espécie de ONG), e é através dessa fachada que viaja praticamente pelo Mundo todo, trabalhando ao mesmo tempo para a BND e para a Stassi. Fez um livro em alemão que me dedicou, e que ainda tenho, sobre a luta de liberdade do PAIGC na Guiné Bissau. O meu trabalho com a Stassi veio contudo a verificar-se posteriormente, quando estava já a trabalhar para a CIA. A minha infiltração na Stassi dá-se por convite da Uta Gerveck, em l976, com a concordância da CIA, pois isso interessava-lhes muito. Úta Gerveck apresenta-me, em 1978, em Berlim Leste, a Marcus Wolf, então Director da Stassi. Fui para esse efeito então clandestinamente a Berlim Leste, com um passaporte espanhol, que me foi fornecido por Úta Gerveck. 0 meu trabalho de infiltração na Stassi consistiu na elaboração de relatórios pormenorizados acerta das “toupeiras" infiltradas na Alemanha Ocidental pela Stassi. Que actuavam nomeadamente junto de Helmut Khol, Helmut Schmidt e de Hans Jurgen Wischewski. Hans Jurgen Wischewski era o responsável pelas relações e contactos entre a Alemanha Ocidental e de Leste, sendo Presidente da Associação Alemã de Coopenção e Desenvolvimento (ajuda ao terceiro Mundo), e também ia às reuniões do Grupo Bilderberg. Viabilizou também muitas operações clandestinas, nos anos 70 e 80. de ajuda a gupos de libertação, a partir da Alemanha Ocidental. Estive também na Academia da Stassi, várias vezes, em Postdan - Eiche. Relativamente ao relatodos factos, gostaria de começar por referir que tenho contactos, desde 1970, em Angola, com um agente da CIA, que é o jornalista e apresentador de televisão Paulo Cardoso (já falecido). Conheci Paulo Cardoso em Angola com quem trabalhei na TVA - Televisão de Angola na altura. Em 1975, formei em Portugal, os CODECO com José Esteves, Vasco Montez, Carlos Miranda e Jorge Gago (já falecido). Esta organização pretendia, defender, em Portugal, se necessário por via de guerrilha, os valores do Mundo Ocidental. Atrav´s de Paulo Cardoso sou apresentado, em 1975, no Hotel Sheraton, em Lisboa, a um agente da CIA, antena, (recolha de informações), chamado Philip Snell. Falei então durante algum tempo com Philip Snell. O Paulo Cardoso estava então a viver no Hotel Sheraton. Passados poucos dias, Philip Snell, diz-me para ir levantar, gratuitamente, um bilhete de avião, de Lisboa para Londres, a uma agência de viagens na Av. de Ceuta, que trabalhava para a embaixada dos EUA. Fui então a uma reunião em Londres, onde encontrei um amigo antigo, Gary Van Dyk, da África do Sul, que colaborava com a CIA. Fui então entrevistado pelo chefe da estação da CIA para a Europa, que se chamava John Logan. Gary Van Dyk, defendeu nessa reunião, a minha entrada para a CIA, dizendo que me conhecia bem de Angola, e que eu trabalhava com eficiência. Comecei então a trabalhar para a CIA, tendo também para esse efeito pesado o facto de ter anteriormente colaborado com a NISS - National Intelligence Security Service ( Agência Sul Africana de Informações). Gary Van Dyk era o antena, em Londres, do DONS - Department Operational of National Security ( Sul Africana ). Regressando a Lisboa, trabalhei para a Embaixada dos EUA, em Lisboa entre 1975 e 1988, a tempo inteiro. Entre 1976 e 1977, durante cerca de uma ano e meio vivi numa suite no Hotel Sheraton, o que pode ser comprovado, tudo pago pela Embaixada dos EUA. Conduzia então um carro com matrícula diplomática, um Ford, que estacionava na garagem do Hotel. Nesta suite viveu também a minha mulher, Elsa, já grávida da minha filha Eliana. O meu trabalho incluia recolha de informações /contra informações, informações sobre tráfico de armas, de operações de combate ao tráfico de droga, informações sobre terrorismo, recrutamento de informadores, etc. Estas actividades incluem contactos com serviços secretos de outros países, como a Stassi, a Mossad, e a "Boss" (Sul Africana), depois NISS - National Information Sectret Service, depois DONS e actualmete SASS. Era pago em Portugal, reccebendo cerca de USD 5.000 por mês. Nestas actividades facilita o facto de eu falar seis línguas. Actuei utilizando vários nomes diferente, com passaportes fornecidos pela Embaixada dos EUA em Lisboa. Facilitava também o facto de eu falar um dialecto angolano, o kimbundo. A Embaixada dos EUA tinha também uma casa de recuo na Quinta da Marinha, que me estava entregue, e onde ficavam frequentemente agentes e militares americanos, que passavam por Portugal. Era a vivenda "Alpendrada". A partir de 1975, como referi, passei a trabalhar directamente para a CIA. Contudo a partir de 1978, passei a trabalhar como agente encoberto, No chamado "Office of Special Operations", a que se chamava serviços clandestinos, e que visavam observar um alvo, incluindo perseguir, conhecer e eliminar o alvo, em qualquer país do mundo, excepto nos EUA. Por pertencermos a este Office, éramos obrigados a assinar uma clausula que se chamava "plausible denial" que significa que se fossemos apanhados nestas operações com documentos de identificação falsos, a situação seria por nossa conta e risco, e a CIA nada teria a ver com a situação. Nessa circunstância tínhamos o discurso preparado para explicar o que estavamos a fazer, incluindo estarmos preparados para aguentar a tortura. Trabalhei para o "Office of Special Operations ” até 1989, ano em que saí da CIA. Para fazer face a estes trabalhos e operações, as minhas oontas dos cartões de crédito do VISA, American Express e Dinners Club, tinham, cada uma, um planfond de 10.000 USD, que podiam ser movimentados em caso de necessidade. Estes cartões eram emitidos no Brasil, em bancos estrangeiros sedeados no Brasil, como o Citibank, o Bank of Boston ou o Bank of America. Entre 1975 e 1989, portanto durante cerca de 14 anos, gastei com estes cartões cerca de 10 milhões de USD, em operações em diversos paises, nomeadamente pagando a informadores, politicos, militares, homens de negócios, e também traficantes de armas e de drogas, em ligação com a DEA (Drug Enforcement Agency), Existiram outros valores movimentados à parte, a partir de um saco azul, “em cash”, valores esses postos à disposição pelo chefe da estação da CIA, no local onde as operações eram realizadas.