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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
sábado, 12 de janeiro de 2013
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Bússola - Imagina-te AQUI na Festa das FOGACEIRAS
Enviado por e-mail:
Reza a lenda que há mais de 500 anos, a peste negra assombrava as Terras de Santa Maria, provocando um enorme número de vítimas. Abalada com o sucedido e constando a sua impotência na luta contra a enfermidade, a população local apelou ao mártir S. Sebastião para que a livrasse de tamanha tormenta. Segundo os registos, no dia 20 de Janeiro de 1505, o Mártir ouviu as preces do povo de Santa Maria, que prometia a oferta de um doce tradicional, em troca de saúde. Foi desta forma que a peste negra foi banida destas terras.
A população fez, então, um voto ao Mártir e, desde essa altura, todos os anos a 20 de Janeiro a Fogaça volta a ser a rainha de uma tradição que continua a mover a população.
Não querendo este ano fugir à regra, no dia 20 de Janeiro voltamos a sair à rua… voltaremos a cumprir a tradição!
É neste âmbito que temos mais uma oportunidade para fotografar Santa Maria da Feira, as suas gentes, e a sua mais peculiar tradição secular. Fica, então, mais um convite à mobilização de fotógrafos amadores e profissionais, rumo a um registo íntegro de mais uma edição da Festa das Fogaceiras, integrando o projeto "Imagina-te AQUI".
Até lá, queremos recordar imagens de outras edições da Festa… aceitas o desafio para a partilha?
Contamos contigo!
sábado, 5 de janeiro de 2013
CiRAC - (Encontro de Teatro 2012) Pedro Tochas
Pedido de divulgação enviado por e-mail:
PEDRO TOCHAS - NA PONTA DA LÍNGUA
Pedro Tochas responde.
Sempre em busca de formas inovadoras de comunicar com o público e de levar a interacção a novos níveis, Pedro Tochas apresenta NA PONTA DA LÍNGUA, espectáculo onde responde a tudo o que lhe perguntam.
Cada performance é única e tem como ponto de partida a curiosidade do público.
Tudo pode ser objecto de interesse: o processo criativo, os melhores e piores momentos, as vergonhas e os triunfos, até as pequenas e grandes histórias do actor.
Todos são convidados a participar nesta aventura, onde ficarão a saber tudo o que sempre quiseram (ou não) saber sobre Pedro Tochas.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
CiRAC - Feliz Natal
Enviado por e-mail:
O CiRAC deseja a todos os amigos, sócios e colaboradores um Feliz Natal e um Ano de 2013 cheio de sucesso e felicidade...
sábado, 22 de dezembro de 2012
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
CONTRIBUTO PARA A HISTÓRIA DA PARÓQUIA DE SÃO CIPRIANO DE PAÇOS DE BRANDÃO - 5
HISTÓRIA LOCAL
Por: Carlos varela
O que poderá levar ao
conhecimento da história de um pequeno espaço, em que a vida se foi
desenvolvendo, em tempos, que quase se perdem na memória das pessoas? Primeiro
que tudo, tem que haver um certo amor a essa terra, para que se possa efectuar
a sua História Local. Depois, tem que existir uma certa curiosidade, em
conhecer a comunidade em que estamos inseridos. Não é fácil encontrar soluções
que agradem a todos, não é fácil aplicar os conceitos normais de história, sem
ferir, por vezes, certas concepções previamente estabelecidas, e, muitas vezes
descritas de tal maneira afastadas da realidade. Não é fácil fazer crer às
pessoas que outro motivo, senão o se ter encontrado um passatempo delicioso,
nos leva a pesquisar o passado de uma certa paroquia e contribuir, assim para
um melhor conhecimento do seu passado e principalmente da sua origem.
Por vezes, certas autarquias
encomendam uma Monografia da sua terra. A pessoa encarregada de a fazer, nem
sempre o faz com gosto e muitas vezes afasta-se do critério histórico. Certos
acontecimentos são narrados, de tal maneira enfatizados, e com o objectivo de
celebrarem qualquer data, que ao leitor mais atento, e, conhecedor de história,
não passará despercebido, tais imprecisões históricas.
A História Local, tem que se
servir de fontes, o que nem sempre é fácil de encontrar, mas encontradas elas
devem ser publicadas, são as provas do que se escreveu e poderão servir para
novos investigadores. Temos que ter um cuidado muito especial na análise e
crítica de fontes manuscritas, referentes à localidade que pretendemos retractar,
é que alguns autores tentam, de certa maneira, glorificar a sua terra sem
olharem a meios, em História Local, não se pode «inventar».
Um dos grandes problemas que
se encontra, e no que concerne a heráldica e genealogia, quando se investiga a
origem de uma terra, que é referenciada em documentos na idade média com um
nome, por exemplo, «Palatiolo», e, que em determinada época aparece
acrescentado com um nome patronímico, «Palaciolo Blandom» (século XIII), é
determinar o momento e as causas que levaram a que tal se operasse.
Por vezes, certos Autores de
Monografias escolhem a maneira mais fácil ou mais conveniente, de retratarem as
origens de uma Paróquia. Descrevem-nos coisas totalmente abstratas e fora da
realidade histórica, é notório tais factos se relacionarem com heráldica e
genealogia, lê-se coisas incríveis, como a de no século XI, estarem
relacionadas casas brasonadas a pessoas que lhes dão certas e determinadas
origens, sem contudo nos fornecerem qualquer suporte documental.
Nunca é demais lembrar o que
o Visconde de Sanches de Baena, nos diz em “Archivo Heraldico – Genealogico” –
Lisboa, 1872, acerca de «cartas de brasão», e do que se passou desde o seu uso
em Portugal até ao século dezanove.
Diz-nos que: «A carta de brasão de armas mais antiga que
se encontra hoje (1872) nas chancelarias dos reis de Portugal é a que foi
mandada passar a Gil Simões por el-rei D. Duarte, trinta dias antes da morte
deste monarca: o que não obsta a que, cinquenta anos antes, o uso legal das
armas de família fosse instituído e determinado por sanção régia».
Com a morte de D. Fernando,
e as lutas entre a sua filha a rainha D. Brites, casada com D. João de Castela,
e, o mestre de Aviz e rei D. João I, filho bastardo de D. Pedro I, grande parte
das famílias nobres que seguiram a opinião de Castela ficaram extintas e
acabadas de todo, e algumas que sustentaram as partes de el-rei D. João I foram
de novo levantadas a grande lugar. Estas não eram antes conhecidas; para se
acreditarem com o povo tomaram em muitas partes os apelidos e armas de outras
famílias antigas, que lhes não pertenciam. E assim diz-se que no dia da batalha
de Aljubarrota estavam as bandeiras dos aventureiros, cheias de várias armas e
insígnias, que a muitos não competiam.
É sem dúvida no reinado de
D. João I, e depois da batalha de Aljubarrota, que teve princípio em Portugal a
arte heráldica; a qual era exercida exclusivamente pelos reis de armas, arautos
e passavantes, sob a denominação de oficiais de armas.
Com os trágicos
acontecimentos do 1º de Novembro de 1755, em consequência dos incêndios que se
declararam nos prédios atingidos pelo terramoto na parte baixa de Lisboa,
perderam-se treze valiosíssimos livros do Cartório da Nobreza, em que estavam
registadas cerca de três mil cartas de brazões de armas; destas apenas cento e
cinquenta foram salvas, por se acharem copiadas em um livro particular que
estava fora do cartório, e que pertencia ao reformador de então, frei Manuel de
Santo António.
O Visconde de Sanches de
Baena, em página XVII, dos Preliminares ao livro “Archivo Heraldico –
Genealogico”, diz-nos que, «…quão imenso
é o numero de pessoas, que na actualidade (1872) se pavoneiam com brasão de
armas, na portinhola de suas carruagens, em aneis, e nos diferentes lugares em
que eles se podem colocar, isto em flagrante contravenção de todas as leis
antigas e modernas, e a despeito das penas nelas cominadas.» (Há uma lei que determina que dentro do
prazo de dois meses todas as graças e mercês regias sejam registadas no Real
Arquivo, sob pena de ficarem de nenhum efeito: mas não obstante esta disposição
poucos são os brazões, tanto de mercê nova como de sucessão, que vão ao registo
competente.).
«E
note-se que sobre todos são os titulares os que com mais ostentação incorrem
nessas penas!»
Até ao ano de 1856 existiam,
não menos, de trezentos e quinze titulares; desde então para cá tem crescido
prodigiosamente o número de titulares. É-nos referido que desde 1841 se tem
passado cento e trinta e quatro cartas de sucessão, e de mercês novas quarenta
e uma (pertencentes dezasseis destas aos anos decorridos de 1865 a 1872). São
mais as mercês novas neste período que todas as concedidas em todo o tempo
anterior da monarquia, a contar de 1438! Causa espanto e admiração como se têm
dado tantas mercês novas ultimamente a pessoas, que pela maior parte nem ao
menos alegaram haver prestado alguns serviços ao país, quando semelhantes
graças só podem ser conferidas por virtude de relevantíssimos serviços
autenticamente provados. Por um lado impõe o governo, um direito quase
proibitivo a quem quer fazer uso legal de suas armas; pois de cada carta de
brasão passada hoje entram nos cofres públicos 242$000 réis – e por outro
concede-as de um modo pouco decoroso, porque as facilita ao primeiro bem-vindo
que pode e quer pagar as despesas – a até consente, tolera e apoia que todo o
mundo as traga sem pagar nada!... Apoia, dizemos; porque em repartições
públicas, tanto eclesiásticas como civis, há chefes que usam de selos e
«signetes» com armas que ou não são suas, ou se o são não pagaram para as usar
os competentes direitos.
É neste contexto e nesta
época que, o padre José da Cruz, reformador do cartório da Nobreza, que através
de «uns títulos conservados entre papéis», e, sem qualquer outro suporte
documental, nos diz que os Brandões são originários da Normandia, pois dois
irmãos, Fernando e Carlos Brandão, de lá passaram a Portugal com o conde D.
Henrique. Cristóvão Alão de Morais, em “PEDATURA LUSITANA”, dá-lhes como origem
a Inglaterra, no entanto abre o título de Brandões com o Conde D. Pedro, «O Conde D. P.º no seu livro não faz título
particular dos Brandões, e só fala neles por razão de algumas mulheres com que
casarão». Felgueiras Gayo, em “NOBILIÁRIO DE FAMÍLIAS DE PORTUGAL”, abre o
título de “BRANDOENS”, com Gracia Martins Brandão, casado com D. Mayor Rz de
Urro (Brandoins antigos) e em Brandoens, diz-nos que: «O Primeiro de que temos notícia é de Carelos Brandão que passou a este Reino
no tempo do Conde Henrique e jaz enterrado no Mosteiro de Grijó: tomou o
Apelido de Brandão por assistir no Passo de Brandão: era o dignatário Carelos
Brandão Fidalgo Inglês.» Não nos diz com quem casou, mas aponta-lhe um filho: Martin Brandão.
Como acabamos de observar a
situação em que se encontrava a Nobiliarquia Portuguesa nos séculos XVII – XIX
era mesmo uma questão deveras complicada. O problema, já se tinha verificado no
tempo do nosso Rei D. João I, com a Restauração em 1640, veio novamente a
sofrer diversas alterações, pois os nobres partidários dos Filipes, foram
«varridos» das suas funções e os seus títulos de nobreza entregues aos partidários
do Rei D. João IV; com o terramoto de 1º de Novembro de 1755, sucedeu o que
atrás ficou relacionado; com D. Maria I, devido às invasões francesas, tudo se
deslocou com a família real para o Brasil; nas lutas entre D. Miguel I e seu
Irmão D. Pedro IV e no reinado de D. Maria II, sucedeu aquilo que o Visconde de
Sanches de Baena nos descreve; era um pântano cultural e político e como que
numa pedrada nesse charco, surge-nos o Alexandre Herculano, cujos trabalhos
históricos são, ainda hoje, de consulta obrigatória para os nossos
historiadores.
Espero que o que acabaram de
ler, sirva de reflexão, e de incentivo a uma procura mais esclarecedora em
matéria de história. Em artigo que, em breve, terão oportunidade de ler, será
dedicado, aos BRANDÕES e as suas origens e procurarei explicar o porquê de
dizerem que eles tiveram origem na Normandia, Inglaterra, França, Irlanda,
etc., e não aceitarem a sua origem em terras do actual Portugal. Procurarei
estabelecer a sua relação com a nossa Paróquia de São Cipriano de Paços de
Brandão.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
CONTRIBUTO PARA A HISTÓRIA DA PARÓQUIA DE SÃO CIPRIANO DE PAÇOS DE BRANDÃO - 4
O CARTULÁRIO BAIO-FERRADO DO MOSTEIRO DE GRIJÓ
Por: CARLOS VARELA
Um Cartulário, como se sabe,
é um registo de documentos de uma determinada época, referentes a uma
instituição religiosa. No caso presente, refere-se ao Mosteiro de Grijó,
séculos XI – XIII. Não me vou ocupar da historiografia do Mosteiro, mas sim
ocupar-me, de uma maneira muito simples e resumida, da importância, muito
relevante, que o Cartulário de Baio-Ferrado tem para o conhecimento da História
– Local da nossa Paróquia de São Cipriano de Paços de Brandão. Oportunamente a
historiografia do Mosteiro de São Salvador de Grijó, bem como o de Pedroso,
será tema de mais um artigo.
Nem sempre se encontram
documentos medievais publicados, em latim, e com tanto rigor histórico, como
aqueles que estão expressos em “LE
CARTULAIRE BAIO-FERRADO DU MONASTÈRE DE GRIJÓ”. Introdution et notes de ROBERT
DURAND – Fundação Calouste Gulbenkian (Centro Cultural Português), Paris 1971.
São, nas palavras de J. Mattoso, «riquezas escondidas, que Robert Durand põe ao
alcance dos historiadores», levam-nos a percorrer o Mosteiro de Grijó, desde 18
de Dezembro de 922 até ao ano de 1264.
É este o trabalho, de que me
vou utilizar, para dar a conhecer todas as entradas que se referem a Paços de
Brandão, não vou transcrever os documentos, contudo se alguém tiver curiosidade
em os conhecer, estou à disposição para lhes facultar a sua consulta e
respectiva leitura. Em nenhum documento deste Cartulário é referida qualquer
personalidade com o apelido de «Brandão» ou idêntico a tal, em documentos
referentes a Paços, o que, como já foi tratado, por mim, só se encontra no
Livro das Campaínhas, referente aos Fidalgos Naturais deste Mosteiro.
No entanto encontra-se no
Doc.216 de 17 de Janeiro de 1126 uma personagem com o nome de «Tructesindo
Brandiaz», referente a uma venda de Mendo Ramires e sua mulher, Godinha
Mendes, a Nuno Soares e sua mulher, Elvira Gomes, por 50 «módios», as suas
propriedades em Vermoim e quatro salinas.
No Doc. 128, de 1079, 12 de
Abril, em que Fernando e Eio Truitiz vendem a João Ataniz, por dois «bracales»
dobrados, a sua propriedade de Tarouquela, é testemunhado por:«Fernandus, ts; Brandia, ts; Didacus, ts; Pinnoo, ts. Sesnandus notuit.»
São estes os únicos
documentos em que são intervenientes pessoas, que usam nos seus nomes, Brandiaz (Doc.216 de 1126) e Brandia (Doc. 128 de 1079).
Para um melhor
esclarecimento, para aqueles menos familiarizados com estes assuntos, relaciono
documentos em que a Condessa D. Teresa é interveniente e que vem sustentar as
afirmações de que se o Conde D. Henrique, com quem era casada, tivesse doado
qualquer propriedade situada em Paços, de certeza que estaria referida neste
Cartulário e confirmada pela «regina Tharasia de Portugale», em representação
de seu pai Afonso VI de Leão e Castela.
1112, 15 de Maio – Doc. 34 –
A infanta Teresa doua a Mendo Gonçalves e a sua mulher, Maior Gonçalves, pelos
serviços prestados, os bens que possui a Crasto, (refere-se a casal de Castro
em Perosinho, junto da estrada real do Porto até o lugar de Guimarães). «In Dei nomine. Ego infans Tarasia, boni regis Alfonsi filia…»
1122, 8 de Março – Doc. 203
– A «Rainha» Teresa doua a Diogo Aires Alvane, como título de contrato (do qual
o montante se eleva a 180 «módios), dos prédios situados em Casal, Pomar Ermo
(?), Covelos e Cardielos. «In Dei nomine.
Ego regina Tarasia, boné indolis regis Adefonsi filia…»
Documentos em que se
relacionam bens, transicionados, doados ou permutados referentes a esta
Paróquia de São Cipriano de Paços de Brandão:
DATA – DOC.BAIO-FERRADO
DESCRIÇÃO
1134,
27 Junho 206 - Garcia Odoriz e sua mulher,
Sancha Pais, trocam
com Nuno Soares e sua mulher, Elvira Gomes, e
os cónegos de São Salvador, as suas terras em
Paços, por 20 «módios» e uma parte de uma terra
situada em Vila Cova. (…in ville Palatiolo…).
1135,
14 Junho 209 - Telo Alvares e sua mulher,
Ouroana Mendes,
trocam com Garcia Odoriz e sua mulher, Sancha
Pais, uma terra situada em Paços por outra em
Lavandeira. (…de hereditare nostra
própria quam
habemus in villa Palatiolo et subtus monte
Sagittella, discurrente rivulo
Maior….)
1137,
12 Fevereiro 207 - Nodario Cides e sua mulher, Elvira
Pais, vendem a
Paio Tructesendes, seu sobrinho, por 80 «módios»
a sua propriedade de Paço. (…cartam
venditionis
de hereditate nostra própria quam habemus in
villa de Palatiolo…)
1138,
29 Janeiro 56 - Boa Pais doa a São Salvador, metade de
imediato e
a
outra metade, de 1/5 de todos os bens que ela
possue
em Paços. (…, quintam scilicet partem de
omni illa quam habeo in villa
Palatiolo…)
S.d.-(depois
1138)? 80 Boa Pais e seus filhos bem como
Garcia Odoriz e
sua mulher, Sancha Pais, comprometem-se a não
alienar os seus bens sem consentimento de São
Salvador; eles
solicitam, em contrapartida, a
protecção do priorado e pedem para aí serem
sepultados.
1140,
6 Junho 94 Ouroana Tructesendes e seu marido,
Pedro Pais,
prometem a São Salvador, à sua morte, o 1/5 da sua
propriedade de Paço; eles solicitam aos cónegos e ao
priorado, auxílio e protecção;
Ouroana pede também
para ser sepultada no priorado. (…quam
habemus vel
habitu sumus in villa
de Palaciolo,…)
1141,
Junho 106 Pedro Guterres e sua mulher, Sancha
Nunes, de uma
parte, os cónegos de São Salvador, da outra, compro-
metem-se a não alienar a propriedade que eles têm em
coopropriedade em Paço, senão por mútuo acordo.
(…facimus inter nos placitum
legitimum de illa
hereditate quam habemus vel deinceps habuerimus
In villa Palatiolo…)
1141,
Junho 210
-Pedro Godins e sua mulher, Sancha Nunes, trocam com
Elvira
Gomes, os seus bens de Lavadorinhos com outro
situado em Paço.(Et accepimus aliam
hereditatem a
vobis in villa Palatiolo).
1143,
Maio 90 -Gonçalo Pais e sua mulher, confirmam o seu
testamento
em
favor de São Salvador; eles pedem, em contrapartida,
auxílio e protecção aos cónegos e aos priores, e que
sejam aí sepultados.
1143,
Abril 92 Pedido idêntico ao anterior, efectuado por
Paio Moniz e
sua
mulher, Boa Soares.
1156,
Abril 208 -Maria Mendes e seus filhos, e Paio Moniz
vendem aos
Cónegos de São Salvador, por 20 «módios», a sua
propriedade de Paço. (…de
hereditare nostra quam
habemus in villa Palatiolo…)
1159
?, Dezembro 211 -Gonçalo Soares renuncia a reivindicar
como seu, uma
parte de uma propriedade situada em Paço e pertencente
aos
cónegos de São Salvador. (Ego Gunsalvus
Suariz feci
querimoniam refi Ildefonso de hereditate
patris mei seu
avorum meorum quam vos, canonici Ecclesiole, in villa
Palatiolo tenebatis.)
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
CONTRIBUTO PARA A HISTÓRIA DA PARÓQUIA DE SÃO CIPRIANO DE PAÇOS DE BRANDÃO - 3
Por:
Carlos Varela
DO
PALATIOLO AO PAÇOO
Em as «VILLAS» do Norte de Portugal encontra-se uma descrição, deveras interessante, e que nos leva a ter uma melhor percepção, do que era, no tempo dos Romanos, um «palatium»: - «Com o seu terreno fresco e abundante de nascentes, era uma pequena propriedade, regulando por 60 hectares, repartidos agora por quatro casais de lavoura e cinco cabanas. Uma gleba denominada – campo de paço (palatium), está a revelar a sua organização romana; nele esteve a villa urbana, a antiga habitação do dominus, do primeiro proprietário deste prédio».
Foi a vivendas, semelhantes
à descrita, que eram térreas, a que o povo chamou palatium (paço), menos
pela aparência grandiosa que não tinham, mas por estar nela a administração de
seu pequeno mundo e aí residir o dominus, quase o seu soberano.
Uma vez porém que a villa
urbana por força havia de ter existido, visto ser um elemento essencial
da ordem no regime romano e visigótico, a sua denominação própria, aparece-nos
fixado na toponímia, encontramos já no ano de 747, em documentos da Galiza, um
nome comum antigo – palatium, cuja
significação se adapta a essa vivenda dominical – Palatio – Palatii – e em nossos documentos como – villa
palatiolo (ano de 922, 924 …) – palatio
(ano de 950). Esta palavra foi de prática seguida e prolongada, sem o
que não se teria gravado no onomástico local, contendo uma noção de autoridade
ou de governo, adoptou-a aqui o povo no tempo romano para exprimir a habitação
do proprietário , pois era este realmente quem governava todos os habitantes da
«villa»; do mesmo modo então ela se
chamava também «praetorium», cujo
sentido no fundo é quase idêntico.
Em “OPUSCULOS”, Volume I –
FILOLOGIA (Pgs. 546 a 550), de J. Leite
de Vasconcellos, Coimbra 1928 – Imprensa da Universidade, encontramos elementos
para a história da palavra PALATIUM, que em parte vou
transcrever:
«Ás vezes por motivos
fonéticos e históricos as palavram experimentam, no decorrer dos séculos,
transmudamentos curiosos, acontecendo que de uma que a princípio tinha certa
forma e significado resulta, após muito tempo, outra ou outras muito diversas
da primeira. Vou dar um exemplo.
Dos sete montes em que
Roma fôra edificada, ou Septimontium,
um chamava-se, como é sabido, Palatium,
denominação talvez proveniente, como quer o Dºr. Walde, de palus, «estaca»: do que poderemos concluir que aí teria havido em
data antiquíssima uma «estacada» ou «estacaria», defesa militar, que muitas
vezes se observa em povos de carácter primitivo. No Palatium estabeleceu o Imperador Augusto a sua habitação, o que os
sucessores continuaram fazendo. Disto veio o dar-se ao edifício o nome do
sítio, e tornar-se palatium nome
comum na acepção de «morada de monarca».
«…Este fenómeno que,
aplicado individualmente ao estilo, os retóricos chamam metonímia, é muito corrente na língua moderna, e basta abrir um
dicionário para encontrar, por exemplo: madeira, em vez de vinho produzido na
Ilha da Madeira, etc.
Palatium
tinha o adjectivo palatinus, por
exemplo, colles platini. Este
adjectivo aplicou-se naturalmente à morada imperial e à côrte: domus palatina ou «palácio imperial»; palatinus «dignitário do palácio»,
«cortesão». Este sentido de nobreza transparece no comes palatinus ou «conde palatino» dos antigos estados germânicos.
Os Italianos, alterando um pouco a ideia, fizeram daqui paladino, no sentido de «herói cavaleiresco», e a palavra passou a
França na forma de paladin, para a
Espanha na de paladin, e para
Portugal na de paladino, que tem a
par também paladim.
O latim palatinus seguiu ainda outro caminho,
passando à classe de cognome (romano), que com o andar do tempo veio a ser
verdadeiro nome próprio. Nesse significado temos em documentos nossos do século
XI Paladinu, a que correspondem os
patronímicos Paladinici e Paladiniz.
De Palatinu, como nome de donos de
propriedades, veio Paadinho, hoje Padinho, que decerto se pronuncia pàdinho, nome de duas povoações nos
concelhos de Fafe e Guimarães. No feminino há o moderno apelido da família Padinha, que sei se pronuncia padinha. Do genitivo Paladini, em compostos como villa Paladini, segundo um tipo muito
usual na idade média, veio Paadim,
que aparece no século XIII; e por último Pádim
ou Pàdim, nome de seis lugares no Minho. Comparáveis a Palatinus, na qualidade de cognome romano, temos na nossa língua
actual, pelo menos no aspecto externo, os apelidos Cortesão e Côrte – Real.
Voltemos a palatium, substantivo comum. Palatium designou na Idade Média, como
tradição romana, a habitação do proprietário de um terreno: donde, por intermédio
de paaço, que ainda existia no
século XIV, vieram Paço e Paços,
como nomes geográficos muito espalhados por todo o Portugal, com especialidade
no Norte e Centro ou Beira, regiões em que a palavra teve seu berço. A Paço e Paços se ligam os diminutivos
geográficos Pacinho e Pacinhos. Outro
diminutivo geográfico é Pàçô,
igualmente muito usado no Norte e no Centro, o qual, por intermédio das formas
medievais (geográficas) Palatiolo,
Palaciolo, ou melhor Paacioo, Paaçoo,
provém directamente de palatiolum, à
letra, «palácio pequeno», pronunciado
no latim vulgar palatiólu.
Em alguns dos citados
exemplos notámos que muitos nomes de povoações provêm de nomes próprios de
indivíduos. Entenda-se que estes eram senhores de quintas, «villas», etc., que
no decurso das idades aumentaram de moradores, e se tornaram aldeias e maiores
povoações. Ás vezes acontece que os mesmos nomes geográficos passam a
significar nomes pessoais: quantos apelidos não há, que soam Paço e Paços?…É
possível que os apelidos que se escrevem
Passos, com dois ss, pertençam, em parte, à classe que estou estudando, embora
alguns possam provir de ideias religiosas, isto é, de Senhor dos Passos, como
Ascenção, etc.
Além da significação de
habitação de um senhor ou proprietário, paço,
ou o latinismo palácio, conserva a
anterior tradição romana de «habitação de monarca». A todo o instante falam os
nossos textos medievais de palatium
Domini Regis, por exemplo mas Leges, p. 694, de 1260. Paralelamente a paço e palácio real temos paço episcopal, paços do concelho, e
como nome próprio em Lisboa Terreiro do Paço, por paço de Governo.
Na língua usual chamamos
por isso palácio a um edifício
grande. Com paço real se relacionam
os adjectivos arcaicos pàceiro e
paaceiro (títulos de cargos), e palaciano, forma restaurada da medieval
pação, latim palatinus. É notável
que assim como palatinus se tornou
nome próprio, também palatianus. Os
documentos medievais de Portugal têm Paaciano
e Paaciana, como nomes geográficos do século XIII, provenientes de nomes de
proprietários: o segundo está ainda hoje representando em Paçam, por Pàçam, ou Pàçã, nome de um lugar na Beira Alta.
E assim termino, pois me
parece que fica justificada a afirmação que comecei por fazer: que as palavras
têm muitas vicissitudes. No caso presente vimos que as estacas secas que
constituíam a primitiva paliçada que foi Roma reverdeceram pujantemente, dando
vergônteas que se tornaram, ora nomes de domicílios principescos, e símbolos de
aventura, ora designações de pessoas e de localidades. Tão alto pôde subir a
ramificação, que por palácio ou paço celeste entendem os crentes a morada de
Deus, e já os pagãos diziam palácio de
Jove!»
Em conclusão ao que ficou
dito da evolução e história da palavra que começou por designar uma paliçada e
acabou Paço Real, resta-me apresentar as datas e documentos em que tal se
passou, na Idade Média, ao nosso «PAÇOS»
.
Data documento
denominação
773 (?) Diplomata et Chartae – Doc.
I (a) VILLA PALACIOLO
992 Idem - Doc. XXV PALATIOLO
1025 Idem - Doc.CCLVII PALACIOLO
1134 Baio-Ferrado (b)
- Doc.206 PALATIOLO
1135 Idem - Doc.209 VILLA PALATIOLO
1137 Idem - Doc.207 PALATIOLO
1141 Idem - Doc.210 VILLA PALATIOLO
1146 Ordre du Temple (c) - Doc.CCCCIII PALATIOLO
1159 Baio-Ferrado - Doc.211 K(arta)PALACIOLO
(a) – Além da data referente
ao ano de 773 levantar algumas dúvidas, também a referência à «Villa Palaciolo»
que lá se encontra, poderá não dizer respeito à nossa terra de São Cipriano de
Paços de Brandão, no entanto é de notar que já naquela data e, a Sul do Rio
Douro, tal denominação já se encontrava assinalada.
(b) – Le Cartulaire BAIO –
FERRADO du Monastère de Grijó -
Introduction et Notes de Robert Durand – Fundação Calouste Gulbenkian (CCP) –
Paris 1971.
(c) – Cartulaire Générale de
L´Ordre du Temple.
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